O frasco de perfume quebrou…
Nestes últimos dias, estive lembrando de uma das viagens que fiz à Blumenau no fim do ano passado, e especialmente de um incidente que se tornou objeto de algumas reflexões. Poucos dias antes dessa viagem, eu havia comprado um perfume. E, ao arrumar a mala, por um descuido, coloquei esse perfume em um lugar que, se a mala caísse, o frasco poderia se quebrar. E foi o que ocorreu. Assim que chegamos à casa onde ficamos hospedados, por um acidente a mala caiu, e o frasco se despedaçou. E eu ainda não havia feito o pagamento pelo perfume.
Mas isso me fez pensar sobre o que as Escrituras falam sobre perfume. Lembrei-me que somos o bom perfume de Cristo. Recordei da mulher que derramou nardo puro aos pés de Jesus. Contudo, antes de dormir, quando peguei minha Bíblia, percebi que a leitura programada para aquele dia começava em Êxodo 30, cujo tema é o altar do incenso. E então comecei a pensar sobre perfume e incenso. Mas, qual é a relação entre uma coisa e outra? Toda, já que no vers. 35, depois de falar sobre a composição do incenso, o Senhor diz: “e disto farás incenso, perfume segundo a arte do perfumista”.
E o que incenso e perfume tem a ver com nossa vida cristã cotidiana? Tudo. Davi nos ajuda a enxergar essa relação quando diz: “Suba à tua presença a minha oração, como incenso, e seja o erguer de minhas mãos como oferenda vespertino” (Sl. 141:2). E João nos diz que as orações dos santos são recebidas como incenso (Ap. 5:8). Oração deve marcar todos os nossos dias.
Queimar incenso era uma honra própria e exclusiva dos sacerdotes. Ezequias animou a estes no exercício dessa tarefa: “Filhos meus, não sejais negligentes, pois o SENHOR vos escolheu para estardes diante dele para o servirdes, para serdes seus ministros e queimardes incenso” (2 Cr.29:11). Quando o rei Uzias, movido por orgulho, entrou no Templo para queimar incenso, foi repreendido pelos sacerdotes, pois apenas a estes competia tal tarefa. Por não ter recebido a repreensão, Uzias foi ferido de lepra.
Contudo, Malaquias havia profetizado que em toda a Terra se queimaria incenso ao Senhor: “Mas desde o nascente do sol até ao poente é grande entre os gentios o meu nome; e em todo o lugar se oferecerá ao meu nome incenso, … porque o meu nome é grande entre os gentios, diz o SENHOR dos Exércitos” (Ml. 1:11). E a realização dessa profecia se tornou possível através de Jesus, pois por causa dEle todos nós nos tornamos sacerdotes: “Mas vós sois … o sacerdócio real” (I Pe. 2:8).
Recebemos o privilégio e a responsabilidade de queimar incenso ao Senhor, o incenso das nossas orações. Confesso que tenho sido negligente e faltoso para com esse chamado. Deus quer receber as minhas orações. Afinal, por meio das orações confessamos “a estreiteza de nossos recursos e a extrema largueza dos recursos do poder e do amor de Deus” [1]. A oração é uma marca na vida daquele que sabe que nada pode fazer sem Jesus.
Quero apresentar perfume a Deus todos os dias, e não apenas quando pressionado pela força das circunstâncias, quando o frasco de perfume se quebra. Não quero orar apenas quando as coisas estão difíceis e sou forçado a pedir socorro a Deus. Quero que Deus me encontre todos os dias em oração.
Após quase um ano depois que o frasco de perfume se quebrou, avalio que meu avanço nesse ponto foi tímido. Ainda há um grande terreno a percorrer. Há muita coisa a conhecer através da oração. Contudo, estou decidido avançar, produzindo frutos dignos de arrependimento, e viver uma vida cada vez mais dependente do Senhor.
A loucura da oração
Oração foi o tema dos encontros que tivemos aqui em casa ontem. Conversamos sobre a oração como forma de expressarmos nossa dependência de Deus. Motivado por esses encontros, decidi compartilhar durante esta semana alguns temas sobre oração aqui no blog.
