Testemunho de Alexander Ogorodnikov

Indico esse vídeo produzido pela missão Portas Abertas.  Consiste no testemunho de Alexander Ogorodnikov sobre o tempo em que esteve aprisionado, pelo “crime” de seguir a Jesus,  num campo de trabalhos forçados na antiga União Soviética

Add comment Julho 9, 2009

O ministério de intercessão de cada discípulo

Quero indicar para vocês um texto escrito pelo meu amigo Cristiano Brum [cristianobrum.blogspot.com]

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Em Israel, dentre todo o povo, havia uma tribo escolhida especificamente para ministrar ao Senhor Deus no tabernáculo. Essa era a tribo de Levi, um dos 12 filhos de Jacó. Todo trabalho que estava relacionado ao tabernáculo, desde montagem e desmontagem a sacrifícios espirituais, era da responsabilidade dessa tribo. Eles eram chamados de Levitas. Estes, diferente do que muitos pensam, não eram somente músicos. Existiam várias funções dentro desta tribo e uma muito importante era a dos sacerdotes.

Os sacerdotes eram aqueles que ministravam diante do Senhor pelo povo. Era por intermédio deles que todos podiam ir até Deus.

Além de oficiar os sacrifícios e ofertas do povo à Deus, outra função muito importante do sacerdote era a de intercessor. Ele levava os nomes dos filhos de Israel em intercessão diante de Deus sempre quando entrava no santuário.

Assim, Arão levará os nomes dos filhos de Israel no peitoral do juízo sobre o seu coração, quando entrar no santuário, para memória diante do SENHOR continuamente. (Êx.28: 29)

Todo sacerdote em Israel deveria sempre usar uma roupa sagrada para oficiar no seu ministério. Dentre outras coisas que compunham suas vestes sagradas, estava o peitoral[1]. Neste peitoral ele carregava os nomes dos filhos de Israel. Nunca poderia se separar de sua roupa sagrada pois, sempre deveria apresentar diante de Deus, em intercessão, os filhos de Israel. A estola sacerdotal[2] e o peitoral nunca poderiam ser separados, ou seja, o ministério sacerdotal e a intercessão eram inseparáveis. Um estava ligado diretamente ao outro. Sempre que o sacerdote oficiava, ele levava sobre o seu coração, os filhos de Israel.

Hoje, como Igreja, todos foram feitos sacerdotes.

Vós, porém, sois raça eleita, sacerdócio real, nação santa, povo de propriedade exclusiva de Deus, a fim de proclamardes as virtudes daquele que vos chamou das trevas para a sua maravilhosa luz;(1 Pedro 2:9 )

e nos constituiu reino, sacerdotes para o seu Deus e Pai, a ele a glória e o domínio pelos séculos dos séculos. Amém! (Apocalipse 1:6 )

e para o nosso Deus os constituíste reino e sacerdotes; e reinarão sobre a terra. (Apocalipse 5:10  )

Não existe mais uma tribo separada para ser sacerdote diante de Deus. A IGREJA é essa tribo.

Não podemos deixar de exercer o nosso sacerdócio. E como sacerdotes, somos inseparáveis da intercessão. Devemos sempre levar sobre nosso coração os filhos de Deus e suas causas. A intercessão é uma parte inseparável de nossa vida.

com toda oração e súplica, orando em todo tempo no Espírito e para isto vigiando com toda perseverança e súplica por todos os santos (Ef. 6.18)

Por esta causa, me ponho de joelhos diante do Pai, de quem toma o nome toda família, tanto no céu como sobre a terra, para que, segundo a riqueza da sua glória, vos conceda que sejais fortalecidos com poder, mediante o seu Espírito no homem interior; e, assim, habite Cristo no vosso coração, pela fé, estando vós arraigados e alicerçados em amor, a fim de poderdes compreender, com todos os santos, qual é a largura, e o comprimento, e a altura, e a profundidade e conhecer o amor de Cristo, que excede todo entendimento, para que sejais tomados de toda a plenitude de Deus. Ora, àquele que é poderoso para fazer infinitamente mais do que tudo quanto pedimos ou pensamos, conforme o seu poder que opera em nós, a ele seja a glória, na igreja e em Cristo Jesus, por todas as gerações, para todo o sempre. Amém! (Ef. 3: 14-21)

Por esta razão, também nós, desde o dia em que o ouvimos, não cessamos de orar por vós e de pedir que transbordeis de pleno conhecimento da sua vontade, em toda a sabedoria e entendimento espiritual; (Colossenses 1:9  )

Por isso, também não cessamos de orar por vós, para que o nosso Deus vos torne dignos da sua vocação e cumpra com poder todo propósito de bondade e obra de fé, (2 Ts 1:11 )

Nosso maior exemplo de intercessor é Jesus.

Ora, aqueles são feitos sacerdotes em maior número, porque são impedidos pela morte de continuar; este, no entanto, porque continua para sempre, tem o seu sacerdócio imutável. Por isso, também pode salvar totalmente os que por ele se chegam a Deus, vivendo sempre para interceder por eles. (Hebreus 7:23-25).

Sigamos o exemplo deste que nos chamou e que vive para interceder por nós. Vivamos também nós para interceder e veremos o que Deus pode realizar!


[1] – bolsa sagrada do sumo sacerdote designada a guardar o Urim e o Tumim

[2] – Espécie de manto usado pelo sumo sacerdote. Era feito de linho fino, enfeitado com ouro e bordado e preso por um cinto (Êx 28.6-14; 39.2-7)

Add comment Julho 6, 2009

Blog Intercessores

O Ministério de Intercessão da Igreja em Curitiba acaba de lançar o seu blog: intercessores.wordpress.com . Nele você encontrará textos, testemunhos, vídeos e as mais recentes informações sobre o Ministério, além de poder deixar o seu pedido de oração. Com certeza esse será mais um espaço para a edificação da Igreja pela internet. Vale a pena conferir.

Add comment Junho 14, 2009

Existência histórica de Jesus Cristo é inquestionável, afirmam especialistas

Matéria publicada no dia 14/09/2008 no portal de notícias G1.

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Viciados em teorias da conspiração adoram a idéia: Jesus nunca teria existido. As histórias sobre sua vida, morte e ressurreição que chegaram até nós seriam mera colagem de antigos mitos egípcios e babilônicos, com pitadas do Antigo Testamento para dar aquele saborzinho judaico. Na prática, Cristo não seria mais real do que Osíris ou Baal, dois deuses mitológicos que também morreram e ressuscitaram.

No entanto, para a esmagadora maioria dos estudiosos, sejam eles homens de fé ou ateus, a tese não passa de bobagem. A figura de Jesus pode até ter “atraído” elementos de mitos antigos para sua história, mas temos uma quantidade razoável de informações historicamente confiáveis sobre ele, englobando pistas de fontes cristãs, judaicas e pagãs.

  • De Paulo a Tácito

Começamos, no Novo Testamento, com as cartas de São Paulo, escritas entre 20 anos e 30 anos após a crucificação do pregador de Nazaré. Cerca de 40 anos depois da morte de Jesus, surge o Evangelho de Marcos, o mais antigo da Bíblia; antes que o século 1 terminasse, os demais Evangelhos alcançaram a forma que conhecemos hoje. A distância temporal, em todos esses casos, é a mais ou menos a mesma que separava o historiador Heródoto da época da guerra entre gregos e persas, que aconteceu entre 490 a.C. e 479 a.C. – e ninguém sai por aí dizendo que Heródoto inventou Leônidas, o rei casca-grossa de Esparta.

Outra fonte crucial é Flávio Josefo, autor da obra ”Antigüidades Judaicas”, também do século 1. O texto de Josefo sofreu interferências de copistas cristãos, mas é possível determinar sua forma original, bastante neutra: Jesus seria um “mestre”, responsável por “feitos extraordinários”, crucificado a mando de Pilatos, cujos seguidores ainda existiam, apesar disso. Duas décadas depois, o historiador romano Tácito conta a mesma história básica, precisando que Jesus tinha morrido na época de Pilatos e do imperador Tibério (duas referências que batem com o Novo Testamento).

Esses dados mostram duas coisas: a historicidade de Jesus e também sua relativa desimportância diante das autoridades romanas e judaicas, como um profeta marginal num canto remoto e pobre do Império.

Add comment Abril 16, 2009

Qual é o teu único conforto na vida e na morte?

Primeira pergunta e resposta do Catecismo de Heidelberg.

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“É que eu pertenço – corpo e alma, na vida  e na  morte – não a mim mesmo, mas a meu fiel  Salvador, Jesus Cristo, que com o seu precioso sangue pagou plenamente os meus pecados e me libertou completamente do domínio do Diabo; que Ele me protege tão bem, que sem a vontade de meu Pai no céu nenhum cabelo pode cair da minha cabeça, na verdade, que tudo deve adaptar-se ao Seu propósito para a minha salvação. Portanto, pelo seu Santo Espírito, Ele também me garante a vida eterna e me faz querer estar pronto, de todo o coração, a viver para Ele daqui por diante”.

Add comment Abril 12, 2009

Resoluções de Jonathan Edwards

Escrito por Mark Noll – Christian History, vol. 6, no. 4.
Originalmente publicado em português pelo Jornal Os Puritanos,
Ano I, Número 3, Agosto/1992.

Como era comum aos jovens da sua época, Jonathan Edwards escreveu uma lista de resoluções, comprometendo-se a viver uma vida TEOCÊNTRICA em harmonia com os outros. Esta lista, resumida neste artigo, foi escrita provavelmente no ano de 1722 e foi crescendo ao longo dos anos, quando novas resoluções eram acrescentadas. A lista tem um total de 70 resoluções. Os trechos resumidos abaixo dão o exemplo da seriedade e firmeza com as quais Jonathan Edwards encarava a vida.

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Jonathan Edwards

Jonathan Edwards

Estando ciente de que sou incapaz de fazer qualquer coisa sem a ajuda de Deus; humildemente Lhe rogo que, através de sua graça, me capacite a cumprir fielmente estas resoluções, enquanto elas estiverem dentro da sua vontade, em nome de Jesus Cristo.

RESOLVI que farei tudo aquilo que seja para a maior glória de Deus e para o meu próprio bem, proveito e agrado, durante toda a minha vida.

RESOLVI que farei tudo o que sentir ser o meu dever e que traga benefícios para a humanidade em geral, não importando quantas ou quão grandes sejam as dificuldades que venha a enfrentar.

RESOLVI jamais desperdiçar um só momento do meu tempo; pelo contrário, sempre buscarei formas de torná-lo o mais proveitoso possível.

RESOLVI jamais fazer alguma coisa que eu não faria, se soubesse que estava vivendo a última hora da minha vida.

RESOLVI jamais cansar de procurar pessoas que precisem do meu apoio e da minha caridade.

RESOLVI jamais fazer alguma coisa por vingança.

RESOLVI manter vigilância constante sobre a minha alimentação e aquilo que bebo, para ser sempre comedido.

RESOLVI jamais fazer alguma coisa que, se visse outra pessoa fazendo, achasse motivo justo para repreendê-la ou menosprezá-la.

RESOLVI estudar as Escrituras tão firme, constante e freqüentemente, que possa perceber com clareza que estou crescendo continuamente no conhecimento da Palavra.

RESOLVI esforçar-me ao máximo para que a cada semana eu cresça na vida espiritual e no exercício da graça, além do nível em que estava na semana anterior.

RESOLVI que me perguntarei ao final de cada dia, semana, mês, ano, como e onde eu poderia ter agido melhor.

RESOLVI renovar freqüentemente a dedicação da minha vida a Deus que foi feita no meu batismo e que eu refaço solenemente neste dia,

RESOLVI, a partir deste momento e até à minha morte, jamais agir como se a minha vida me pertencesse, mas como sendo total e inteiramente de Deus.

RESOLVI que agirei da maneira que, suponho, eu mesmo julgarei ter sido a melhor e a mais prudente, quando estiver na vida futura.

RESOLVI jamais relaxar ou desistir, de qualquer maneira, na minha luta contra as minhas próprias fraquezas e corrupções, mesmo quando eu não veja sucesso nas minhas tentativas.

RESOLVI sempre refletir e me perguntar, depois da adversidade e das aflições, no que fui aperfeiçoado ou melhorado através das dificuldades; que benefícios me vieram através delas e o que poderia ter acontecido comigo, caso tivesse agido de outra maneira.

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Apesar da sua biografia apresentar contrastes dramáticos, estas são, na realidade, apenas algumas facetas diferentes de uma afinidade com um Deus SOBERANO. Assim, Jonathan Edwards tanto pregava sermões vívidos sobre o fogo do inferno, quanto se expressava em poesia e de forma lírica em suas apreciações sobre a natureza, pois o Deus que criou o mundo em toda a sua beleza, também é perfeito em sua santidade. Edwards combinava o exercício mental e intelectual de um gigante com piedade quase infantil, pois ele percebia Deus tanto como infinitamente complexo quanto como maravilhosamente simples. Na sua igreja em Northampton, sua consistente exaltação da majestade divina gerou muitas reações diferentes — primeiro ele foi exaltado como grande líder e, em seguida, foi demitido do seu púlpito. Edwards sustentava a doutrina de que o Deus onipotente exigia arrependimento e fé das suas criaturas humanas; por isso, ele proclamava tanto a absoluta soberania de Deus quanto as urgentes responsabilidades dos homens.

