Início > Anderson Paz, Política > Evangélicos e seus parlamentares

Evangélicos e seus parlamentares

CongressoNa última sexta-feira, 09/10, li a notícia de que já foi aprovada na Câmara dos Deputados e já passou pela Comissão de Assuntos Econômicos do Senado um projeto de Lei que reconhece a música gospel como manifestação cultural brasileira.  A aprovação final desse projeto faria com que movimentos ligados a esse gênero musical recebessem incentivos fiscais estabelecidos pela Lei de Incentivo à Cultura.

Essa notícia me fez lembrar outras duas anteriores. Uma, datada do mês de agosto, era sobre a aprovação pela Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania da Câmara de um projeto de Lei que cria o Dia Nacional do Evangélico em 30 de novembro.  Inicialmente, esse projeto também colocava esse dia no calendário do Congresso Nacional, e por isso nele não haveria votações, mas apenas homenagens à religião evangélica. Contudo, essa medida foi considerada inconstitucional e retirada do projeto.

A outra, do mês de setembro, foi sobre a sanção pelo presidente Lula da lei que institui o Dia Nacional da Marcha para Jesus.

Notícias como as que citei sempre suscitam em mim pelo menos duas reflexões.

A primeira é sobre como as coisas seriam diferentes se a bancada evangélica sempre tivesse a consciência de que dos interesses da Igreja é o próprio Deus quem cuida e os estabelece. Portanto, antes de propôr leis que coloquem tais interesses sob a proteção e abrigo do poder público,  que esses parlamentares agissem como Esdras: “Então, apregoei ali um jejum junto ao rio Aava, para nos humilharmos perante o nosso Deus, para lhe pedirmos jornada feliz para nós, para nossos filhos e para tudo o que era nosso. Porque tive vergonha de pedir ao rei exército e cavaleiros para nos defenderem do inimigo no caminho, porquanto já lhe havíamos dito: A boa mão do nosso Deus é sobre todos os que o buscam, para o bem deles; mas a sua força e a sua ira, contra todos os que o abandonam. Nós, pois, jejuamos e pedimos isto ao nosso Deus, e ele nos atendeu” (Esdras 8:21-23).

A segunda reflexão é sobre o quanto nosso país poderia ser mudado se os parlamentares evangélicos, antes de se ocuparem com a música gospel ou com homenagens à população evangélica, estivessem plenamente comprometidos em cumprir às orientações que o rei Lemuel recebeu: “Abre a boca a favor do mudo, pelo direito de todos os que se acham desamparados. Abre a boca, julga retamente e faze justiça aos pobres e aos necessitados” (Provérbios 31:8,9). Afinal, conhecer a Deus também é julgar a causa do aflito e do necessitado (Jeremias 22:15,16)

O tempo passa e, enquanto leis em benefício dos evangélicos têm sido aprovadas,  minhas reflexões permanecem.

Em Cristo,

Anderson Paz

Anúncios
  1. outubro 15, 2009 às 9:41 am

    Anderson, excelente reflexão essa. Gostei muito do que você disse e creio como você: se a bancada evangélica se preocupasse com justiça de fato, ela seria lembrada não pelos absurdos, mas pela retidão.

    Mais uma vez, parabéns.

    Eduardo

  2. outubro 15, 2009 às 9:50 am

    Nossa, cara… dessa eu não estava sabendo! Puts…

    De fato, eles fazem tais coisas para maquiar sua verdadeira postura no congresso: a inatividade.

    Pleitear por justiça, lutar contra a corrupção, denunciar o erro… isso tudo é muito trabalhoso. Por isso eles seguem por outras vias.

    Até mais. Abraço!

  3. outubro 15, 2009 às 10:39 am

    Isso me lembra o que acontece aqui em Manaus.
    A bancada evangélica na Câmara é conhecida pela intolerância e por tentar ao máximo não possibilitar que nada de bom aconteça com os homossexuais ou prostitutas.
    Uma lei iria sair que protegia os homossexuais dos espancamentos que ocorrem nas ruas. Os evangélicos disseram que se eles são gays é por escolha, então que aguentem os massacres.
    Me entristece ver que quando a gente poderia estar ali fazendo diferença por buscar a justiça e ajudar os menos favorecidos, estamos lá querendo benefícios e mais benefícios.

  4. Ideraldo C Assis
    outubro 15, 2009 às 1:42 pm

    Entender a natureza do chamado, a soberana vocação, parece ser a real necessidade da igreja. Principalmente, a daqueles que deveriam usar da política mesmo não sendo dela.(1co7:31) Poderiam ser realmente usados por Deus pro interesse do Reino.Esse deve ser um motivo de interecessão nosso!

  5. Sandro Lourenço.
    outubro 17, 2009 às 12:51 am

    Quanto a este tema só tenho uma posição:

    1 Timóteo 2:1.4

    1 Admoesto-te, pois, antes de tudo, que se façam deprecações, orações, intercessões, e ações de graças, por todos os homens;
    2 Pelos reis, e por todos os que estão em eminência, para que tenhamos uma vida quieta e sossegada, em toda a piedade e honestidade;
    3 Porque isto é bom e agradável diante de Deus nosso Salvador,
    4 Que quer que todos os homens se salvem, e venham ao conhecimento da verdade.

    Sandro Lourenço.

  6. Tonax
    fevereiro 2, 2010 às 3:20 pm

    ótima reflexão!

  1. outubro 15, 2009 às 11:26 am
  2. outubro 28, 2010 às 9:25 am

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s