Em seu livro Práticas Devocionais, Elben M. Lenz César escreve o seguinte sobre o tema [1]:
“A oração parace uma decantada loucura. Como pode o homem comunicar-se com o próprio Deus em qualquer tempo, em qualquer lugar e em qualquer situação, se este é o Senhor de todo o Universo e aquele, um miserável habitante de um pequeno planeta que integra o sistema solar, que por sua vez é somente uma parte minúscula de uma galáxia chamada Via-Láctea, composta de mais de 100 bilhões de estrelas relativamente semelhantes ao Sol? O espanto é muito maior quando se sabe que existem 100 bilhões de galáxias …, além dos distantes e brilhantes quasares!
Mesmo não havendo seres inteligentes senão neste modesto planeta, como pode Deus ouvir as orações diárias que, pelo menos, os 1,6 bilhão de cristãos lhe dirigem?”
A essa pergunta, C. S. Lewis busca responder no vídeo abaixo.
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[1] – CÉSAR, Elben M. Lenz. Práticas Devocionais: Ultimato.
E o que fizeram com a Reforma?
Amanhã, 31 de outubro, serão celebrados 492 da Reforma Protestante. O movimento, deflagrado pelo monge agostiniano Martinho Lutero a partir da cidade de Wittenberg, mudou o curso da história do cristianismo ocidental. Com uma pregação que chamava a Igreja ao retorno às Escrituras, trazia à tona as verdades bíblicas da salvação pela graça mediante a fé, em oposição à venda de indulgências por parte do clero católico-romano. Atualmente, há cerca de 600 milhões de pessoas que se declaram protestantes. Destes, cerca de 73 milhões se denominam luteranos.
Lutero sempre se opôs ao uso da designação “luterano” por parte daqueles que abraçaram a Reforma. Acerca disso, o reformador declarou: “Peço que se silencie acerca de meu nome e ninguém se denomine luterano, mas, sim, cristão. Quem é Lutero? A doutrina não é minha e não fui crucificado por ninguém… E como poderia ser que eu, um pobre saco de estrume, tivesse meu nome, o qual nenhuma salvação encerra, dado aos filhos de Cristo? Não deve ser assim, terminemos com esses nomes partidários e denominemo-nos cristãos, pois possuímos a doutrina de Cristo”.
Apesar da oposição de Lutero, seu nome passou a ser utilizado por uma parcela significativa de pessoas. Acerca disso, fico a pensar no seguinte: Se Lutero era contrário à designação de luteranos àqueles que aderiam à sua pregação, como ele reagiria se seu nome fosse usado por gente que é inimiga de sua fé?
Lutero era um homem que amava as Escrituras. Diante da dieta de Worms, declarou: “A menos que me convençam, pela Escritura ou por razões claras, de que estou errado, eu permaneço constrangido pelas Escrituras. Não posso nem quero me retratar, de vez que não é seguro nem correto agir contra a consciência”. A Bíblia se tornou sua regra de fé e de conduta. Em Lutero vê-se a afirmação do Sola Scriptura (somente a Escritura): “Qualquer ensinamento que não se enquadre nas Escrituras deve ser rejeitado, mesmo que faça chover milagres todos os dias”.
Lamentavelmente, essa fé não é compartilhada por
alguns grupos que se denominam luteranos, como a Igreja Evangélica Luterana dos EUA (ELCA) e a Igreja da Suécia. A primeira, em sua convenção realizada no mês de agosto, decidiu pela ordenação de homossexuais ao ministério [1]. A segunda, neste mês decidiu pela relização de casamentos entre pessoas do mesmo sexo [2]. Essas decisões não foram tomadas com base no Sola Scriptura, princípio tão precioso para Lutero. Pelo contrário, essas decisões foram tomadas devido à uma rejeição clara e explícita a todo o ensino bíblico sobre a sexualidade humana. Tudo isso são conseqüências do liberalismo teológico que tem sido abrigado por esses grupos, para os quais a Bíblia já não ocupa o lugar de regra de fé e prática.