1 comment Abril 7, 2009

Estado Parental

Mais um artigo extraído da Revista Ultimato,

escrito por Rubem Amorese

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Vivemos a era dos especialistas. Com o crescimento do conhecimento, desapareceram aqueles sábios que dominavam todo o conhecimento. A ciência se multiplicou e os especialistas se aprofundam em fragmentos. Acho que não pode ser diferente. Não é possível saber tudo no mundo pós-moderno.

Quando algum problema foge ao nosso conhecimento, recorremos aos especialistas. Porém, quando estes chegam ao poder, tendem a querer gerir a coisa pública a partir de sua área de concentração. É o caso dos nossos ministros de estado — do nosso governo, em geral. Muitos não resistem à tentação de impor sua perspectiva à sociedade, tentando recriá-la à sua imagem.

Na revista “Cristianismo Hoje” (edição 8, ano II, p. 10) lê-se que o pastor americano Barry Barnett Jr. pode ser preso por dar duas palmadas em seu filho de 12 anos. Ele foi denunciado por assistentes sociais da escola do garoto, apesar dos protestos do próprio menino, que confessava ter desobedecido ao pai. Pai de outros oito filhos, Barry só foi liberado após pagar fiança de 10 mil dólares e está sendo processado por abuso físico contra menor. Pode pegar até três anos de cadeia e, como medida liminar, está impedido de impor qualquer disciplina aos filhos.

No dia da audiência, uma de suas filhas, de 21 anos, ficou do lado de fora do tribunal, com um cartaz que dizia: “Obrigada, papai, por me disciplinar”.

Pobre Barry! Encontrou especialistas pela frente, numa área que supunha conhecer bem: a criação de filhos. Bateu de frente com alguém que “sabe como ele deve educar uma criança”. Aliás, tenho a impressão de que temos muitos desses por estas bandas. Gente que é capaz de, por exemplo, dizer ao governo da Itália que eles não sabem distinguir entre um assassino e um ativista político.

Temos visto reportagens sobre jovens que jogam álcool e ateiam fogo em índios e mendigos; matam crianças a golpes de caratê; abatem a tiros professores em sala de aula. O interessante é que a maioria deles são jovens de classe média — eu ousaria dizer, filhos de especialistas.

Tornou-se lugar-comum perguntar, nesses momentos, pela família. Como que a dizer que toda essa loucura, sem causa aparente, só pode ser falta de família.

Acho que a pergunta faz sentido. Sem uma família estruturada, a mocidade sofre da síndrome do escorpião: quando a esperança se vai, resta-lhe dar picadas mortais em quem está à sua volta e depois em si mesma. “É a vida.”

Eu gostaria de saber como são as famílias daqueles assistentes sociais que denunciaram o pastor Barnett. Melhor, eu gostaria de saber como são as finanças pessoais dos nossos ministros da área econômica, ou como são as relações familiares dos nossos psicólogos e sociólogos de plantão. Eu gostaria de saber como é, como pai, o nosso presidente.

Quando não nos deixarem mais educar nossos filhos de acordo com a Palavra de Deus, estarão gestando uma horda de delinquentes. Os nossos filhos acabarão por se parecer com os deles, apesar de sabermos que “a vara e a disciplina dão sabedoria, mas a criança entregue a si mesma vem a envergonhar a sua mãe” (Pv 29.15).

Rubem Amorese é consultor legislativo no Senado Federal
e presbítero na Igreja Presbiteriana do Planalto, em Brasília

1 comment Março 23, 2009

Se Deus não existisse, o que haveria para comemorar?

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Campanha ateísta em ônibus de Londres

Desde o início do ano há  duzentos ônibus urbanos em Londres (além de outros seiscentos em todo Reino Unido) que levam cartazes dizendo: “Provavelmente, Deus não existe. Agora, pare de se preocupar e curta a vida”. Esses cartazes são parte de uma campanha promovida pela Associação Humanista Britânica, que custou 195 mil dólares e contou com a apoio do biólogo ateu Richard Dawkins, autor do livro “Deus, Um Delírio”.

Inspirada por essa campanha, a Associação Humanista Americana colocou anúncios nos ônibus de Washington, em novembro passado, com a pergunta “Porque acreditar em Deus?”. Esse anúncio trazia a foto de um homem vestido de Papai Noel, segundo o jornal americano “The New York Times”.

Ônibus circularia apartir de fevereiro na Itália

Ônibus circularia apartir de fevereiro na Itália

Na Itália, a União dos Ateus e Agnósticos Racionalistas pretendiam divualgar uma campanha publicitária nos ônibus de Gênova que tinha por slogan:“Má notícia: Deus não existe; Boa notícia, você não precisa dele”. Porém a campanha foi proibida por ser considerada provocatória e não se enquadrar no código de ética da propaganda italiana.

Na Espanha, mais precisamente na cidade de Barcelona, a União de Ateus e Livres-Pensadores da Espanha  começou uma campanha publicitária idêntica a que está circulando no Reino Unido. A frase escolhida foi a mesma,  apenas traduzida para o espanhol.

Ônibus em Barcelona

Ônibus em Barcelona

Essa onda de propagandas ateístas que tem se espalhado por vários países é fruto da comprensão de que a fé em Deus é algo não apenas desnecessário, mas até mesmo prejudicial, pois estaria privando as pessoas de desfrutarem da liberdade, dos prazeres que a vida lhes oferece. A Fé seria um instrumento para prender a humanidade à ignorância e ao retrocesso. Para essas pessoas, a fé é um mal que ao longo da história, além de servir como instrumento de domínio e manipulação, tem sido fonte de intolerância, discriminação, fanatismo e ódio.

Quem crê ou afirma esse tipo de coisa demonstra que não tem dado muita atenção para a história da humanidade, principalmente sua história recente. O século XX demonstrou que a secularização e a eliminação da fé ou da religião não significaram melhorias ou avanços na vida humana. Vimos nesse século o estabelecimento de regimes marcadamente fundamentados no ateísmo. E o que encontramos?

A União Soviética, governada por Stálin, em apenas um ano matou sete milhões de ucranianos de fome, uma fome estrategicamente construída por meio do confisco de grãos, fechamento de fronteiras, isolamento das cidades. A China maoísta aniquilou, aproximadamente, sessenta e cinco milhões de chineses. Pol Pot promoveu um genocídio no Camboja no qual estímasse que foram executadas, em quatro anos, dois milhões de pessoas, cerca de 25% da população da época.

Em texto publicado na Folha de S. Paulo,  João Pereira Coutinho, comentando sobre a campanha ateísta, cita Dostoiévski,  questionamento  se a ausência de Deus significa também a ausência de qualquer limite ético para a ação humana. Ele prossegue escrevendo:  “Essa possibilidade seria confirmada no século seguinte [século XX]: um século devastado por grandes construções coletivistas, utópicas e rigorosamente ateias que libertaram um fanatismo e uma crueldade indistinguíveis do fanatismo e da crueldade das antigas religiões tradicionais”.

Poderia citar outras atrocidades feitas por regimes ateus. Contudo, meu propósito aqui não é demomstrar que o ateísmo seja cruel e sanguinário, mais perverso do que qualquer violência cometida em nome da religião. Não pretendo fazer isso, até mesmo porque isso não seria verdade.  A história da chamada cristandade possui atos de violências extremamente cruéis também, como as cruzadas, a inquisição, o julgamento das bruxas de Salém, entre outros.  E atrocidades assim também são encontradas na história de outros grupos.

Contudo, esses atos de violência não invalidam a fé, mas apenas confirmam que a afirmação bíblica de que “não há um justo, nem um sequer” (Rm. 3:10) e “todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus” (Rm. 3:23). O homem é mal, e não é a religião nem o ateísmo que pode libertá-lo dessa realidade. Jesus disse: “Porque do coração procedem os maus pensamentos, mortes, adultérios, prostituição, furtos, falsos testemunhos e blasfêmias” (Mt. 15:19). Segundo as palavras de Jesus, nem a religião  e nem o ateísmo podem livrar os homens dessas coisas.

À luz do que tenho vivido e experimentado, posso dizer que há um meio para transformação de indivíduos e do mundo. Esse meio é uma pessoa chamada Jesus Cristo. Através de um relacionamento pessoal com Ele pode-se alcançar um coração transformado.  Com Ele posso aproveitar a vida de verdade. Antes de conhecê-lo, eu estava morto (Ef. 2:1). Mas quando o conheci, descobri o que é vida de verdade. Afinal, Ele veio para que tivéssemos vida em abundância. Hoje tenho todos os motivos pra celebrar e pra dizer: Deus existe. Aproveite a vida em Cristo!


3 comments Março 17, 2009

Céu sem inferno

“Houve um inglês de origem humilde que, em 1878, declarou guerra contra duas poderosas frentes: a pressão da pobreza e o poder do pecado. Doze anos mais tarde, ele publicaria seu único livro: “In Darkest England — and the Way Out” (Na Inglaterra mais escura — e o caminho de saída). Trata-se de William Booth (1829-1912), o pastor metodista que fundou o Exército de Salvação. Quando alguém lhe perguntou quais seriam os maiores perigos doutrinários do século 20, ele respondeu de pronto: “Religião sem Espírito Santo, cristianismo sem Cristo, perdão sem arrependimento, salvação sem novo nascimento, política sem Deus e céu sem inferno”.

Extraído – http://www.ultimato.com.br

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Fomos enviados pelos Senhor a pregar o arrependimento e a remissão de pecados em todas as nações (Lc.  24:4 7). O mundo precisa de gente que tenha coragem para proclamar: Arrependei-vos porque é chegado o Reino (governo) de Deus. Gente que não negocia a palavra de Jesus, que tenha compromisso absoluto com a verdade e que não oculte o preço de seguir a Jesus: “Se alguém quer vir após mim, negue-se a si mesmo, e tome cada dia a sua cruz, e siga-me.

3 comments Março 12, 2009

O Fim dos tempos e as nossas vidas hoje

Em Hebreus 6:1-3, o autor, ao conduzir a Igreja a prosseguir rumo à maturidade na fé, expõe alguns pontos que são considerados princípios elementares da doutrina de Cristo:

“Por isso, pondo de parte os princípios elementares da doutrina de Cristo, deixemo-nos levar para o que é perfeito, não lançando, de novo, a base do arrependimento de obras mortas e da fé em Deus, o ensino de batismos e da imposição de mãos, da ressurreição dos mortos e do juízo eterno. Isso faremos, se Deus permitir”.

Esse texto pode intrigar alguns, pois existe uma grande dificuldade em compreender temas como ressurreição dos mortos e juízo eterno como elementares. Esses assuntos são vistos como temas que envolvem muita complexidade. Contudo, para o autor de Hebreus, esses pontos eram tão elemetares como o arrpendimento ou a fé.

Uma outra coisa que chama a atenção é o fato de que os apóstolos, em algumas ocasiões, tocavam nesses temas na evangelização, como nos exemplos abaixo:

“Doendo-se muito de que ensinassem o povo, e anunciassem em Jesus a ressurreição dentre os mortos” (At. 4:2). – Sacerdotes e saduceus impedindo a pregação dos apóstolos.

“E nos mandou pregar ao povo, e testificar que ele é o que por Deus foi constituído juiz dos vivos e dos mortos” (At. 10:42) – Pedro pregando na casa de Cornélio.

“E alguns dos filósofos epicureus e estóicos contendiam com ele; e uns diziam: Que quer dizer este paroleiro? E outros: Parece que é pregador de deuses estranhos; porque lhes anunciava a Jesus e a ressurreição” (At. 17:18) – Paulo pregando ao atenienses no Areópago.
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“Porquanto tem determinado um dia em que com justiça há de julgar o mundo, por meio do homem que destinou; e disso deu certeza a todos, ressuscitando-o dentre os mortos” (At. 17:31) – Paulo pregando aos atenienses no Aerópago.

“E alguns dias depois, vindo Félix com sua mulher Drusila, que era judia, mandou chamar a Paulo, e ouviu-o acerca da fé em Cristo. E, tratando ele da justiça, e da temperança, e do juízo vindouro, Félix, espavorido, respondeu: Por agora vai-te, e em tendo oportunidade te chamarei” (At. 24:24,25).

A dificuldade no ensino desses temas como elementares deve-se à enorme quantidade de teorias escatológicas que têm sido criadas com o passar do tempo. Hoje, um cristão pode optar por ser pré-tribulacionista, medi-tribulacionista ou pós-tribulacionista. Além disso também pode optar pelo pré-milenismo, pós-milenismo e amilenismo.

Com certeza, o ensino dos apóstolos aos novos discípulos não consistia nesse complexo sistema teórico. Era algo mais simples e bem objetivo, que fortalecia a esperança no Senhor e alertava quanto à necessidade de vigilância.

Para gerar uma reflexão, quero compartilhar aqui um trecho do Didaquê, um antigo documento cristão escrito no segundo século. O Didaquê aborda o tema escatologia da seguinte forma:

“1 Vigie sobre a vida uns dos outros. Não deixe que sua lâmpada se apague, nem afrouxe o cinto dos rins. Fique preparado porque você não sabe a que horas nosso Senhor chegará.

