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Archive for the ‘Ateísmo’ Category

O Universo, Stephen Hawking, Deus e Eu

setembro 14, 2010 4 comentários

Como você já teve ter visto, nestes últimos dias o físico inglês Stephen Hawking ocupou notícias de jornais e blogs em razão da publicação de seu novo livro “The Grand Design”. Nessa obra, Hawking descarta o papel de Deus na formação do Universo, afirmando que a Ciência já teria alcançado as respostas necessárias.

Entre as afirmações contidas no livro estão as seguintes:

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Dado que existe uma lei como a da gravidade, o Universo pôde criar-se e se cria a partir do nada”.

A criação espontânea é a razão por que há algo em lugar do nada, de por que existe o Universo e por que existimos.

Não é necessário invocar a Deus para acender o pavio e colocar o Universo em marcha”.

Diante das afirmações de Hawking, o físico Marcelo Gleiser, em editorial da Folha de S. Paulo, fez as seguintes observações:

A ideia dele, que já circula de formas diferentes desde os anos 70, vem do casamento da relatividade e da mecânica quântica para explicar a origem do Universo, isto é, como tudo veio do nada.

(…)

As teorias que Hawking e Mlodinow usam para basear seus argumentos -teorias-M, vindas das supercordas- têm tanta evidência empírica quanto Deus.

É lamentável que físicos como Hawking estejam divulgando teorias especulativas como quase concluídas. A euforia na mídia é compreensível: o homem quer ser Deus.

O desafio das teorias a que Hawking se refere é justamente estabelecer qualquer traço de evidência observacional, até agora inexistente. Não sabemos nem mesmo se essas teorias fazem sentido. Certas noções, como a existência de um multiverso, não parecem ser testáveis.

(…)

Como nos mostra a história da ciência, surpresas ocorrem a toda hora. Talvez esteja na hora de Hawking deixar Deus em paz.

Quanto a esse tema, a única coisa que tenho a dizer é que o Stephen Hawking pode tentar explicar o universo sem Deus. Mas explicar minha vida sem o meu Senhor seria impossível.

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A secularização e o novo ateísmo

Alguns incidentes ocorridos na Inglaterra  são demonstrações da crescente secularização que varre a Europa. Há um processo de eliminação das raízes religiosas desse continente, em especial as raízes cristãs.

No Reino Unido, uma funcionária de uma companhia aérea foi punida por insistir em usar uma jóia em forma de cruz, embora, estranhamente, o turbante do seu colega sikh e o véu de sua colega islâmica fossem tolerados. No fim de 2009, empresas inglesas receberem um guia, elaborado por organismos governamentais e empresariais, com recomendações para não deixarem de funcionar durante o Natal, não promoverem confraternizações e não usarem decoração com motivos religiosos.  O politicamente correto seria desejar “Boas Festas” e não “Feliz Natal”, a fim de não se fazer qualquer referência a Jesus.

Já aqui neste lado do Atlântico,  o Ministério Público de São Paulo propôs uma ação civil pública pedindo uma liminar que eliminasse símbolos religiosos, como os crucifixos, de edifícios públicos, em nome da laicicidade do Estado. Contudo, essa ação já foi indeferida pela Justiça Federal.

O que desperta a minha atenção não é a simples eliminação de objetos religiosos. Procuro observar o que está por trás de decisões como essas.

Sugiro o vídeo abaixo, onde Tim Keller faz algumas observações sobre o Novo Ateísmo. Vale a pena conferir.

A evidência das cavernas

janeiro 12, 2010 1 comentário
Autor: G. K. Chesterton
Fonte: livro O Homem Eterno
Via: blog Orthodoxia

Aqui só trato do caso concreto da caverna, como uma espécie de símbolo da verdade singela com que deve principiar a história. De tudo o que se descobriu nela, a única coisa que se revela de certo é que o homem sabia pintar quadrúpdes e os quadrúpedes não sabiam pintar homens. Se o homem que os pintava era tão animal como eles, ressalta como extraordinário que soubesse fazer o que eles não sabiam e não sabem. Se o homem, ainda, era um produto de crescimento biológico, como qualquer outro animal, também é de estranhar, sobremaneira, que em nada se pareça com aqueles seus semelhantes. (…) Há alguma coisa que separa fundamentalmente o homem dos animais. A arte é patrimônio do homem.