Segundo Augustus Nicodemus Lopres [3], a ELCA, como outros grupos adeptos do liberalismo teológico, enxerga a Bíblia sob a seguinte ótica:
1) A Bíblia é o mais importante meio de Deus revelar seu ser e sua presença. Não é sua revelação exclusiva, uma vez que a ELCA é ecumênica e acredita que existe salvação em outras religiões.
2) A Bíblia contém a história da interação de Deus com os homens. Nada mais que isto. Ela não é a Palavra de Deus, mas o registro humano daquilo que os judeus e os cristãos acreditavam sobre Deus.
3) Como tal, este registro é falível e contém erros. Nele encontramos o reflexo dos preconceitos da época em que a Bíblia foi escrita. Este registro é por vezes contraditório internamente, pois os escritores da Bíblia registraram idéias diferentes e contraditórias sobre Deus, sua palavra, caminhos e vontade.
4) Quem pode dizer o que é certo ou errado dentro da Bíblia é a Igreja, a comunidade do Cristo. Este é o critério os luteranos americanos para aceitar ou rejeitar partes da Bíblia. Se alguma coisa edifica e leva a Cristo, então é de Deus. Se não, é coisa humana. E se perguntarmos qual o critério para decidirmos, por exemplo, que a homoafetividade edifica e leva à Cristo, a resposta será “aquilo que a Igreja decidir”.
5) Nos gêneros literários da Bíblia temos lendas de heroísmo e “estórias”, outro nome para mitos. Entre estes a ELCA certamente coloca o nascimento virginal de Jesus — assunto que ela declara estar aberto para discussão — e a ressurreição de Jesus, que para eles não é um fato da história.
Portanto, esses grupos, apesar de se denominarem luteranos
, pouco tem a ver com Lutero, para quem as Escrituras não eram simples literarura sobre Deus, mas a própria fonte de onde conhecemos toda a doutrina cristã. Hoje, precisamos cada vez mais reafirmar que temos na Bíblia nossa regra de fé e de conduta. Esse princípio tão caro à Lutero precisa ser recuperado.
Se esses grupos se denominam luteranos para afirmar que seguem o reformador alemão, tal atitude não corresponde à realidade. Contudo, se esse nome for usado apenas como uma mera referência à declaração do reformador de que não passava de “um pobre saco de estrume”, talvez essa utilização seja possível, já que assim disse o Senhor aos sacerdotes que desviam o povo do caminho: “espalharei esterco sobre os vossos rostos, o esterco das vossas festas solenes; e para junto deste sereis levados.” (Ml. 2:3).
Alguns pensamentos sobre disciplina
Recentemente assisti um vídeo em que o pastor que estava sendo entrevistado dizia que a igreja leva muito a sério o pecado sexual porque faz vista grossa para outros pecados, visto que é fácil enquadrar alguém no pecado sexual, e isso é mais difícil quando se trata de pecados como o orgulho, a avareza ou a maledicência. Ontem li um texto em que o autor questionava a razão pela qual pastores são afastados do púlpito por causa de adultério, mas não são por pecados como a mentira. Por isso, decidi repartir com vocês algumas reflexões sobre o tema disciplina.
Deus corrige seus filhos para que estes sejam participantes de Sua santidade. E nós recebemos de Deus o dever de cooperarmos com a santidade uns dos outros. Essa terefa é exercida pela prática das mutualidades (exortai-vos, admoestai-vos etc.) e de outras ações disciplinares. Não podemos fugir de textos como o de Gálatas 6:1
Irmãos, se alguém for surpreendido nalguma falta, vós, que sois espirituais, corrigi-o com espírito de brandura; e guarda-te para que não sejas também tentado”.
E o propósito dessa correção é a restauração de quem pecou:
disciplinando com mansidão os que se opõem, na expectativa de que Deus lhes conceda não só o arrependimento para conhecerem plenamente a verdade, mas também o retorno à sensatez, livrando-se eles dos laços do diabo, tendo sido feitos cativos por ele para cumprirem a sua vontade” (II Tm. 2:25,26).