2 Reúna-se com freqüência para que, juntos, procurem o que convém a vocês; porque de nada lhe servirá todo o tempo que viveu a fé se no último instante não estiver perfeito.

3 De fato, nos últimos dias se multiplicarão os falsos profetas e os corruptores, as ovelhas se transformarão em lobos e o amor se converterá em ódio.

4 Aumentando a injustiça, os homens se odiarão, se perseguirão e se trairão mutuamente. Então o sedutor do mundo aparecerá, como se fosse o Filho de Deus, e fará sinais e prodígios. A terra será entregue em suas mãos e cometerá crimes como jamais foram cometidos desde o começo do mundo.

5 Então toda criatura humana passará pela prova de fogo e muitos, escandalizados, perecerão. No entanto, aqueles que permanecerem firmes na fé serão salvos por aquele que os outros amaldiçoam.

6 Então aparecerão os sinais da verdade: primeiro, o sinal da abertura no céu; depois, o sinal do toque da trombeta; e, em terceiro, a ressurreição dos mortos.

7 Sim, a ressurreição, mas não de todos, conforme foi dito: “O Senhor virá e todos os santos estarão com ele”.

8 Então o mundo assistirá o Senhor chegando sobre as nuvens do céu”.


A maneira simples, objetiva e prática com que esse documento trata assuntos concernentes ao fim dos tempos, pode nos ajudar a refletir em que nosso ensinos acerca dos mesmos temas têm deixado resultados práticos na vida dos discípulos, indo além da mera teoria.


Add comment Março 7, 2009

Sobre homens e animais

A comemoração dos 200 anos de nascimento do naturalista britânico Charles Darwin e dos 150 anos da publicação de sua obra “A Origem das Espécies” ganharam amplos divulgação na imprensa em geral.  Darwin, com sua teoria sobre a evolução das espécies, tem sido celebrado como um dos maiores cientista do século XIX.

Devido à essas comemorações, o debate entre evolucionismo e criacionismo está ganhando evidência em vários espaços, tanto seculares quanto religiosos. O telejornal Bom dia Brasil, da TV Globo, levou ao ar uma série de reportagens que tratavam sobre o tema.   O mesmo tema foi tratado por muitos outros jornais e programas. O Vaticano não deixou o assunto de lado, e no mês de março realizará uma conferência em que cientistas, filósofos e teólogos discutirão a compatibilidade entre o darwinismo e os ensinos católicos.

Sobre esses debates que sido promovidos recomendo dois artigos:  “Do Dogmatismo Evolucionista”, escrito por Robinson Cavalcanti, e “Ideias de Darwin”, escrito por Karl Heinz Kientz. Ambos foram publicados no site da Editora Ultimato.

Não pretendo usar este espaço para esse debate, mas quero reproduzir aqui um trecho do livro Ortodoxia, de G. K. Chesterton [1], publicado no início do século XX. No referido texto, Chesterton comenta que entre as razões pelas quais muitos homens estavam abandonando o Cristianismo estava “a convicção de que os homens, com sua forma, estrutura e sexualidade, são no fim das contas muito semelhantes às feras, uma simples varidade do reino animal”. Acerca dessa convicção, Chesterton escreve o seguinte:

“Se você parar de olhar para livros sobre os animais e os homens e começar a olhar diretamente para os animais e os homens (…), você observará que o que assusta não é o quanto o homem se assemelha aos animais, mas quanto ele difere deles. É a monstruosa escala de sua divergência que exige explicação. Que o homem e os animais são iguais é, num certo sentido, um truísmo; mas que, sendo tão iguais, eles sejam tão disparatadamente desiguais, esse é o choque e o enigma.

O fato de um macaco ter mãos é muito menos interessante para o filósofo do que o fato de que, tendo mãos, ele não faz quase nada com elas; não estala os dedos, nem toca violino; não entalha o mármore, nem trincha costeletas de carneiro. Fala-se de arquitetura bárbara e de arte inferior. Mas os elefantes não constroem colossais templos de marfim nem mesmo no estilo rococó; os camelos não pintam nem mesmo quadros ruins, embora sejam equipados de muitos pincéis de pelo de camelo.

Certos sonhadores modernos dizem que as formigas têm uma organização social superior à nossa. Elas têm de fato uma civilização; mas exatamente essa verdade só nos faz lembrar de que é uma civilização inferior. Quem jamais descobriu um formigueiro decorado com estátuas de formigas famosas? Quem já vu uma colmeia na qual estavam esculpidas as imagens de esplêndidas rainhas de outrora?

Não; o abismo entre o homem e as outras criaturas pode ter uma explicação natural, mas é um abismo. Falamos de animais selvagens; mas o único animal selvagem é o homem. Foi o homem que se evadiu. Todos os outros animais são domésticos e seguem a inflexível respeitabilidade de sua tribo ou espécie. Todos os outros animais são domésticos; apenas o homem é sempre indômito, seja ele um devasso, seja ele um monge”.

Apesar de ter sido escrito há mais de 100 anos, o texto de Chesterton continua levantando as questões que o darwinismo e o neodarwinismo ainda não conseguiram responder. De onde vem essa capacidade do homem de fazer, criar e transformar? De onde vem a percepção do belo, das artes, da música? De onde vem a capacidade de trabalhar com as palavras, fazer poesia, e ter deleite nisso? De fazer filosofia e produzir ciência? Essas e muitas outras perguntas não têm sido respondidas ao longo desses 150 anos da teoria darwiniana.

Contudo, há respostas para essas perguntas. Elas estão nAquele que tem respostas para tudo.

“Os céus declaram a glória de Deus e o firmamento anuncia a obra das suas mãos” (Sl. 19:1).

[1] G. K. Chesterton, Ortodoxia, pg. 235,236. Ed. Mundo Cristão

Leia também “O Naturalista e o Missionário”

2 comments Fevereiro 25, 2009

Escravidão da “segurança”

O texto de Nm. 11:4-6 registra um episódio da história de Isarel no deserto, no qual o povo murmurou contra Moisés por não ter outra coisa para comer além do maná. Em suas murmurações, o povo fez comparações com sua vida no Egito. Diziam que lá, apesar da escravidão, eles supostamente se alimentavam melhor.

Em uma reflexão sobre esse momento da peregrinação de Israel, vejo que o motivo da murmuração era porque aquele povo era escravo da “estabilidade” e  da “segurança”.  Eles não se alimentavam melhor no Egito. Provavelmente passavam alguns dias sem comer. Afinal, eram escravos. Mas lá eles viam as sementes e as plantações de onde seria retirado o seu alimento.  Além disso, viam também os celeiros e os depósitos do Egito.  Contudo, ao caminhar com o Senhor pelo deserto, teriam que depender apenas da palavra que o Senhor lhe havia dito: que a cada manhã lhes enviaria o maná. Não teriam como plantar, colher e estocar. Só teriam que colher um alimento sobrenatural que aparecia a cada manhã, como o orvalho.  E só podiam colher a quantidade de maná correspondente à alimentação por um dia.  Maná guardado para o dia seguinte estragava. O alimento era oferecido por Deus a cada dia, e para aquele dia. O único dia em que podia guardar para o dia seguinte era na sexta-feira, para que ninguém colhesse no sábado. Para aqueles homens, isso dava a sensação de que seu futuro não estava em suas mãos. E essa sensação é extremamente desconfortável para muitos.

Moisés havia alertado o povo a não guardar o maná. Mas, mesmo assim algumas pessoas guardaram, e o maná se estragou (Êx. 16:19-20). Esses homens se sentiam inseguros com uma promessa de que a cada manhã haveria comida. Para eles era mais seguro guardar. Creio que por essa mesma razão, muitos dos israelitas desejaram voltar à escravidão no Egito. Preferiam sofrer os açoites e as dores da escravidão, e dessa forma garantir o seu alimento, do que viver em liberdade plena, deixando o dia de amanhã nas mãos de Deus. Desejaram voltar à escravidão apenas pela aparente “estabibilidade”  e “previsibilidade” que esta lhes oferecia.

Todos nós gostamos da segurança, de saber o que será de nós amanhã.  E isso é muito natural. Gostamos da sensação de que tudo está sob o nosso controle, da previsibilidade. E trabalhamos para que isso aconteça.

Trabalhamos com a previsibilidade, e buscamos meios de garantir como será o nosso amanhã. Colhemos para plantar, e fazemos planos com as colheitas. Trabalhamos para receber. E estamos tão certos que vamos receber que fazemos compras contando com esse dinheiro. Tudo isso é muito natural e comum a todo nós. Tiago, em sua carta, nos ensina que é correto fazermos planos, desde que esses estejam sujeitos à vontade de Deus (Tg. 4:13-15). Então não há problema algum em planejar, prever, refletir sobre o futuro e tomar decisões hoje sobre o amanhã. Mas o problema surge quando nos tornamos escravos dessas coisas, quando nos apegamos à “estabilidade” e criamos a ilusão de que temos o nosso futuro em nossas mãos.

O apego à segurança é um risco pelo qual todos nós passamos. Todavia, caminhar com Deus é conviver com o imprevisível. É andar por fé. O justo vive pela fé(Rm. 1:17). É se humilhar e reconhecer o que é a nossa vida à luz do que está em Tg. 4:14: “Vós não sabeis o que sucederá amanhã. Que é a vossa vida? Sois, apenas, como neblina que aparece por instante e logo se dissipa”.

Jesus nos ensinou a não andarmos ansiosos pelo dia de amanhã. Devemos buscar em primeiro lugar o Reino de Deus (Seu governo, Sua vontade sobre nossas vidas) , e tudo o que nós necessitamos será acrescentado.  “Venha o teu reino; faça-se a tua vontade, assim na terra como no céu” (Mt. 6:10). Todas as demais coisas ficam sob os cuidados do Senhor. Para viver por fé é necessário romper com a escravidão da “segurança”.

Para cumprir qualquer direção do Senhor, é necessário romper com a necessidade de ter o controle de tudo em nossas mãos, vivendo uma uma falsa segurança. Para falar a verdade uns com os outros (Ef. 4:25) ou para confessar os nossos pecados uns aos outros (Tg. 5:16), é necessário estar livre da falsa segurança que a mentira nos oferece. Muitos persistem na mentira por não saber qual será a reação da pessoa enganada quando souber a verdade. Perguntam: “O que será de mim se eu falar a verdade?”. Para tal pessoa mentira é uma forma de manter o controle da situação em suas mãos. As trevas passam a ser seu abrigo. Afinal, falar a verdade pode colocá-lo diante do imprevisível. É necessário fé para falar a verdade.

É necessário fé para perdoar, pedir perdão, amar os inimigos e para guardar qualquer dos mandamentos do Senhor. O autor da carta aos Hebreus escreveu sobre os homens que viveram po fé: “Os quais pela fé venceram reinos, praticaram a justiça, alcançaram promessas, fecharam as bocas dos leões, Apagaram a força do fogo, escaparam do fio da espada, da fraqueza tiraram forças, na batalha se esforçaram, puseram em fuga os exércitos dos estranhos. As mulheres receberam pela ressurreição os seus mortos; uns foram torturados, não aceitando o seu livramento, para alcançarem uma melhor ressurreição; E outros experimentaram escárnios e açoites, e até cadeias e prisões. Foram apedrejados, serrados, tentados, mortos ao fio da espada; andaram vestidos de peles de ovelhas e de cabras, desamparados, aflitos e maltratados (Dos quais o mundo não era digno), errantes pelos desertos, e montes, e pelas covas e cavernas da terra” (Hb. 11:33-38).

Sem fé é impossível agradar a Deus. Nossa obediência a Ele é por fé: “e que, agora, se tornou manifesto e foi dado a conhecer por meio das Escrituras proféticas, segundo o mandamento do Deus eterno, para a obediência por fé, entre todas as nações”.

Obedecer a Deus implica em abrir mão de saber o que acontecerá amanhã, porém mantendo sempre a certeza de que Deus nos ama, que usa todas as coisa para o nosso bem, que o que Ele começou em nós será concluído e que reserva para nós um futuro de glória. Obedecer é se livrar da escravidão da falsa segurança, e se apegar à verdadeira estabilidade que só se alcança ao praticar as palavras do Senhor: “Todo aquele, pois, que ouve estas minhas palavras e as pratica será comparado a um homem prudente que edificou a sua casa sobre a rocha; e caiu a chuva, transbordaram os rios, sopraram os ventos e deram com ímpeto contra aquela casa, que não caiu, porque fora edificada sobre a rocha. E todo aquele que ouve estas minhas palavras e não as pratica será comparado a um homem insensato que edificou a sua casa sobre a areia; e caiu a chuva, transbordaram os rios, sopraram os ventos e deram com ímpeto contra aquela casa, e ela desabou, sendo grande a sua ruína” (Mt. 7:24-27).

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Templos ou Igrejas?

Já faz muito tempo que não publico no Blog nenhum texto meu. Espero voltar a escrever em breve.

Hoje quero aproveitar este espaço para publicar um texto de autoria de Ed René Kivitz. Vale a pena ler.

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A respeito de coisas que eu não posso deixar de saber.

Você sabia que foi apenas no ano 190 d.C. que a palavra grega ekklesia, que traduzimos como igreja, foi pela primeira vez utilizada para se referir a um lugar de reuniões dos cristãos? Sabia também que esse lugar de reuniões era uma casa, e não um templo, já que os templos cristãos surgiram apenas no século IV, após a conversão de Constantino?