G.K. Chesterton


A aposta de Pascal

dezembro 28, 2009 2 comentários
Autor: Karl Heinz Kienitz
FonteSeção Opinião do site da revista Ultimato
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Num dos fragmentos da coletânea Pensées, o matemático, físico e filósofo Blaise Pascal (1623-1662) apresentou o que se conhece hoje como a aposta de Pascal. Trata-se de uma proposta de decisão, colocada na forma de uma aposta incontornável, isto é, da qual ninguém pode fugir. Esta aposta pode ser resumida da seguinte forma:

Como alguém que escolhe ser cristão pode perder? Se, ao morrer, constatar que Deus não existe e sua fé foi em vão, não perdeu nada — pelo contrário, viveu uma vida com mais percepção de sentido e esperança do que um descrente. Se, no entanto, há um Deus e um céu e um inferno, então ganhou o céu, ao passo que um descrente perdeu tudo.

Com sua aposta, Pascal não pretende provar a existência do Deus da Bíblia, como conjecturam alguns. Aliás, Pascal enfatiza num parágrafo introdutório que não se pode provar a existência de Deus pela razão. Em outro fragmento de Pensées ele explica que uma prova da existência de Deus precisa ser relacional: “Nós conhecemos Deus somente através de Jesus Cristo… Todos que afirmam conhecer Deus, e o provam sem Jesus Cristo, tem somente provas débeis. No coração de cada ser humano há um vazio dado por Deus, que somente ele pode preencher através de seu filho Jesus Cristo”.

Há os que criticam Pascal por desconsiderar a fé de outras religiões na aposta. Pascal o fez, presumivelmente porque no restante de Pensées (e em outras obras) examinou alternativas e concluiu que, se alguma fé está correta, seria a fé cristã.

Assim como Pascal, o físico e químico Michael Faraday (1791-1867) também escolheu ser cristão. Referindo-se a Jesus, Faraday disse a jornalistas durante entrevista: “Eu confio em certezas. Sei que meu Redentor vive, e porque ele vive eu também viverei”. O testemunho de Faraday ilustra como a aposta de Pascal já em vida pode resultar em certeza, a certeza inabalável da fé.

Karl Heinz Kienitz é doutor em engenharia elétrica pela Escola Politécnica Federal de Zurique, Suíça, em 1990, e professor da Divisão de Engenharia Eletrônica do Instituto Tecnológico de Aeronáutica. http://www.freewebs.com/kienitz

A propósito dos 200 anos de Robert Kalley

setembro 14, 2009 3 comentários

1No último dia 08, celebrou-se os 200 anos de nascimento do médico e missionário escocês Robert Reid Kalley, um dos pioneiros da evangelização protestante no Brasil e em Portugal. Do lado de cá do Atlântico, Kalley estabeleceu o primeiro trabalho de evangelização de caráter permanente e em língua portuguesa, uma vez que as tentativas anteriores ou não tiveram continuidade, ou foram destinadas a estrangeiros residentes no Brasil.

Tendo em vista esses 200 anos, quero chamar a atenção para uma personagem da história do Dr. Kalley que, apesar de anônima, mudou sua trajetória de vida.