O Novo Testamento é claro em ensino sobre a ação disciplinar da Igreja. Em Mateus 18:15-17, Jesus nos instrui em como tratar o irmão que peca contra nós: “Ora, se teu irmão pecar contra ti, vai, e repreende-o entre ti e ele só; se te ouvir, ganhaste a teu irmão …”.
Em I Coríntios 5, Paulo dá instruções àquela Igreja de como tratar uma grave situação de ordem sexual: “Geralmente, se ouve que há entre vós imoralidade e imoralidade tal, como nem mesmo entre os gentios, isto é, haver quem se atreva a possuir a mulher de seu próprio pai. (…) que o autor de tal infâmia seja (…) entregue a Satanás para a destruição da carne, a fim de que o espírito seja salvo no Dia do Senhor”
Já na Igreja em Tessalônica o problema era com o pessoal que não queria trabalhar. Neste caso Paulo também dá orientações claras: “Mandamo-vos, porém, irmãos, em nome de nosso Senhor Jesus Cristo, que vos aparteis de todo o irmão que anda desordenadamente (…) Porquanto ouvimos que alguns entre vós andam desordenadamente, não trabalhando, antes fazendo coisas vãs. (…) se alguém não obedecer à nossa palavra por esta carta, notai o tal, e não vos mistureis com ele, para que se envergonhe. Todavia não o tenhais como inimigo, mas admoestai-o como irmão” (II Ts. 3:6-15)
Para Timóteo, Paulo fala sobre a disciplina de presbíteros (pastores): “Os presbíteros que governam bem sejam estimados por dignos de duplicada honra (…) Aos que pecarem, repreende-os na presença de todos, para que também os outros tenham temor” (I Tm. 5:17-20).
À luz do Novo Testamento, tenho aprendido que a Igreja deve observar quatro aspectos ao disciplinar alguém.
1. Quem pecou?
Já que ” àquele a quem muito foi dado, muito lhe será exigido” (Lc. 12:48), o pecado de um novo convertido não deve ser tratado da mesma forma que o de um pastor. Como já foi citado, Paulo dá a Timóteo orientações específicas sobre a disciplina de pastores.
Espera-se que os pastores sejam modelos do rebanho (I Pe. 5:1-3). Isso não quer dizer que eles sejam perfeitos e imunes ao pecado, mas significa que devem ser modelos de vida até mesmo no momento de corrigir seus erros. A rebanho também precisa de exemplos de arrependimento. Neste aspecto, quero citar a experiência de Sérgio R. Franco [1], pastor que compõe o presbitério de uma comunidade na Zona Oeste do Rio de Janeiro. Ele foi a primeira pessoa a ser disciplinada nessa comunidade, tendo sido exposto publicamente. Contudo suas disciplinas fizeram com que o rebanho ficasse ainda mais próximo e fizeram com que ele ganhasse mais autoridade para tratar do tema.
2. Qual pecado?
Não existe pecadinho, pecado e pecadão. Qualquer pecado é grave o suficiente para nos levar ao inferno. Por isso todo pecado deve ser tratado com seriedade. Em minha experiência de vida em comunidade tenho conhecido casos de disciplina por preguiça, fofoca, ira, desordem financeira, distância em relação à família etc.. Sei que muitos não levam a sério esses assuntos, mas felizmente tenho conhecido gente que trata desses temas com a devida seriedade, e tenho visto os bons resultados dessa atitude.
Todos os pecados devem ser tratados com seriedade. Mas há um texto bíblico que nos aponta para uma distinção entre pecados cometidos fora do corpo e pecados cometidos contra o corpo: “Fugi da impureza. Qualquer outro pecado que uma pessoa cometer é fora do corpo; mas aquele que pratica a imoralidade peca contra o próprio corpo. Acaso, não sabeis que o vosso corpo é santuário do Espírito Santo, que está em vós, o qual tendes da parte de Deus, e que não sois de vós mesmos? Porque fostes comprados por preço. Agora, pois, glorificai a Deus no vosso corpo” (I Co. 6:18-20). Portanto, À luz desse texto e das complicadas experiências humanas na área da sexualidade, creio que pecados de ordem sexual precisam receber um tratamento específico.