Você sabia que os cristãos não chamavam seus lugares de reuniões de templos até pelo menos o século V? Você sabia que o primeiro templo cristão começou a ser construído por Constantino, sob influência de sua mãe Helena, em 327 d.C., às custas de recursos públicos, e sua arquitetura seguia o modelo das basílicas, as sedes governamentais da Grécia e, posteriormente, de Roma, e dos templos pagãos da Síria?

Você sabia que as basílicas cristãs foram construídas com uma plataforma elevada acima do nível da congregação e que no centro da plataforma figurava o altar, e à sua frente a cadeira do Bispo, que era chamada de cátedra? Você sabia que o termo ex cathedra significa “desde o trono”, numa alusão ao trono do juiz romano, e, por conseguinte, era o lugar mais privilegiado e honroso do templo?

Você sabia que o Bispo pregava sentado, ex cathedra, numa posição em que o sol resplandecia em sua face enquanto ele falava à congregação, pois Constantino, mesmo após a sua conversão ao Cristianismo, jamais deixou de ser um adorador do deus sol? Você sabia que o atual modelo hierárquico do Cristianismo, que distingue clero e laicato, teve origem e ou foi profundamente afetado pela arquitetura original dos templos do período Constantino?

Você sabia que Jesus não fundou o Cristianismo, e que o que chamamos hoje de Cristianismo é uma construção religiosa humana, feita pelos seguidores de Jesus ao longo de mais de dois mil anos de história? Você sabia que o que chamamos hoje de Cristianismo está profundamente afetado por pelo menos três grandes eras: a era de Constantino, a era da Reforma Protestante e a era dos Avivamentos na Inglaterra e nos Estados Unidos? Você sabia que é praticamente impossível saber a distância que existe entre o que Jesus tinha em mente quando declarou que edificaria a sua ekklesia e o que temos hoje como Cristianismo Católico Romano, Protestante, Ortodoxo, Pentecostal, Neopentecostal e Pseudopentecostal?

Você sabia que os primeiros cristãos se preocuparam em relatar as intenções originais de Jesus com vistas a estender seu movimento até os confins da terra? Você sabia que este relato está registrado no Novo Testamento, mais precisamente nos Evangelhos e no livro de Atos dos Apóstolos? Você sabia que o terceiro evangelho, Evangelho Segundo Lucas, e o livro dos Atos deveriam formar no princípio uma só obra, que hoje chamaríamos de “História das origens cristãs”? Você sabia que os livros foram separados quando os cristãos desejaram possuir os quatro evangelhos num mesmo códice, e que isso aconteceu por volta de 150 d.C.? Você sabia que o título “Atos dos Apóstolos” surgiu nessa época, segundo costume da literatura helenística, que já possuía entre outros os “Atos de Anibal” e os “Atos de Alexandre”?

Nesse emaranhado de coisas que eu não sabia, três coisas eu sei. A primeira é que a crítica que o mundo secular faz ao Cristianismo institucional tem sérios fundamentos, ou como disse Tony Campolo: “Os inimigos estão parcialmente certos”. A segunda coisa que sei é que nesta Babel que vem se tornando o movimento evangélico brasileiro, está cada vez mais difícil identificar a essência do Evangelho de Jesus Cristo, nosso Senhor. A terceira coisa que sei é que vale a pena perguntar aos primeiros cristãos o que eles entenderam a respeito de Jesus, sua mensagem, sua proposta de vida e suas intenções originais. Vale a pena voltar à Bíblia. Não há outra fonte segura de informação e formação espiritual, senão a Bíblia Sagrada, especialmente o Novo Testamento.

2 comments Fevereiro 11, 2009

Viagem à Santa Catarina

Entre os dias 10, 11 e 12 de Dezembro estive em Santa Catarina, com Sandro Lourenço, Ideraldo e Felipe Fleixeira.

Abaixo transcrevo uma matéria sobre essa viagem publicada no site da Aliança Missionária de Discípulos e também um texto escrito por Sandro Lourenço.


Santa Catarina em suas mãos!

familia-santoscuritiba-2 A tragédia que assolou Santa Catarina arrasou encostas, transbordou rios e deixou um saldo, segundo a Defesa Civil, de quase 80 mil desabrigados, mais de 100 mortes, 26 desaparecimentos e afetou a vida de 1,5 milhão de brasileiros. Mais de 33 mil pessoas ainda não conseguiram voltar para suas casas em todo o estado.

Entre as cidades mais atingidas pelas chuvas estão Blumenau e Benedito Novo. E foram nestes lugares que Sandro Lourenço, Ideraldo Assis, Anderson Paz e Filipe Flexeira passaram dois dias especiais. “Entendemos que deveríamos servir estas pessoas com mantimentos naturais e espirituais”, conta Sandro.

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A idéia surgiu quando as notícias da tragédia em Santa Catarina começaram a ser veiculadas nos meios de comunicação. Com isso, vários irmãos sentiram-se encorajados a agir e então procuravam Sandro. “Além de interceder pelos Catarinenses,  começamos a orar para que o Senhor nos desse uma direção clara de como entrar no estado e ajudar um grupo específico de pessoas”, explica. Enquanto oravam sobre um caminho, receberam um e-mail da AMD incentivando a igreja a interceder pelo estado, com um e-mail anexo de um irmão chamado Hamilton, de Rondônia. Ele pedia oração não apenas por Santa Catarina, mas especificamente por seus pais em Blumenau. “Quando vimos isto, entendemos que era a porta que Deus estava abrindo para nós. Entramos em contato com ele e obtivemos maiores informações. A partir daí, ficou totalmente configurada nossa viagem, pois Hamilton contatou Vanderlei, em Blumenau, e Valdo, em Benedito Novo, que ficaram a nossa espera”, lembra Sandro. Ele explica que o objetivo maior desta primeira viagem foi cooperar com as pessoas que Deus direcionasse e estabelecer contatos para uma nova investida no dia de Natal. “É o momento para impactá-los, demonstrando na prática o amor de Jesus, utilizando esta data que a sociedade tanto valoriza”.

Sandro lembra de histórias impressionantes que ouviu de pessoas que perderam tudo ou quase tudo na tragédia. “Encontramos pessoas abaladas emocionalmente e espiritualmente. Vimos nisto uma oportunidade para anunciar o Reino de Deus e nos sentimos responsáveis por isto”. O carinho com que foram recepcionados também impactou os “visitantes”. “Saí de lá com a certeza de que havíamos sido recebidos não apenas na casa, mas também no coração desses irmãos”, revela Anderson Paz. Para Ideraldo Assis, “as fotos não podem retratar os olhares e as palavras de quem literalmente ‘escancarou’ os corações para nós”, lembra. Filipe Flexeira conta que a experiência reavivou nele a ordem de amar ao próximo. “Deixou patente a necessidade que tenho de doar mais, crescer mais, entregar um pouco mais para a glória do Senhor”.

Muitas portas foram abertas para futuras viagens que já estão sendo planejadas pela igreja. Sandro explica que estabeleceram relacionamento com irmãos que estão sem congregar e que eles se colocaram a disposição para ajudar nesta empreitada. As famílias que visitaram também são uma das portas. Além disso, fizeram contato com uma Assistente Social que vai apontar 54 famílias diretamente ligadas a seu trabalho para que a igreja possa cooperar. “Através destas portas levaremos o Reino de Deus”, revela.

Sandro afirma que a igreja é a única esperança da terra e diz que esta é uma honra, mas também uma responsabilidade, pois Jesus vive em nós e através de nós (Cl 01:27). Por este motivo, ele diz que sua expectativa é que a igreja se mobilize para ofertar financeiramente e com donativos como de higiene pessoal, fraldas, absorventes, alimentos não perecíveis, enlatados em geral, biscoitos, leite, água. Sem esquecer, é claro, da oração e intercessão de todos. Aqueles que se sentirem chamados para ofertar também o seu tempo e serviço em Blumenau, a maneira mais correta é procurar os missionários Dinho ou Paz até o dia 17 de dezembro e dar o seu nome. A liderança está planejando a data certa para ida e volta, mas já tem algumas confirmações. “Estaremos lá entre os dias 24, 25 e 26 de dezembro. Depois de colhermos todas as ofertas esperadas e sabermos quantos voluntários teremos, fecharemos nossa programação”. Ainda segundo Sandro, a idéia é juntar o maior número de pessoas em um local ou nos distribuirmos em localidades com certo ajuntamento de pessoas na noite do dia 24, a fim de ensinar às pessoas o verdadeiro impacto da encarnação do Verbo, Jesus Cristo, o Senhor. “Depois disso iremos confirmando nosso trabalho”, revela e conclui: “Todos podem e devem ser participantes desta missão, todos têm a oportunidade de ajudar”.

“Nisto conhecerão todos que sois meus discípulos: se tiverdes amor uns aos outros” (Jo 13:35). “Filhinhos, não amemos de palavra, nem de língua, mas de fato e de verdade” (1 Jo 03:18).

Santa Catarina, por Sandro Lourenço

Chegamos em Blumenau na quarta-feira à noite e fomos amorosamente recebidos e hospedados por um casal de irmãos, Vanderlei e Terezinha, com seus filhos Nathan e Agatha.

Na quinta-feira, saímos pela manhã e atendemos a colega de trabalho do Vanderlei. À tarde, visitamos as famílias que eram ligadas ao Alexandre, amigo de Luiz Cláudio. Assistimos três famílias neste lugar e três pessoas confessaram Jesus. À noite, tivemos um jantar muito especial na casa de Vanderlei e Terezinha, com a presença da família de irmãos Davi, Elisângela e seus filhos Jonatas e Sara. O Espírito Santo ministrou muitas coisas nesta noite. Davi e Elizângela abriram suas casas para nos recepcionar na próxima viagem. Estas duas famílias estão empenhadas em cooperar conosco no que estiver a seu alcance.

Na sexta-feira, procuramos os pais do Hamilton, mas não os encontramos em casa. Eles estavam em Itajaí. Depois atendemos a filha da madrasta do Vanderlei, que é cristã. Em seguida, encontramos a Silvana, Assistente Social que nos forneceu contato com 54 famílias que ela trabalha. À tarde, depois de termos mais um tempo de bate-papo e de nos despedirmos dos irmãos que amorosamente nos hospedaram, Vanderlei, Terezinha e seus filhos, partimos para Benedito Novo, onde fomos recepcionados pelo casal Valdo e Eliane e seus filhos Milena e Timóteo. Lá, tomamos um café especial com esta bela família, fortalecemos nossa comunhão e nos comprometemos a estar juntos de novo. De lá, partimos de volta para Curitiba.

Sandro Lourenço

Add comment Dezembro 16, 2008

Não sabemos o que é Igreja

Extraído da revista Ultimato, março-abril/2002

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“Igreja não é templo, não é sinagoga, não é mesquita. Não é o santuário onde os fiéis se reúnem para cultuar a Deus. Igreja é gente, e não lugar. É a assembléia de pecadores perdoados; de incrédulos que se tornam crentes; de pessoas espiritualmente mortas que são espiritualmente ressuscitadas; de apáticos que passam a ter sede do Deus vivo; de soberbos que se fazem humildes; de desgarrados que voltam ao aprisco.

Igreja é mistura de raças diferentes, distâncias diferentes, línguas diferentes, cores diferentes, nacionalidades diferentes, culturas diferentes, níveis diferentes, temperamentos diferentes. A única coisa não diferente na Igreja é a fé em Jesus Cristo.

A Igreja não é igreja ocidental nem igreja oriental. Não é Igreja Católica Romana nem igreja protestante. Não é igreja tradicional nem igreja pentecostal. Não é igreja liberal nem igreja conservadora. Não é igreja fundamentalista nem igreja evangelical. A Igreja não é Igreja Adventista, Igreja Anglicana, Igreja Assembléia de Deus, Igreja Batista, Igreja Congregacional, Igreja Deus é Amor, Igreja Episcopal, Igreja Holiness, Igreja Luterana, Igreja Maranata, Igreja Menonita, Igreja Metodista, Igreja Morávia, Igreja Nazarena, Igreja Presbiteriana, Igreja Quadrangular, Igreja Reformada, Igreja Renascer em Cristo nem igrejas sem nome.

A Igreja é católica (universal), mas não é romana. É universal (católica) mas não é a Universal do Reino de Deus. É de Jesus Cristo, mas não dos Santos dos Últimos Dias. Porque é universal, não é igreja armênia, igreja búlgara, igreja copta, igreja etíope, igreja grega, igreja russa nem igreja sérvia. Porque é de Jesus Cristo, não é de Simão Pedro, não é de Miguel Cerulário, não é de Martinho Lutero, não é de Simão Kimbangu, não é de Sun Myung Moon, não é de João Paulo II.

Em todo o mundo e em toda a história, a única pessoa que pode chamar de minha a Igreja é o Senhor Jesus Cristo. Ele declarou a Cefas: “Tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha igreja” (Mt 16.18).