Kalley nasceu em uma família cristã. Sua mãe faleceu quando ele ainda era criança, e por isso foi criado por seu padrasto, de quem testemunhou dizendo: “Durante minha infância… fiquei debaixo da tutela de um homem de valor… ele foi para mim um verdadeiro pai”. Contudo, com o passar dos anos, Kalley se desfez de sua formação cristã, tendo abraçado o ateísmo declarado. Em certa ocasião, Kalley escreveu:  

“Um coração mau e más companhias varreram tudo. As especulações da Filosofia e da Ciência (falsamente chamada) contrariavam todos os esforços do meu padrasto e cegaram o meu entendimento de tal maneira que não me era mais possível crer na existência de Deus. Parec3ia-me uma coisa nobre ser libertado da superstição e do fanatismo que a crença impunha à alma humana. Aqueles que faziam profissão de religião, eu considerava imbecis, ou, então, embusteiros, e desprezava-os a todos. Quando moço ainda, estudava várias ciências, admirava as maravilhas dos seres microscópicos, meditava na distância, a magnitude e na velocidade dos orbes. Vendo tudo isso, eu me achava impossibilitado de abraçar as idéia de um Deus, um Ser Supremo. Por muitos anos não cri em sua existência. Parecia-me impossível crer na real existência de um Ser, dotado de vida eterna, cuja ciência compreende tudo no universo e cujo poder impele os astros e, ao mesmo tempo, forma os delicadíssimos membros de um animalículo microscópicos”.

Contudo, o ano de 1835 foi marcado por uma profunda mudança na vida de Kalley: Ele abraçou a fé e tornou-se cristão. Mas como se deu essa mudança? Porto Filho relata a conversão da Kalley:

“Tinha sido chamado para atender a uma pobre e piedosa velhinha, presa de cruel e incurável enfermidade. Examinando-a, … ficou impressionado com o espírito de paciência e conforto íntimo com que a enferma suportava os sofrimentos …, e a tranquilidade com que via a morte aproximar-se inexoravelente. Terminada a visita e prestes a retirar-se, a doente pediu-lhe o favor de abrir o armário … e entregar-lhe o pão ali guardado e que lhe seria a refeição naquela hora. Ele o fez: encontrou um pedaço de pão seco, que depositou na mão da enferma. Esta, ao receber a migalha tão pobre, fechou os olhos, depois de um leve agradecimento ao Doutor, e deu graças a Deus pela comida. O médico sentiu um profundo abalo emocional: Como podia aquela anciã agradecer a Deus – ao seu Deus – por comida tão escassa e tão seca? Como podia ser tão tranqülila em tais desconfortos, tão serena e confiante em tantos sofrimentos? Procurou saber o motivo dessa atitude, … e ela, …declarou com toda a candura, que toda aquela paciência … vinha do fato de ser crente em Jesus e de sua leitura piedosa e diária das Santas Escrituras”.

Dez anos depois, Kalley declarou: “Quando senti, satisfeito, … que há um Deus, que este Livro (apontando para a Bíblia) é de Deus, então senti também que cada cristão é chamado a entrar naquele campo de atividade em que melhor possa usar para Deus todos os talentos que ele lhe deu. E, quanto a mim, tenho pensado de que maneira, como médico cristão, posso melhor servir ao Filho de Deus”

Essa velhinha anônima marcou profundamente a vida de Kalley. Com sua atitude demonstrou o supremo valor de Cristo. O Senhor Jesus é engrandecido quando lidamos com aquilo que temos de tal forma que fique claro e evidente ao mundo que nosso tesouro não estão nessas coisas, mas em Cristo. Portanto, na abundância de algo, devemos demonstrar que não estamos apegados a isso, mas a Cristo. E na escassez, devemos continuar demonstrando nosso apego à Cristo, expressando contentamento, pois nEle somos completos, plenos.

Afinal, de nada valerá estar preparado para responder a razão da esperança que há em nós, se o mundo não enxergar em nós uma esperança diferentes (I Pedro 3:15). O mundo não pedirá a razão da nossa esperança se não perceber que nossa esperança não está nas coisas visíveis. Se nossa esperança se resumir apenas às coisas terrenas, somos os mais miseráveis dentre os homens. Mas, podemos por nossos olhos em Deus e expressar ao mundo o supremo valor e  grandeza que Cristo se tornou para nós.

Anderson Paz

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Para prosseguir com essa reflexão, sugiro o vídeo abaixo, de John Piper.