3. Como veio à luz?
É evidente que há distinção quando a confissão é confissão voluntária e imediata, no cumprimento de Tiago 5:16 (“Confessai, pois, os vossos pecados uns aos outros”), ou quando o pecado é descoberto.
4. Há reincidência?
Como o arrependimento tem seus frutos, devemos considerar se há uma prática reincidente do pecado.
Com essas reflexões não pretendo esgotar o assunto. Mas desejo apenas que pensemos sobre o tema à luz das Escrituras, e não fiquemos limitados às nossas opiniões individuais.
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[1] – O relato de sua disciplina está no livro Perdão e Purificação.
O dia em que perdi a Bíblia
Chegamos à nossa nova casa há pouco mais de três meses. Recentemente estive me lembrando do dia da nossa mudança, que foi marcante em pelo menos dois aspectos. Primeiramente pelo stress de toda mudança, mas também pela preocupação que me veio por pensar que havia perdido minha Bíblia.
Logo que comecei a arrumar minhas coisas, percebi que minha Bíblia havia desaparecido. Então comecei a revirar tudo para encontrá-la. Posso dizer que essa Bíblia tem um certo valor sentimental, pois nela tenho muitas anotações. Contudo, havia mais um motivo de peso para encontrá-la. Durante a mudança, eu havia deixado dentro da Bíblia um envelope com uma quantia em dinheiro para pagamento de algumas contas. Então, quando a Bíblia sumiu, a preocupação apareceu. Afinal, como eu pagaria minhas contas?
Comecei a revirar tudo. Me senti como a mulher que procurava a dracma perdida. Já era madrugada, e quem estava aqui em casa talvez tenha se supreendido ao ver meu empenho em achar uma Bíblia naquele horário. Só uma pessoa com muita fome da Palavra poderia estar fazendo aquilo.
Depois de procurar em quase todos os lugares, decidi dormir para que conseguisse acordar o mais cedo possível e ir à casa antiga, a fim de encontrar essa Bíblia lá. No dia seguinte, antes de sair, resolvi procurar mais uma vez. Então percebi que havia uma pequena caixa que eu ainda não havia aberto. Quando a abri, para minha alegria, lá estava a Bíblia. E para o meu alívio, lá estava o envelope.
Então, voltei ao quarto para dormir mais um pouco. Mas, assim que deitei, comecei a pensar sobre essa situação e a me perguntar se eu teria tal empenho em procurar a Bíblia apenas por ela mesma, já que Jesus nos disse: “Trabalhai, não pela comida que perece, mas pela que subsiste para a vida eterna” (Jo. 6:27). E também declarou: “Não só de pão viverá o homem, mas de toda palavra que procede da boca de Deus” (Mt. 4:4).
Nas Escrituras temos um tesouro de inestimável valor. João nos diz, em seu Evangelho, que relatou a vida de Jesus para que creiamos que este é o Filho de Deus, e assim tenhamos vida (Jo. 20:31). Já quanto à sua 1ª epístola, ele a escreveu para sabermos que temos a vida eterna (I Jo. 5:13). O Evangelho de Lucas foi escrito para que seu leitor tivesse plena certeza das verdades em que havia sido instruído (Lc. 1:1-3). Paulo nos diz que, para nossa segurança não se cansava de escrever as mesmas coisas (Fp. 3:1).
São incalculáveis as riquezas que encontramos na Bíblia, pois ela “é inspirada por Deus e útil para o ensino, para a repreensão, para a correção, para a educação na justiça, a fim de que o homem de Deus seja perfeito e perfeitamente habilitado para toda boa obra (II Tm. 3:16,17). Pela paciência e consolação que nela há, temos esperança (Rm. 15:4).
Poderíamos citar aqui vários benefícios que recebemos por meio das Escrituras. Mas experimentá-los é bem melhor do que saber sobre eles.
Que experimentemos das palavras de Deus, a tal ponto que possamos dizer que elas “são mais desejáveis do que ouro, mais do que muito ouro depurado; e são mais doces do que o mel e o destilar dos favos. Além disso, por eles se admoesta o teu servo; em os guardar, há grande recompensa” (Sl. 19:10,11).