Não há nada mais inescrutável e fantástico do que a Igreja de Jesus Cristo. Ela é o mais antigo, o mais universal, o mais antidiscriminatório, o mais inexpugnável e o mais misterioso de todos os agrupamentos. Dela fazem parte os que ainda vivem (igreja militante) e os que já se foram (igreja triunfante). Seus membros estão entrelaçados, mesmo que, por enquanto, não se conheçam plenamente. Todos igualmente são “concidadãos dos santos” (Ef 2.19), “co-herdeiros com Cristo” (Ef 3.6; Rm 8.17) e “co-participantes das promessas” (Ef 3.6). Eles são nada menos e nada mais do que a Família de Deus (Ef 2.19; 3.15). Ali, ninguém é corpo estranho, ninguém é estrangeiro, ninguém é de fora. É por isso que, na consumação do século, “eles serão povos de Deus e Deus mesmo estará com eles” (Ap 21.3).

A Igreja de Jesus, também chamada Igreja de Deus (1 Co 1.2; 10.22; 11.22; 15.9; 1 Tm 3.5 e 15), Rebanho de Deus (1 Pe 5.2), Corpo de Cristo (1 Co 12.27) e Noiva de Cristo (Ap 21.2), tem como Esposo (Ap 21.9), Cabeça ( Cl 1.18 ) e Pastor (Hb 13.20) o próprio Jesus.

A tradicional diferença entre igreja visível e igreja invisível não significa a existência de duas igrejas. A Igreja é uma só (Ef 4.4). A igreja invisível é aquela que reúne o número total de redimidos, incluindo os mortos, os vivos e os que ainda hão de nascer e se converter. Eventualmente pode incluir pecadores arrependidos que nunca freqüentaram um templo cristão nem foram batizados. Somente Deus sabe quantos e quais são: “O Senhor conhece os que lhe pertencem” (2 Tm 2.19). A igreja visível é aquela que reúne não só os redimidos, mas também os não redimidos, muito embora passem pelo batismo cristão, se declarem cristãos e possam galgar posições de liderança. É a igreja composta de trigo e joio, de verdadeiros crentes e de pseudocrentes. Dentro da igreja visível está a igreja invisível, mas dentro da igreja invisível nunca está toda a igreja visível. A Igreja de Jesus é uma só, porém é conhecida imperfeitamente na terra e perfeitamente no céu”.

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Recomendo a leitura dos artigos da série Igreja nos Lares

Add comment Maio 2, 2008

Concordando em Quase Tudo – Unidos em Quase Nada

Fonte: Revista Impacto – Ano 09, edição 51 -
REPRODUZIDO COM AUTORIZAÇÃO

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Compilado por Christopher Walker

“Se houve um encontro entre líderes da Reforma Protestante que encarnou, mais do que qualquer outro, a heresia que deixaria sua marca indelével nos séculos de divisão que viriam a seguir, esse encontro foi o famoso concílio Protestante que ocorreu em 1º de outubro de 1529, na cidade de Marburg, na Alemanha.

Organizada pelo príncipe Philip de Hesse, que queria formar uma frente política unida entre os protestantes contra as forças católicas no restante da Europa, a conferência contou com a presença da maioria dos reformadores alemães e suíços: Martinho Lutero e Philip Melanchthon, do lado luterano, e Ulrich Zwínglio, Martin Bucer e Johannes Oecolampadius, do lado reformado suíço.

Muitos Pontos em Comum

Os dois principais representantes do movimento de reforma, Lutero e Zwínglio, tinham muita coisa em comum. Ambos rejeitavam a autoridade do Papa e se apegavam à autoridade única das Escrituras; concordavam com a doutrina de justificação somente pela fé; rejeitavam a cerimônia e a doutrina da transubstanciação que era praticada na missa católica.

Lutero aceitara o convite com certa relutância, pois via na teologia de Zwínglio a antiga heresia dos nestorianos, que fazia uma separação entre a divindade e a humanidade de Cristo. Ele acreditava que havia uma relação direta entre o entendimento que se tinha da Ceia do Senhor e o entendimento de salvação e da atividade de Deus no mundo. Já, pelo outro lado, Zwínglio não via impedimentos em estabelecer comunhão com Lutero. Na conferência, ele orou: “Enche-nos, ó Senhor e Pai de todos nós, te suplicamos, com teu manso Espírito; e dissipa em ambos os lados as nuvens de desentendimento e paixão. Põe um fim à luta de fúria cega… Guarda-nos de abusarmos dos nossos poderes e capacita-nos a empregá-los com toda sinceridade para promover a santidade…”

Durante três dias a conferência prosseguiu, discutindo uma lista de quinze itens que Lutero havia formulado. Conseguiram progresso impressionante nos primeiros quatorze itens da lista. Houve acordo sobre a Trindade, sobre a pessoa, a morte e a ressurreição de Cristo, sobre a justificação pela fé, sobre o pecado original, sobre o Espírito Santo, sobre batismo, sobre confissão de pecados, sobre autoridades civis e sobre o erro do celibato entre o clero.

Mesmo sobre a questão da ceia do Senhor, havia vários pontos em comum. Dos seis subitens no décimo quinto ponto, houve acordo em cinco! Concordaram que a doutrina da transubstanciação estava errada, mas que os participantes deveriam receber tanto o pão como o vinho para participar pelo Espírito do corpo e do sangue de Cristo…

Mas quando chegaram à questão da presença real de Cristo no sacramento, as discussões atolaram.

Dividindo-se Sobre a Doutrina do Corpo de Cristo

Zwínglio tinha uma interpretação simbólica, enquanto Lutero citava enfaticamente as palavras do texto: Hoc est corpus meum (“Isto é o meu corpo”). Ele escreveu essas palavras com um pedaço de giz em cima da mesa, onde estavam conversando, e se recusava a aceitar qualquer desvio do significado literal delas.

O argumento de Zwínglio era de que o corpo de Cristo havia subido ao céu (At 1.9) e, portanto, não poderia estar nos elementos da Eucaristia. Cristo estava presente somente no sentido da sua natureza divina, espiritualmente nos corações dos participantes.

Já para Lutero, as palavras deveriam ser aceitas literalmente. O corpo e o sangue de Jesus eram realmente presentes “em, com e sob o pão e o vinho”, sem contudo transformar sua substância, como na transubstanciação. O texto que Zwínglio e Oecolampadius usavam para responder a Lutero era: “O Espírito é que vivifica; a carne para nada aproveita” (Jo 6.63). O argumento, porém, não causou efeito algum sobre Lutero.

Para a maioria das pessoas hoje, essa discussão pode parecer muito trivial; porém, para os reformadores era uma questão de enorme significado. Para eles, o que mais importava para manter a pureza e a fidelidade da reforma na igreja era a doutrina, principalmente naquilo que se relacionava com a justificação por fé em Cristo somente. A discussão da presença de Cristo na Eucaristia era ligada às duas naturezas de Jesus, a humana e a divina. Lutero enfatizava mais a união entre as duas naturezas, enquanto Zwínglio procurava mostrar a distinção entre elas.

Houve momentos no debate em que o tom era ríspido e cáustico. Em outros, cada lado procurava pedir perdão pelo uso indevido de palavras e pela falha em demonstrar o verdadeiro espírito cristão.

A questão, porém, não era tanto o direito que cada lado tinha de discordar, mas a atitude de separação que isso gerou no Corpo de Cristo. Lutero insistia que nenhuma aliança política era possível sem completa concordância doutrinária. Para ele, seus oponentes, como Erasmo, estavam permitindo que a razão humana alterasse as palavras claras das Escrituras. Estavam exigindo que os cristãos levassem algo de si próprios para alcançar a salvação. Por essa razão, Lutero dizia que não via nenhuma razão para ser mais caridoso com os “falsos irmãos” do que era com os seus inimigos de Roma.

“Um lado nesta controvérsia pertence ao diabo e é inimigo de Deus”, Lutero dizia – e ele não estava referindo-se a si próprio!

Fracasso e Divisão

No final da conferência, apesar de todos os pontos em que conseguiram concordar, Lutero se recusou a dar a destra de comunhão a Zwínglio e disse a Martin Bucer, de Estrasburgo: “É evidente que não temos o mesmo espírito!” A partir daí, ele também não demonstrou esforço algum para trazer união ou para tratar seus adversários com amor cristão.

Seja por causa de ambição pessoal, seja por causa do engano de se considerarem os guardiães da verdade e da doutrina pura, os líderes desta primeira cúpula protestante deixaram um modelo que tem-se repetido incontáveis vezes através da história, causando incalculável dano e divisão ao Corpo de Cristo”.

Add comment Abril 23, 2008

Testemunho do irmão Manel

Em um momento de descontração, Mario Fagundes (www.fazendodiscipulos.com.br) conta o testemunho do irmão Manel….

Add comment Abril 18, 2008

O naturalista e o missionário: Charles Darwin e Robert Kalley

Artigo extraído da revista Ultimato, nº 261, nov-dez/1999

Ao final do artigo há duas notas com pequenas observações.

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“Em 1809 nasceram duas crianças especiais no Reino Unido; uma em Shrewsbury, na Inglaterra, e outra em Mount Florida, na Escócia. A primeira chamava-se Charles e a segunda, Robert. Este era 7 meses mais novo que aquele. Charles era filho de uma família muito culta e Robert, de uma família muito rica.

Os dois rapazes talvez nunca tenham se encontrado. Ambos, porém, foram estudar medicina na Escócia no mesmo ano, em 1825, obviamente com a mesma idade (16 anos), Charles na Universidade de Edimburgo e Robert na Universidade de Glasgow. Logo depois de formados, ambos fizeram longas viagens em navio a vela no exercício de suas profissões, Charles, como naturalista, e Robert, como médico de bordo. O primeiro embarcou no Beagle pouco antes de completar 23 anos e deu uma volta ao mundo: atravessou o Atlântico, contornou os dois lados da América do Sul, atravessou o Pacífico, passou pela Oceania, atravessou o Índico, contornou o Sul da África, atravessou outra vez o Atlântico e retornou à Inglaterra. A viagem durou quase 5 anos (dezembro de 1831 a outubro de 1836). Robert embarcou no Upton Castle com 20 anos incompletos e foi até Bombaim, na Índia. Os dois ficaram impressionados com algumas cenas chocantes que viram durante a viagem. Charles ficou chocado com a situação social dos nativos da Austrália e Nova Zelândia, transformados em escravos pelos próprios colonizadores europeus. E Robert, com as aberrações sociais da Índia. Tanto um como o outro se casaram em 1838, com 29 anos; Charles, com Emma, e Robert, com Margareth.

Não obstante tanta coincidência, os dois britânicos eram religiosamente diferentes. Depois de abandonar o curso de medicina (tinha pavor das cirurgias), Charles matriculou-se na Universidade de Cambridge para estudar a Bíblia e tornar-se clérigo (1828). Não tinha, então, a menor dúvida quanto à verdade absoluta e literal de cada verso das Escrituras Sagradas. Já Robert foi se desfazendo da bagagem religiosa recebida no lar (a família desejava muito que ele estudasse teologia e se fizesse pastor) até se tornar ateu. Passou a ter aversão e repugnância às leis do Criador, o que o deixava mais em liberdade para satisfazer todos os desejos que lhe viessem ao coração, sem temer as conseqüências e penalidades.

Aconteceu, porém, que os dois moços experimentaram mudanças religiosas na década de 1830, quando tinham vinte e poucos anos. Charles desistiu da carreira eclesiástica, formou-se em artes e tornou-se agnóstico. Robert renunciou a sua incredulidade e passou a ter profundo respeito por Deus. O que levou Charles a abandonar a fé foram as suas pesquisas científicas. O que levou Robert a abraçar a fé foi o testemunho de uma paciente muito enferma e muito pobre que enfrentava com incrível serenidade o sofrimento e a morte (1835).

A partir dessas diferentes experiências revolucionárias, Charles e Robert tornaram-se notáveis, cada um em sua área. O primeiro tornou-se cientista. O segundo tornou-se médico-missionário. O trabalho de Charles levou muita gente a desacreditar da autoridade das Sagradas Escrituras. O trabalho de Robert levou muita gente a gostar de ler a Bíblia e de praticar suas normas de fé e conduta.

Quando Robert se converteu, Charles estava ainda a bordo do Beagle. Quando Charles publicou, em 1839, o seu primeiro livro — Relatório de pesquisas em história natural e geologia dos países visitados durante a viagem ao redor do mundo no Beagle — Robert foi ordenado pastor presbiteriano [1] em Londres. Ambos estavam, então, com 30 anos.

Depois de sua longa viagem, Charles se dedicou à pesquisa e aos livros, quase todo o tempo em Down, no condado de Kent. Teve cinco filhos. Depois de sua conversão, Robert estudou teologia e se tornou missionário-médico na Ilha da Madeira (1838-46) e no Brasil (1855-76). Casado duas vezes, nunca teve filhos.

Charles morreu em abril de 1882 com a idade de 73 anos. Robert morreu 6 anos depois, em janeiro de 1888, com 79. O primeiro está sepultado na Abadia de Westminster, em Londres, e o segundo, no modesto Dean Cemitery, em Edimburgo.

O nome completo do naturalista é Charles Darwin. O nome completo do missionário-médico é Robert Reid Kalley. O primeiro é mais conhecido por sua teoria da evolução, que causou uma revolução na ciência biológica, mediante a publicação de seu mais importante livro Sobre a origem das espécies por meio da seleção natural, há 140 anos. O segundo é mais conhecido por ser o primeiro missionário protestante a se radicar no Brasil, dando origem a duas denominações brasileiras: Igreja Evangélica Congregacional do Brasil [2] e Igreja Cristã Evangélica do Brasil.

Segundo o testemunho do Duque de Argyle, Charles Darwin nunca se livrou de certos conflitos íntimos, mesmo com a leitura da Bíblia e as orações da esposa, que era cristã”.

[1] Kalley, apesar de ser membro da Igreja da Escócia (Presbiteriana), não foi ordenado pastor presbiteriano. Ele foi ordenado por um grupo de pastores de diferentes denominações em Londres a fim de poder exercer plenamente o ministério que já vinha realizando na ilha da Madeira (Portugal). Sua ordenação por parte desses pastores o deixaram sem vínculos denominacionais.
[2] O nome correto da denominação é União das Igrejas Evangélicas Congregacionais do Brasil

2 comments Abril 15, 2008

Precisamos de pais espirituais

É comum ouvir no meio da Igreja a frase: “Não olhe para o homem, olhe para Jesus”. Essa frase tem como objetivo alertar para o fato de que se colocarmos nossas expectativas e esperanças em homens, podemos nos decepcionar e nos frustrar, pois todos os homens são pecadores e, portanto, sujeito a erros. Nossos olhos precisam estar em Jesus.

Tudo isso é verdade. Precisamos olhar firmemente para Jesus, o Autor e Consumador da nossa fé. Mas, isso não elimina uma outra verdade: como cristãos, precisamos de modelos de fé, caráter, conduta e espiritualidade. Se não fosse assim, Paulo não teria escrito aos Coríntios: “Sede meus imitadores, como também eu o sou de Cristo” (I Co. 11:1). Também não teria dito aos Filipenses:“Irmãos, sede meus imitadores, e atentai para aqueles que andam conforme o exemplo que tendes em nós” (Fp. 3:17) e “O que também aprendestes, e recebestes, e ouvistes, e vistes em mim, isso praticai; e o Deus de paz será convosco” (Fp. 4:9). Ele também não teria dito a Timóteo “… Sê um exemplo para os fiéis na palavra, no procedimento, no amor, na fé, na pureza” (I Tm. 4:12).

Paulo sabia muito bem que em nossa caminhada cristã precisamos de pessoas que sejam exemplos, modelos. Que sejam verdadeiros pais espirituais. Precisamos de gente que assuma essa responsabilidade. Que se gastem e se deixem gastar em favor dos discípulos de Jesus (II Co. 12:14,15).

Quero compartilhar com vocês esta pequena reflexão feita pelo Franco sobre a importância de pais espirituais na vida da Igreja. Recomendo também a leitura do artigo “A Igreja precisa de modelo”

Add comment Abril 14, 2008

Próximos artigos da série “Igreja nos Lares”

Essa é para todos os leitores que estão esperando os próximos artigos da série. Eles estão sendo escritos e em breve serão publicados. Enquanto isso, continue visitando o blog, assista os vídeos e leia os artigos que estou postando, deixe seus comentários, envie e-mails e indique para outras pessoas. Estarei postando aqui tudo o que eu achar de interessante e edificante.

Um abraço!

Paz seja com vocês!

Add comment Abril 13, 2008

A Igreja precisa de modelo

Extraído da Revista Ultimato – nov/dez 2007

“Paulo explica que deixou de fazer coisas erradas e abriu mão de certos direitos pessoais “para que nos tornássemos um modelo para ser imitado por vocês” (2Ts 3.9).

Jesus, por sua vez, levantou-se da mesa, tirou sua capa, colocou uma toalha em volta da cintura, derramou água numa bacia, abaixou-se, lavou os pés dos seus discípulos e depois os enxugou. Então esclareceu: “Eu lhes dei o exemplo para que vocês façam como lhes fiz” (Jo 13.15).

O exemplo pode vir de baixo para cima, mas ele é mais necessário quando vem de cima para baixo. O mau exemplo é sempre muito mais escandaloso quando vem de cima para baixo. Sem bons exemplos, a igreja perde o rumo. Uma vez ordenado epíscopo (bispo ou presbítero), o ministro de Deus, além das qualidades básicas (vida irrepreensível, moderação, sensatez, amabilidade, desprendimento, desapego ao dinheiro etc), deve ter boa reputação, boa fama, boa consideração, bom testemunho entre os de fora de sua comunidade, para não cair em descrédito, para não ficar desmoralizado (1Tm 3.7).

Não se pode abrir mão do bom exemplo nem das autoridades nem dos subordinados. O bom exemplo vale mais do que a pregação e o ensino. É mais fácil tornarmo-nos corretos pelo exemplo do que pela palavra. O exemplo convence muito mais do que o discurso. O exemplo torna coerente o discurso e o fortalece.

O maior legado que alguém pode oferecer é o exemplo. Depois da salvação, o legado maior de Jesus foi o seu exemplo. Pedro menciona esse fato: “O próprio Cristo sofreu por vocês e deixou o exemplo, para que sigam os seus passos” (1Pe 2.21, NTLH). Nós éramos ovelhas que havíamos perdido o caminho, mas fomos trazidos de volta para seguir o exemplo do supremo pastor: “Ele não cometeu nenhum pecado, e nunca disse uma só mentira. Quando foi insultado, não respondeu com insultos; quando sofreu, não ameaçou, mas pôs a sua esperança em Deus, o justo Juiz” (1Pe 2.22-23, NTLH). O exemplo de Jesus está disponível: “Seja a atitude de vocês a mesma de Cristo Jesus” (Fp 2.5).

Quando o rebanho não tem um modelo para seguir ou quando o padrão de comportamento dos pastores não é bom, pode-se esperar uma decadência em cadeia, que se alastra por toda a igreja. Pois os novos pastores vão se ordenando e os novos crentes vão nascendo sem aquele exemplo original, dado por Jesus Cristo, para ser seguido.

Como pai na fé e tutor eclesiástico de Timóteo, Paulo exorta o jovem pastor a ser “um exemplo para os fiéis na palavra, no procedimento, no amor, na fé e na pureza” (1Tm 4.12). A maturidade espiritual manifestada pela força do exemplo compensaria o fato de Timóteo ser ainda muito jovem”.

Add comment Abril 12, 2008

Acabaram os bereanos?

A leitura e o exame das Escrituras não podem se reduzir a um mero exercício intelectual. É necessário contar com a presença e revelação daquele que inspirou as Escrituras: O Espírito Santo

O texto abaixo foi extraído da revista Ultimato, Jan-Fev/2003.

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“No sopé dos Montes Olímpios, na República da Macedônia, parte integrante da Iugoslávia até bem pouco tempo, existe uma pequena cidade chamada Verria. Há uma única referência a essa cidade na Bíblia, mas com outro nome: é a antiga Beréia, distante 80 quilômetros a sudoeste de Tessalônica (hoje Salônica).

Na metade do primeiro século, o apóstolo Paulo, em sua segunda viagem missionária, e Silas anunciaram o evangelho tanto em Tessalônica, na época com 200 mil habitantes, como em Beréia. Em ambas as cidades, o trabalho foi coroado de muito êxito. Em Beréia, “mulheres gregas de alta posição e não poucos homens” creram na pregação da salvação pela graça de Deus mediante a fé (At 17.12). Mas o primeiro historiador da expansão do cristianismo fez questão de registrar que os bereanos eram “mais nobres” que os tessalonicenses. Além de ouvir a mensagem com muito interesse, os novos crentes daquela cidade “cada dia examinavam as Escrituras para ver se tudo era assim mesmo” (At 17.11, EP). Isso significa que as mulheres da alta sociedade e um punhado de homens da atual Verria, com todo respeito a Paulo, faziam um exame crítico de tudo que o apóstolo ensinava, tendo como fonte primária e de absoluta confiança a parte da Bíblia então escrita (o Antigo Testamento). A resposta que os novos convertidos davam à pregação missionária não era meramente emocional. Passava tanto pelo coração como pelo intelecto. Desde então, nesses 20 séculos de história, os bereanos são lembrados como exemplos para aqueles que desejam ter uma fé sólida e mais próxima possível da Revelação.

Cabe aqui a inquietante pergunta: essa raça de bereanos ainda é necessária? Em nenhum outro tempo, os meios de comunicação foram tão variados e disponíveis como agora, e nunca a liberdade de falar e escrever o que se quer foi tão grande. Antes, tínhamos apenas as Escrituras e outros livros. Depois, jornais e revistas. Depois, o rádio e a televisão. Depois, o fax. Agora, temos a internet. Por meio desses recursos, o crente recebe número sem conta de mensagens todos os dias, de procedência e linha doutrinária diferentes. A maior parte das pessoas engole tudo sem o menor cuidado. Daí a confusão reinante e o crescimento assustador não só de novas denominações cristãs, mas também de seitas e heresias.

Não se pode mudar de idéia nem de convicção só porque alguém ensina algo novo. Cada dia é preciso examinar as Escrituras para ver se tudo o que esse alguém transmite é de fato assim. Se essa pessoa se sente ofendida porque procedemos desse modo é péssimo sinal.

Nem sempre aquele que distorce as Escrituras age de má-fé. Às vezes, trata-se apenas de um equívoco de exegese, a que todos estamos sujeitos — não só o expositor leigo, mas também os doutores em Bíblia. Todavia, tanto a história de Israel como a história da igreja registram a presença e a pregação de falsos profetas que se infiltram no meio do povo e no meio dos crentes. Em ambos os casos, a preocupação dos bereanos é muito bem-vinda.

Não se trata de uma vigilância mesquinha e ruidosa, que sempre descamba para uma insuportável arrogância teológica, capaz de exagerar, mentir, denunciar, perseguir e dividir a igreja. Foi esse procedimento que deu origem à Inquisição, de triste memória.

Discreta e humildemente, o verdadeiro bereano trabalha com a sua consciência, busca fundamento bíblico para aquilo que ouve e lê. Quando alguma coisa o incomoda, não se cala nem se omite. Porém, ao levantar a voz não tímida, ele coloca sob cuidadosa vigilância o seu zelo pela Palavra de Deus.

Os tessalonicenses de ontem e de hoje são mais rápidos e menos profundos. Portanto, dão menos trabalho. Já os bereanos de ontem e de hoje são menos apressados e mais profundos. E correm menos riscos que seus vizinhos de Salônica, pois obedecem à instrução do Apóstolo do Amor: “Amados, não creiam em qualquer espírito, mas examinem os espíritos para ver se eles procedem de Deus, porque muitos falsos profetas têm saído pelo mundo” (1 Jo 4.1, NVI)”.

Add comment Abril 11, 2008

Recomendações de Charles Finney

O famoso pregador Charles Finney ensinava seus alunos sobre técnicas de pregação para que ninguém pudesse ser salvo. Se você não quer ver pessoas salvas, use as dicas abaixo:

1. Que sua motivação para pregar seja a sua popularidade e não a salvação das pessoas.

2. Procure agradar a sua congregação, mantendo diante dela uma boa reputação em vez de agradar a Deus.

3. Pregue sobre coisas que o povo gosta, sobre temas sensacionais que atraiam as pessoas, e evite pregar a essência da doutrina da salvação.

4. Seja discreto na hora de denunciar o pecado, e nem mencione os pecados que assolam sua congregação.

5. Pregue apenas sobre o amor e as virtudes da glória celestial, e não mencione sobre os perigos do pecado.

6. Reprove os pecados dos que não estão no culto, e faça com os que estão nos cultos sintam-se bem consigo mesmos, para que seu sermão lhes agrade e não deixem o culto com seus sentimentos machucados.

7. Dê a entender aos crentes mundanos, membros da igreja de que Deus é bom demais para mandá-los pro inferno, se é que este existe.

8. Pregue sobre a fraternidade universal de Deus e a fraternidade dos homens e não fale a respeito da necessidade de um novo nascimento.

Extraído do www.pastorjoao.com.br .

Add comment Abril 10, 2008

Ariovaldo Ramos – Quem é Jesus?

Este é um vídeo que encontrei recentemente no YouTube com uma mensagem do Ariovaldo Ramos sobre dois tipos de igreja que foram formadas: a Igreja da multidão, que só se interessa pelo que Jesus pode lhes oferecer, e a Igreja dos discípulos de Jesus, que se preocupam em realmente imitá-Lo. E o que é necessário para que exista a Igreja dos discípulos? Apenas dois ou três reunidos em torno da pessoa de Jesus.

Depois de assistir esse vídeo, recomendo a leitura dos artigos da série “Igreja nos Lares”

Add comment Abril 9, 2008

Livros – Atualizações

A página Livros foi atualizada hoje. Acescentei mais um livro à lista “Li, gostei e recomendo” e criei a lista “Estou lendo atualmente”. Veja as últimas atualizações.

Add comment Abril 9, 2008

O que Deus quer da Igreja?

2ºArtigo da série Igreja nos Lares

Em meio à diferentes opiniões acerca da Igreja, não precisamos ficar entregues às especulações,como se não tivéssemos uma orientação clara e precisa da parte do Senhor sobre o assunto. Graças a Deus não estamos desorientados e sem direção, pois Ele deixou muito claro em Sua Palavra o que é a Igreja e o que espera dela.