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Uma visão muito interesante é apresentada em Apocalipse 7:9-17. Nela, João vê uma multidão, que não podia ser contada, sendo apascentada por um Cordeiro. Parece que as coisas estão invertidas, pois não é sempre que encontramos um rebanho de homens cujo pastor é um Cordeiro.
Contudo, essa visão traz à minha memória uma verdade confortadora: meu Pastor é um cordeiro e, portanto, não está alheio à minha realidade. Meu Senhor se fez homem, e não ignora minha condição humana.
Ele vivenciou a humanidade como jamais alguém havia vivenciado. Experimentou das nossas alegrias e das nossas tristezas. Foi um homem de dores, que sabe o que é padecer (Is. 53:3). Desde cedo soube o que é a rejeição e o desprezo. Experimentou o cansaço e o desgaste. Soube o que é a tristeza pela morte de uma pessoa querida. De seus inimigos recebeu o ódio, e de seus amigos o abandono no momento em que mais sofria. Pelas coisas que sofreu, o Senhor de todas as coisas aprendeu a obediência (Hb. 5:8).
Não há experiência humana que Jesus não conheça, nem mesmo as nossas tentações. E por isso mesmo “naquilo que ele mesmo sofreu, tendo sido tentado, é poderoso para socorrer os que são tentados” (Hb. 2:18).
Das nossas experiências, a única que Ele não viveu foi o pecado, pois “não cometeu pecado, nem dolo algum se achou em sua boca” (I Pe. 2:22). Mas sua vida sem pecado não o fez menos humano do que nós. Pelo contrário: Ele foi o homem mais humano que já existiu. Os menos humanos somos nós. O homem foi criado à imagem de Deus e, portanto, a verdadeira humanidade consiste em expressar essa a imagem. O que está fora disso é desumano.
Somos fortalecidos quando nos lembramos dessas verdades. “Porque não temos sumo sacerdote que não possa compadecer-se das nossas fraquezas; antes, foi ele tentado em todas as coisas, à nossa semelhança, mas sem pecado. Acheguemo-nos, portanto, confiadamente, junto ao trono da graça, a fim de recebermos misericórdia e acharmos graça para socorro em ocasião oportuna” (Hb. 4:15-16).
Nas palavras do Credo da Calcedônia: ” … se deve confessar um só e mesmo Filho, nosso Senhor Jesus Cristro, perfeito quanto à divindade, e perfeito quanto à humanidade; verdadeiramente Deus e verdadeiramente homem”.
Ele se fez homem, verdadeiramente homem. Portanto, diante disso nossos corações devem se encher de confiança. Afinal, nosso Pastor é um Cordeiro.
Cada um no seu lugar – parte 3
Post anterior: Cada um no seu lugar – parte 2 .
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Serviço, dons e ministérios são assuntos que não podem ficar de fora quando tratamos do tema humildade. Nessas questões não é difícil encontrarmos desequilíbrios. De um lado, há os que precisam ser constantemente relembrados do que Paulo escreveu aos Romanos: “digo a cada um dentre vós que não pense de si mesmo além do que convém” (Rm. 12:3). No lado oposto estão os que precisam ouvir o que Paulo disse à Timóteo: “Não te faças negligente para com o dom que há em ti” (I Tm. 4:14).
Deixar de exercer talentos e dons não expressa humildade. Afinal, Deus é glorificado quando manifestamos o que dEle temos recebido pois “Toda boa dádiva e todo dom perfeito são lá do alto, descendo do Pai das luzes” (Tg. 1:17). Quando alguém exerce seus dons consciente que isso não lhe é próprio, mas é algo que vem de Deus, esta pessoa pode dizer: “pela graça de Deus, sou o que sou” (I Co. 15:10).
Quem serve à Igreja deve sempre trazer à memória as palavras do Senhor: “Vós, porém, não sereis chamados mestres, porque um só é vosso Mestre, e vós todos sois irmãos. A ninguém sobre a terra chameis vosso pai; porque só um é vosso Pai, aquele que está nos céus. Nem sereis chamados guias, porque um só é vosso Guia, o Cristo. Mas o maior dentre vós será vosso servo. Quem a si mesmo se exaltar será humilhado; e quem a si mesmo se humilhar será exaltado” (Mt. 23:8-12).
Jesus não quis dizer que não há mestres no meio da Igreja (I Co. 12:28). Nem que não há pais na fé (I Co. 4:15). Mas Jesus chama nossa atenção para duas realidades. A primeira é a de que Ele é a origem de qualquer ministério. Foi Ele quem garantiu que edificaria Sua Igreja (Mt. 16:18), e é Ele mesmo que, cumprindo Sua Palavra, dá dons aos homens (Ef. 4:11). Portanto, só há mestres na Igreja se estes têm Jesus como mestre. Assim como só há pastores à medida que estes têm Jesus como pastor.
Nossa atenção também se volta para a realidade de que a Igreja (família de Deus) é ambiente para serviço abnegado, e não para a ostentação e auto-promoção. Há mestres e há pais no corpo de Cristo. Contudo, o que faz um pai ou um mestre não é a ostentação de um título. Quem é pai, pastor ou mestre o é sem que receba designações especial. Afinal, Jesus, sendo o Grande Pastor das Ovelhas (Hb. 13:20), o Sumo Pastor (I Pe. 5:4), o Pastor e Bispo das nossas almas (I Pe. 2:25) e o Apóstolo e Sumo Sacerdote da nossa confissão (Hb. 3:1), pode ser chamado apenas pelo Nome. Por que nós, simples mortais, exigimos ser tratados por títulos e impôr nossa pretensa autoridade?
O que faz um pastor não é a posição institucional que ocupa, mas sim o chamado e o fato de Deus lhe ter confiado ovelhas. De Deus vem o chamado e das ovelhas vem o reconhecimento. Paulo sabia disso, e disse aos coríntios: “Se eu não sou apóstolo para os outros, ao menos o sou para vós; porque vós sois o selo do meu apostolado no Senhor” (I Co. 9:2).
Quem é servido deve reconhecer isso com humildade. Paulo nos diz: “Agora, vos rogamos, irmãos, que acateis com apreço os que trabalham entre vós” (I Ts. 5:12). E, ao se referir aos que trabalham em prol da Igreja, nos ensina: “Reconhecei, pois, a homens como estes” (I Co. 16:17).
Ainda falando sobre o lugar de cada um no Corpo de Cristo, destaco o exemplo de Dorcas (At. 9:36-43). Em tempos de “megaministérios”, de buscas desenfreadas por honra e glória no meio chamado “gospel”, é importante lembrarmos do ministério dessa mulher. As Escrituras não relatam nenhum milagre que tenha realizado, nenhuma manifestação sobrenatural. Não era uma apóstola e nem mesmo profetisa. Não era uma conferencista internacional. Era uma costureira, uma simples costureira, que usava sua habilidade com os tecidos para servir aos santos. Contudo, esse serviço simples foi suficiente para fazer com que ela fosse ressuscitada por Pedro. Muitos dos que foram usados para realizar sinais não passaram por essa experiência. Mas Dorcas, com seu serviço simples, marcou a vida de muitos e veio a ressuscitar.
A vida de Dorcas nos ensina que devemos cumprir com fidelidade o serviço que recebemos do Senhor, mesmo que isso pareça simples ou não nos coloque em evidência. Se fizermos com consagração o que Deus nos deu a realizar, poderemos receber recompensas extraordinárias.
Portanto, lembremo-nos da palavra de Paulo ao seu amigo Arquipo: “atenta para o ministério que recebeste no Senhor, para o cumprires” (Cl. 4:17).
Da pena de um ateu convertido – C. S. Lewis
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Demônios
Há dois erros idênticos e opostos nos quais nossa espécie pode cair acerca dos demônios. Um é não acreditar em sua existência. O outro é acreditar e nutrir um interesse excessivo e doentio neles. Os próprios diabos ficam igualmente satisfeitos com ambos os erros e saúdam o materialista ou o mágico com o mesmo deleite.