Talvez ler este artigo seja meio cansativo para alguns, já que pretendo escrever sobre alguns conceitos básicos. Entretanto, eu não poderia seguir escrevendo sem lembrar esses conceitos, pois são bases para tudo o que espero compartilhar nos próximos artigos.

Faço isso por duas razões principais. A primeira é que a repetição das mesmas verdades produz segurança para nossa fé. É por isso que Paulo disse: ‘… Não me é penoso a mim escrever-vos as mesmas coisas, e a vós vos dá segurança (Fp.3:1). E a segunda razão é porque nós, como construtores da Igreja (somos cooperadores de Deus), devemos conhecer muito bem a planta que Deus desenhou, para compararmos nossa construção com o que Deus quer e sabermos se estamos no rumo certo ou se estamos nos desviando do projeto original.

Para falar sobre a Igreja, precisamos voltar ao Éden, à criação do homem. Deus criou o homem para a vida em família. Ele mesmo disse que não era bom que o homem vivesse só. E por isso criou a mulher e deu a ordem de crescer, multiplicar e encher a Terra. Deus formou uma família. A raça humana foi criada para ser uma família, a família de Deus, pois DEle todos nós somos geração (At. 17:28,29). Uma família cujos filhos reproduzissem a imagem (caráter) do Pai.

Ao lermos Gênesis 1:26-28 podemos dizer com clareza que o propósito de Deus ao criar a raça humana era o de ter uma família (‘… homem e mulher os criou’), de muitos filhos (‘frutificai e multiplicai-vos; enchei a terra’) conforme o Seu caráter (‘Criou, pois, Deus o homem à sua imagem’).

Como sabemos, o homem não cumpriu esse propósito. O pecado encontrou espaço no coração de Adão e de Eva, e eles se desviaram da vontade do Pai. A imagem de Deus no homem foi corrompida. Não demorou mais do que uma geração para que ocorresse o primeiro homicídio, que foi entre irmãos. Mas, apesar do pecado do homem, Deus não desistiu do seu propósito original. Como todos os descendentes do primeiro homem se tornaram incapazes de cumprir o propósito de Deus, Ele começou a levantar uma outra família para Si, em Cristo.

Do meio da raça humana, Ele levantou uma nova raça. E como fez isso? Através do Novo Nascimento. Todo aquele que recebe a Jesus como Senhor se torna filho de Deus (Jo. 1:12). Filhos que são gerados quando recebem a Palavra (Tg. 1:18; I Pe. 1:23), nascem da água e do Espírito (Jo. 3:1-8). O Novo Nascimento é representado no batismo, momento em que mais um filho de Deus é recebido em sua família: a Igreja. Pelo nascimento natural pertenço à uma família natural. Por meio do Novo Nascimento pertenço à uma família sobrenatural. Como Paulo disse:

‘Assim, pois, não sois mais estrangeiros, nem forasteiros, antes sois concidadãos dos santos e membros da família de Deus’ (Ef. 2:19)

Dessa forma, através do Novo Nascimento, o propósito de Deus está se cumprindo, ‘Porque os que dantes conheceu, também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho, a fim de que ele seja o primogênito entre muitos irmãos’ (Rm. 8:29). Uma Família de muitos filhos à imagem de Jesus (que é a exata expressão do Pai).

Como filhos de Deus, somos chamados não apenas a amá-lo, mas a amar também todo aquele que dele é nascido (I Jo. 3:5), amar como Cristo nos amou (Jo. 13:34), dando a vida em favor dos nossos irmão (I Jo. 3:16). Isso é a Igreja. Não é templo, não é instituição, e nem é uma sucessão de reuniões e cultos. Igreja é a comunidade dos remidos, a comunhão dos santos, a família de Deus. É gente que tem uma vida em comum. Que vive, convive, reparte e compartilha. Citando Ed René Kivitz: ‘a salvação em Cristo é individual, mas a vida cristã é comunitária’ [1]. Ou, como escreveu Wolfgang Simson: ‘A Igreja é uma forma sobrenatural de vida comunitária’ [2].

As mais importantes figuras da Igreja no Novo Testamento apontam para a realidade de que a Igreja é uma família e enfatizam o relacionamento que existe entre os membros dessa família. Quando a Bíblia diz que a Igreja é o Corpo de Cristo, aponta para a conexão que há entre os membros (Cl. 2:19). Quando diz que a Igreja é o Santuário do Espírito, a Casa de Deus, aponta para pedras que não estão soltas, mas edificadas juntamente (Ef. 2:19-22). A Bíblia mostra a importância do relacionamento que deve haver entre os filhos de Deus.

Sei que tudo o que escrevi são conceitos básicos que a maioria sabe. Mas, será que nossa prática é coerente com o que sabemos? Será que nossos pensamentos sobre a Igreja se harmonizam com os pensamentos de Deus? Nestes últimos dias descobri uma forma de me avaliar quanto ao assunto, de saber se os meus pensamentos sobre a Igreja ser harmonizam com os pensamentos de Deus, e se de fato a Igreja é minha família (pois é isto que Deus quer). Fiz essa auto-avaliação através de duas reflexões, e descobri que ainda preciso experimentar muito mais da Igreja como família. Sugiro que você faça a mesma auto-avaliação, porque com certeza fará bem a você, assim como fez para mim. Reflita nas seguintes perguntas:

1. Dedique algum tempo para pensar sobre a família ou pelo menos no que deveria ser uma família (já que muitas pessoas cresceram sem família ou em famílias destruídas). Quando você pensa em uma família, quais são as primeiras imagens e lembranças que vêm à sua mente? Não falo de palavras, falo de imagens.

Talvez você lembre do carinho de seus pais, da companhia, amizade e brincadeiras com seus irmãos, do tempo que vocês passaram rindo e também chorando, dos conselhos e ensinos que seus pais te deram, da sala de estar ou da cozinha, daquele almoço especial e daquela sobremesa deliciosa, das festas de aniversário, de quando você tinha que arrumar a casa, das disciplinas e das correções dos seus pais, dos problemas que todas as famílias tem, mas que deveriam e devem ser resolvidos etc.. Enfim, são muitas as lembranças e imagens.

2. Agora, dedique um tempo para pensar sobre a Igreja. Quando você pensa na Igreja, que imagens vêm à sua mente? Talvez você pense em um templo, nos cultos, nas pregações, na música, no dia da tua conversão ou do teu batismo, na escola dominical, em reuniões tanto no templo como nas casas, reuniões de oração e de estudo bíblico, das células, de momentos de alegria nos quais você foi tocado por Deus etc..

Agora que você refletiu nas duas perguntas que fiz, tenho uma coisa pra compartilhar: Nossa compreensão da Igreja como família só estará completa no dia em que a palavra Igreja e a palavra Família nos levarem a pensar nas mesmas coisas, pois Igreja é Família.

Nossos pensamentos estarão harmonizados com os pensamentos de Deus quando ao ouvirmos a palavra Igreja pensarmos no carinho dos irmãos, da companhia, amizade e brincadeiras, no tempo passado juntos rindo, chorando ou simplesmente conversando, dos conselhos, ensinos e da Palavra de Deus compartilhada (‘A palavra de Cristo habite em vós ricamente, em toda a sabedoria; ensinai-vos e admoestai-vos uns aos outros, com salmos, hinos e cânticos espirituais,louvando a Deus com gratidão em vossos corações’ – Cl. 3:16), da sala de estar ou da cozinha da casa dos irmãos ou de sua própria casa, daquele almoço especial e daquela sobremesa deliciosa (‘… comiam juntos com alegria e singeleza de coração’- At. 2:46), das festas (Afinal, a Bíblia fala sobre as festas de Amor), das repreensões e das disciplinas (sempre buscando a restauração), dos problemas que as vezes surgem, mas que precisam ser tratados com confissão, perdão e humildade etc… E tudo isso cercado de oração, da Palavra e da presença de Jesus, pois, afinal, onde há dois ou três reunidos em Seu nome, aí Ele está presente, não importando o lugar.

Hoje, quero cada vez mais enxergar a Igreja como Família e deixar de reduzi-la à reuniões e eventos que não traduzem com fidelidade o que Deus quer de nós.

Continua no próximo artigo


[1] Ed René Kivitz, Quebrando Paradigmas, pg. 63. Abba Press
[2] Wolfgang Simson, Casas que transformam o mundo: Igreja nos Lares. Ed. Evangélica Esperança

1 comment Abril 3, 2008

Conflito entre Irmãos

Uma direção de Deus para os nossos conflitos entre irmãos. 

Sérgio R. Franco

Add comment Abril 3, 2008

Não quero mais ser evangélico

Sou evangélico, no sentido original da palavra. Evangélico é quem crê e está comprometido em viver o Evangelho (Boas Notícias) do Reino de Deus.

Mas é triste ver como o termo evangélico teve seu significado alterado, distorcido e corrompido. É possível ser “evangélico” e viver sem nenhum compromisso com a Palavra de Jesus. Se é pra ser chamado de evangélico da mesma forma como o termo é usado hoje em dia, não quero mais ser chamado assim. Afinal, o termo evangélico não está na Bíblia mesmo. Que me chamem apenas de cristão ou discípulo de Jesus.

Quero postar aqui um resumo de um texto escrito pelo Ariovaldo Ramos que expressa muito bem o que anseio para a Igreja:

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“… Ser evangélico, pelo menos no Brasil, não significa mais, ser praticante e pregador do Evangelho (boas novas) de Jesus Cristo… .

Não quero mais ser evangélico! Quero voltar para Jesus Cristo, para a boa notícia que Ele é, e ensinou. … Voltemos à consciencia de que o caminho, a verdade e a vida é uma pessoa e não um corpo de doutrinas e/ou tradições, nascidas da tentativa de dissecarmos Deus; de que, estar no caminho, conhecer a verdade e desfrutar a vida é relacionar-se intensamente com essa pessoa: Jesus de Nazaré, o Cristo, o Filho do Deus vivo. … Não quero a espiritualidade que se sustenta em prodígios, no mínimo discutíveis, e sim, a que se manifesta no caráter.

… Voltemos à graça, à centralidade da cruz, onde tudo foi consumado. Voltemos à consciência de que fomos achados por Ele, que começou em cada filho Seu algo que vai completar; voltemos às orações e jejuns, não como fruto de obrigação ou moeda de troca, mas, como namoro apaixonado com o Ser amado da alma resgatada.

Voltemos ao amor, à convicção de que, ser cristão, é amar a Deus acima de todas as coisas e, ao próximo, como a nós mesmos; voltemos aos irmãos, não como membros de um sindicato, de um clube, ou de uma sociedade anônima, mas, como membros do corpo de Cristo. Quero relacionar-me com eles como as crianças relacionam-se com os que as alimentam, em profundo amor e senso de dependência; quero voltar a ser guardião de meu irmão e não seu juiz. Voltemos ao amor que agasalha no frio, assiste na dor, dessedenta na sede, alimenta na fome, que reparte, que não usa o pronome “meu”, mas, o pronome “nosso”.

Para que os títulos: pastor, reverendo, bispo, apóstolo, o que estes significam se todos são sacerdotes? Quero voltar a ser leigo. Para que o clericalismo? Voltemos, ao sermos servos uns dos outros aos dons do corpo que correm soltos e dão o tom litúrgico da reunião dos santos; ao, “onde dois ou três estiverem reunidos em meu Nome, eu lá estarei” de Mateus 18.20. Que o culto seja do povo e não dos dirigentes – chega de show! Voltemos aos presbíteros e diáconos, não como títulos, mas, como função: os que, sob unção da igreja local, cuidam da ministração da Palavra, da vida de oração da comunidade e para que ninguém tenha necessidade, seja material, espiritual ou social. …

Para que os templos, o institucionalismo, o denominacionalismo? Voltemos às catacumbas, à igreja local. Por que o pulpitocentrismo? Voltemos ao “instruívos uns aos outros” (Cl 3.16).

Por que a pressão pelo crescimento? Jesus Cristo não nos ordenou a sermos uma Igreja que cresce, mas, uma Igreja que aparece: “Assim resplandeça a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras, e glorifiquem a vosso Pai, que está nos céus“. (Mt 5.16). Vamos anunciar com nossa vida, serviço e palavras “todo o Evangelho ao homem… a todos os homens”. Deixemos o crescimento para o Espírito Santo que “acrescenta dia a dia os que haverão de ser salvos”, sem adulterar a mensagem”.

Add comment Abril 2, 2008

Viva a vida no seu tempo

Excelente vídeo produzido pelo pessoal da Wise Up.Inspirado em Eclesiastes 3.

Add comment Abril 1, 2008

Na arena com Perpétua e Felicidade

Artigo escrito por Délnia Bastos e publicado na seção “Deixem que elas mesmas falem” da Revista Ultimato Março-Abril/2008

Era o início do terceiro século. O Império Romano tinha se fortificado em toda a região do Mediterrâneo. A sociedade gozava de estabilidade e privilégios — entre eles o de assistir aos jogos realizados no anfiteatro. Este compunha-se de uma estrutura oval, com algumas jaulas laterais para as feras, a arena no centro e um pequeno templo debaixo da arena. Ali, os gladiadores pediam as bênçãos dos deuses romanos para suas lutas, ao mesmo tempo em que os condenados pelo rei aguardavam sua sentença. Ao redor da arena, havia uma espécie de arquibancada para o público assistir confortavelmente aos espetáculos.