Deus no centro
Só existe um único ser bom, e esse é Deus. Tudo o mais é bom quando olha para Ele e mau quando se afasta dele.
O amor de Deus
Quando é preciso suportar a dor, um pouco de coragem ajuda mais do que muito conhecimento, um pouco de simpatia humana tem mais valor do que muita coragem, e a menor expressão do amor de Deus supera tudo.
Humildade
A humildade perfeita dispensa a modéstia.
No fio da navalha
Num certo sentido, tão obscuro para o intelecto quanto insuportável para os sentimentos, podemos ser banidos da presença daquele que é onipresente e apagados da memória daquele que é onisciente. Podemos ficar totalmente, absolutamente de fora — repelidos, exilados, separados e eterna e indizivelmente ignorados. Por outro lado, podemos ser convidados, acolhidos, recebidos, reconhecidos. Andamos todos os dias no fio da navalha, entre essas duas incríveis possibilidades.
Amor verdadeiro
Nossa caridade deve ser um amor autêntico e precioso que se ressinta fortemente do pecado, mas ame o pecador — não mera tolerância ou indulgência que parodie o amor, como a leviandade parodia a alegria.
Tudo é transitório
Qualquer moralista nos dirá que o trinunfo pessoal de um atleta ou de uma dançarina é certamente provisório, mas o principal é lembrar que um império ou uma civilização são também transitórios.
Evangélicos e seus parlamentares
Na última sexta-feira, 09/10, li a notícia de que já foi aprovada na Câmara dos Deputados e já passou pela Comissão de Assuntos Econômicos do Senado um projeto de Lei que reconhece a música gospel como manifestação cultural brasileira. A aprovação final desse projeto faria com que movimentos ligados a esse gênero musical recebessem incentivos fiscais estabelecidos pela Lei de Incentivo à Cultura.
Essa notícia me fez lembrar outras duas anteriores. Uma, datada do mês de agosto, era sobre a aprovação pela Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania da Câmara de um projeto de Lei que cria o Dia Nacional do Evangélico em 30 de novembro. Inicialmente, esse projeto também colocava esse dia no calendário do Congresso Nacional, e por isso nele não haveria votações, mas apenas homenagens à religião evangélica. Contudo, essa medida foi considerada inconstitucional e retirada do projeto.
A outra, do mês de setembro, foi sobre a sanção pelo presidente Lula da lei que institui o Dia Nacional da Marcha para Jesus.
Notícias como as que citei sempre suscitam em mim pelo menos duas reflexões.
A primeira é sobre como as coisas seriam diferentes se a bancada evangélica sempre tivesse a consciência de que dos interesses da Igreja é o próprio Deus quem cuida e os estabelece. Portanto, antes de propôr leis que coloquem tais interesses sob a proteção e abrigo do poder público, que esses parlamentares agissem como Esdras: “Então, apregoei ali um jejum junto ao rio Aava, para nos humilharmos perante o nosso Deus, para lhe pedirmos jornada feliz para nós, para nossos filhos e para tudo o que era nosso. Porque tive vergonha de pedir ao rei exército e cavaleiros para nos defenderem do inimigo no caminho, porquanto já lhe havíamos dito: A boa mão do nosso Deus é sobre todos os que o buscam, para o bem deles; mas a sua força e a sua ira, contra todos os que o abandonam. Nós, pois, jejuamos e pedimos isto ao nosso Deus, e ele nos atendeu” (Esdras 8:21-23).
A segunda reflexão é sobre o quanto nosso país poderia ser mudado se os parlamentares evangélicos, antes de se ocuparem com a música gospel ou com homenagens à população evangélica, estivessem plenamente comprometidos em cumprir às orientações que o rei Lemuel recebeu: “Abre a boca a favor do mudo, pelo direito de todos os que se acham desamparados. Abre a boca, julga retamente e faze justiça aos pobres e aos necessitados” (Provérbios 31:8,9). Afinal, conhecer a Deus também é julgar a causa do aflito e do necessitado (Jeremias 22:15,16)
O tempo passa e, enquanto leis em benefício dos evangélicos têm sido aprovadas, minhas reflexões permanecem.
Em Cristo,