Naquela época, o imperador Sétimo Severo baixou um edito segundo o qual todos deveriam oferecer sacrifícios aos deuses romanos e ao próprio imperador. O infrator era sentenciado, juntamente com outros criminosos.

Vívia Perpétua, uma jovem senhora da nobreza, e sua empregada Felicidade eram cristãs. Aos 20 anos, grávida, Perpétua foi condenada, juntamente com Felicidade e mais três cristãos, por desobedecerem ao edito imperial. Em vão o pai de Perpétua tentou várias vezes convencê-la de desistir da fé e sacrificar aos deuses. “O que será do seu filho?”, o pai a advertiu, sem sucesso.

Assim, em 7 de março de 203, foi dado o veredicto final: “Perpétua, Felicidade, Revocato, Secúndulo, Saturnino e Saturo são condenados às bestas no Anfiteatro de Cartago”. Segundo a história, Saturo não estava entre os condenados, mas voluntariamente compartilhou do martírio de seus irmãos em Cristo. Perpétua havia feito um pedido especial a Deus, e foi atendida: deu à luz no dia anterior à sua morte e uma amiga cristã adotou seu pequeno filho.

Os condenados deveriam usar uma roupa designada para o espetáculo. Cada roupa fazia menção a um deus romano, de modo que o sentenciado era oferecido como sacrifício àquele deus. Perpétua e Felicidade, e depois seus companheiros, se negaram a usar a “roupa festiva”, como que num último fôlego de testemunho — nem mesmo sua morte se tornaria oferenda para os deuses. Eles entraram na arena com pouquíssima roupa, mas com um brilho e uma alegria de espírito humanamente inexplicáveis. Todos eles tinham consciência de que sua morte seria um testemunho público importante para o avanço da fé cristã. Felicidade dizia que seu martírio significava para ela não a morte, mas um segundo batismo.

Os homens foram os primeiros a entrar na arena. Dois deles deveriam passar por uma ponte com uma série de obstáculos, entre os quais algumas feras, como leões e tigres, até que chegassem aos gladiadores. Secúndulo morreu na prisão, antes mesmo de chegar à arena. Saturnino foi decapitado e os outros dois morreram durante o espetáculo.

Por último, entraram a jovem senhora e sua companheira. Para elas, foi designada uma bezerra, que investiu primeiramente em Perpétua e em seguida avançou para Felicidade. Perpétua, após recobrar a consciência, ajudou Felicidade a se levantar. Conta-se que escorria leite daquela que amamentara apenas um dia seu filhinho recém-nascido. Elas foram retiradas da arena feridas, para serem mortas pelos gladiadores. A platéia estava exaltada. Queria mais, e exigiu que a morte fosse pública. Elas então morreram na arena, pelas espadas dos gladiadores.

Esta história comovente certamente nos lembra a passagem bíblica que diz: “Eles, pois, venceram [Satanás] por causa do sangue do Cordeiro e por causa da palavra do testemunho que deram e, mesmo em face da morte, não amaram a própria vida” (Ap 12.11). Segundo Tertuliano, o sangue dos mártires é a semente da igreja. Com efeito, o sangue de Perpétua, Felicidade e de seus irmãos em Cristo foi a semente da igreja no Norte da África. Sua morte deveria ser um presente do imperador Severo para seu filho César Geta. Mas foi muito mais um presente para a igreja.

Os poucos cristãos que vivem naquela região felizmente não estão mais sob o jugo opressor romano. Mas precisam da mesma ousadia e fé para “enxergar além do véu” e enfrentar os obstáculos de oposição e perseguição a que ainda estão sujeitos hoje.

2 comments Abril 1, 2008

Que dizem os homens ser a Igreja?

1º artigo da série Igreja nos Lares

Jesus, em uma conversa com Pedro, deixou claro que fazia parte de sua missão a edificação de Sua Igreja (Mt. 16:18). Portanto, a Igreja não é uma invenção humana e nem é propriedade humana. Ela é um sonho que surgiu no coração do Pai e que Jesus veio tornar realidade visível. Ela é propriedade exclusiva do Senhor, e por isso deve ser do jeito que Ele planejou. A Igreja planejada pelo Pai e edificada por Jesus teria tamanho poder sobrenatural que nem satanás com todos os seus demônios poderiam resisti-la.

Mas, ao contemplarmos a realidade de hoje, tantos séculos depois das palavras que Jesus proferiu, poderiam surgir perguntas como: Onde está essa Igreja? Jesus cumpriu sua Palavra? Ele desistiu?

Ora, se alguém pensa que Jesus desistiu é porque ainda não o conhece bem, pois o que Ele fala, Ele cumpre. Ele é o Verbo, a Palavra por meio da qual todas as coisas foram criadas e são sustentadas. Aquele que começou a boa obra é fiel pra completá-la (Fp. 1:6). Com toda certeza, Ele está edificando sua Igreja. Ele não desistiu, não interrompeu a obra e nem tirou férias. Ele trabalha sempre, dia e noite para fazer da Igreja tudo aquilo que Ele planejou.

Mas, nessa obra de edificação da Igreja, aonde Jesus quer chegar? Qual é o seu objetivo? Qual é a planta da Igreja? Afinal, o que é a Igreja para Jesus? O que Ele visualizava quando falou sobre a Igreja?

Nem sempre essa pergunta é simples de responder, pois, com o passar dos séculos, o significado da palavra Igreja foi distorcido. Na maioria dos casos, quando as pessoas ouvem a palavra “Igreja” pensam em algo completamente diferente daquilo que Jesus falou. É enorme e assustador o número de pessoas que simplesmente não sabe o que é a Igreja. E também é grande o número daqueles que sabem o que é a Igreja, mas a prática indica o contrário.

Antes de Jesus declarar que edificaria sua Igreja, Ele havia começado uma conversa com seus discípulos perguntando-lhes: “Quem dizem os homens ser o Filho do homem?” (Mt. 16:13). Se hoje Ele fizesse a pergunta: “Que dizem os homens ser a Igreja?”, acredito que Ele receberia pelo menos três respostas equivocadas. Quero apontar aqui cada uma dessas distorções do significado de Igreja.

a) Templo

Uma das principais distorções é a idéia de que a Igreja é uma construção física, um templo onde Deus habita. Entretanto, tal idéia é completamente estranha a tudo o que Jesus e os apóstolos ensinaram. Tanto Estevão quanto Paulo declaram que Deus não habita em templos feitos por mãos humanas (At. 7:48; 17:24). A Igreja é sim a Casa de Deus, entretanto ela é edificada pelo próprio Deus com Pedras Vivas, que somos nós (I Pe. 2:5; Ef. 2:22). Igreja é formada por pessoas (Hb. 3:6) e não por pedras, tijolos, cimento etc… Com certeza, quando Jesus disse que edificaria sua Igreja, Ele não estava pensando em templos, mas sim em pessoas. Jesus nunca edificou ou inaugurou um templo. Nem seus apóstolos fizeram isso. A Igreja sobreviveu por mais de 3 séculos sem a construção de nenhum templo.

Graças a Deus nós já sabemos que Igreja não é um lugar. Não só sabemos como também já praticamos isso. Somos livres para estarmos reunidos em qualquer lugar: num hotel, numa praça, num sítio, numa praia, numa casa etc.. Pois, onde estiverem dois ou três reunidos em nome de Jesus, aí Ele se faz presente (Mt. 18:20).

b) Instituição

Outra distorção bastante comum é pensar que a Igreja é uma instituição, com suas estruturas, hierarquias, leis, normas, estatutos, personalidade jurídica, CNPJ etc…

Ora, se a Igreja depende de tudo isso para existir, como ela sobreviveu durante séculos de perseguição? E como ela sobrevive nos lugares onde é perseguida? Infelizmente, é muito grande o número de cristãos que simplesmente não consegue imaginar a existência da Igreja sem que ela seja institucionalizada. Não conseguem ver a Igreja simplesmente como a família de Deus. Igreja não é instituição ou uma organização. Ela é um organismo vivo, o Corpo de Cristo.

c) Eventos (sucessão de reuniões, celebrações ou cultos)

Acredito que nossas mentes já foram limpas das duas primeiras distorções que apontei. Mas, essa terceira distorção é a mais difícil de ser detectada. Penso que ainda não enxergamos o quanto estamos contaminados por esse equívoco. Como já disse, sabemos que a Igreja somos nós, que somos livres para nos reunirmos em qualquer lugar e não somos uma instituição. Mas, ainda persiste a dificuldade de concebermos a Igreja sem eventos (reuniões, celebrações ou cultos). Vou tentar explicar melhor: Nós enxergamos a Igreja quando os irmãos estão reunidos para celebração ou edificação em qualquer lugar, mas nem sempre enxergamos a Igreja quando estamos ao redor de uma mesa comendo e conversando (ambiente que Jesus sabia usar muito bem para ensinar e edificar seus discípulos) e que momentos como esse podem ser tão edificantes como as nossas reuniões formais. Nem sempre vemos que Deus está tão presente nos momentos informais de comunhão como está nas celebrações.

A Igreja não acontece nas reuniões ou cultos. Ela vive nos relacionamentos entre os irmãos. Ela não acontece eventualmente. Ela vive permanentemente no convívio entre irmãos. Portanto, em qualquer ocasião ou ambiente onde estejam duas pessoas que partilham da fé em Jesus, ainda que seja em um momento informal, aí está a Igreja. Não estou afirmando que a Igreja não deve ter reuniões de celebração. Só estou dizendo que nós não dependemos disso para sermos Igreja.

Acredito que temos dificuldades de ver a Igreja sem os eventos por causa da nossa compreensão limitada da Igreja como Família de Deus. Se nós compreendêssemos plenamente a Igreja como uma família, poderíamos viver Igreja tranqüilamente mesmo sem as reuniões gerais.

Continua no artigo “O que Deus quer da Igreja?”

Leia a Série “Igreja nos Lares”

Add comment Abril 1, 2008

Um ano e meio em Curitiba

Nesta semana vou completar um ano e meio que fui enviado à Curitiba. Contando os dias no calendário, vejo que não passou muito tempo. Mas, pensando nas experiências vivenciadas neste lugar, afirmo que foi tempo suficiente para que fosse estabelecida uma relação forte e profunda com esta Igreja e com esta cidade. Se um dia eu tiver que sair de Curitiba, confesso que será tão difícil como foi sair do Rio de Janeiro. Carrego esta Igreja em meu coração, e reconheço que ainda fiz pouco por esta cidade. Quero fazer muito mais por Curitiba.

Cheguei a Curitiba em 19 de setembro de 2006. Inicialmente viemos em três: Eu, Dinho e Breno. Fomos enviados com o propósito de cooperar com a Igreja local tanto na área pastoral (discipulado, cuidado do rebanho etc.) como também no desenvolvimento de ministérios específicos. Desde então, cooperamos em diferentes ministérios (com novos discípulos, jovens, crianças etc.), além, é claro, de realizarmos o serviço comum (evangelização, apascento dos irmãos etc..).

Se me perguntassem qual é a primeira palavra que lembro ao pensar nesse período que estou aqui, eu diria fidelidade. Fidelidade do Senhor em cumprir Sua Palavra, Suas Promessas. A cada dia tenho visto o Senhor cumprindo sua palavra de Mateus 19:29 – ‘E todo aquele que tiver deixado casas, ou irmãos, ou irmãs, ou pai, ou mãe, ou mulher, ou filhos, ou terras, por amor de meu nome, receberá cem vezes tanto, e herdará a vida eterna’. Começamos a receber a recompensa da nossa entrega e renúncia aqui, na terra, e continuaremos a receber por toda a eternidade. Tenho visto aqui Deus acrescentando em minha vida experiências de provisão, e também tem me dado novos irmãos, irmãs, mães, pais, etc..

A Igreja em Curitiba hoje está vivendo por um momento de transição e adaptação. Estamos nos voltando com mais força para o ambiente onde a Igreja, como família que é, deve estar e de onde nunca deve sair: os lares, priorizando o convívio, o relacionamento, o compartilhar mútuo de vida e experiências.
Nesse momento que a Igreja está vivendo, a palavra que mais me enche o coração é a de Colossenses 3:16 – ‘A palavra de Cristo habite em vós abundantemente, em toda a sabedoria,ensinando-vos e admoestando-vos uns aos outros, com salmos, hinos ecânticos espirituais, cantando ao SENHOR com graça em vosso coração’. No Corpo de Cristo, não há espaço para individualismos. Não pode haver espaço para a frase ‘cada um por si’. Muito pelo contrário, nós somos responsáveis uns pelos outros, somos pastores de nossos irmãos, e temos o dever de ensinar, admoestar e praticar todas as demais mutualidades citadas nas Escrituras. Mas, para isso, temos que cuidar também do nosso interior, do que enche o nosso coração, pois do que há em abundância no coração, disso fala a boca. Portanto, o que deve estar em abundância em nosso coração é a Palavra de Cristo, pois assim, não somente seremos guardados de pecar (’Escondi a tua palavra no meu coração, para eu não pecar contra ti’ – Salmo 119:11), como também estaremos preparados para edificar a vida de nossos irmãos em toda e qualquer situação.

Que todos vocês fiquem na Paz de Cristo!

Add comment Abril 1, 2008


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