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O governo Dilma e os evangélicos (2)

novembro 2, 2010 6 comentários
Continuação do post O governo Dilma e os evangélicos (1)
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@brauliaribeiro Ganhe quem ganhar uma certeza podemos ter: O presidente não é a resposta p/ os problemas do Brasil. Nós somos.

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O processo eleitoral mostrou também a capacidade de mobilização de segmentos da população evangélica quando se trata de preservar sua liberdade religiosa. Uma enxurrada de e-mails foi disseminada conclamando o povo evangélico a não votar em Dilma Rousseff, visto que a candidata seria favorável à PL 122 (lei da homofobia), o que colocaria em risco a liberdade de crença, além do fato de que ela seria favorável ao aborto.

Contudo, fico a pensar no seguinte: os evangélicos demonstraram grande mobilização em defender sua liberdade, que talvez ficaria em risco com a eleição de Dilma, mas não se vê nada semelhante por parte de muitos evangélicos quanto à condenação de certas práticas pecaminosas que permeiam nossa sociedade. Não se vê, por exemplo, a disseminação de informações acerca de candidatos acusados de corrupção. E todos os dias crianças morrem nesse país pois a verba que poderia ser destinada à saúde vaza pelos ralos da corrupção. Ora, se a divulgação de dados sobre Dilma teria como propósito defender os valores do Reino de Deus, seria interessante que isso se fizesse também em relação a políticos que se encontram presos a pecados como o da corrupção.

Toda a mobilização anti-Dilma mostra o quanto os evangélicos brasileiros são capazes de agir em favor de sua liberdade. Mas, como seria bom se aplicassem igual ânimo em promover os valores do Reino de Deus em todas as dimensões sociais. Não quero com isso defender um envolvimento institucional da Igreja com o processo político. Desejo apenas que cada cristão desse país se comprometa a ser a resposta que nosso povo precisa, a qual não está nos políticos. Afinal, Cristo em nós é a esperança da glória.

Não sejamos medíocres atuando apenas para promover nossa liberdade religiosa. Atuemos sempre para promover a liberdade que há em Cristo Jesus, por meio da pregação do Evangelho, mesmo que para isso não tenhamos liberdade religiosa.

Diante de um possível risco de termos a liberdade de crença limitada, deveríamos transmitir a mesma certeza, convicção, tranquilidade e confiança que os amigos de Daniel transmitiram ao rei Nabucodonosor antes de serem jogados na fornalha: “Se formos atirados na fornalha em chamas, o Deus a quem prestamos culto pode livrar-nos, e ele nos livrará das suas mãos, ó rei. Mas, se ele não nos livrar, saiba, ó rei, que não prestaremos culto aos seus deuses nem adoraremos a imagem de ouro que mandaste erguer” (Dn. 3:17,18).

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O governo Dilma e os evangélicos (1)

novembro 1, 2010 8 comentários

@andersonpaz Apesar de nossas posições individuais, Dilma é agora a presidente eleita do Brasil. Que Deus lhe conceda graça e sabedoria. #Oremos

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Na madrugada de hoje, assim que tuitei a frase acima, recebi um pedido da @MissWesleyana para comentar a nova realidade do nosso país a partir de uma perspectiva bíblica.

Talvez, o que vou dizer aqui não agrade a todos, pois não parece em nada inovador. Alguns podem discordar de mim e considerar-me conservador. Mas, como “minha consciência está cativa à Palavra de Deus” (utilizando-me de uma frase de Lutero), não posso falar qualquer coisa sobre o resultado dessas eleições sem partir da verdade contida em Romanos 13:1 – “Todos devem sujeitar-se às autoridades governamentais, pois não há autoridade que não venha de Deus; as autoridades que existem foram por ele estabelecidas”.

É interessante e surpreendente observar que a afirmação de Paulo surge num contexto em que havia perseguição contra a Igreja, perseguição da qual o próprio Paulo se tornaria vítima. E ainda assim, Paulo não se demove da fé de que Deus é Soberano, e que as autoridades são constituídas por Ele.

A declaração de Paulo não está isolada no Novo Testamento, mas encontra ressonância nas palavras de Pedro, apóstolo que também seria vítima da perseguição movida pelas autoridades: “Por causa do Senhor, sujeitem-se a toda autoridade constituída entre os homens” (I Pe. 1:13a). Além disso, esse ensino parte do próprio Senhor Jesus, quando disse a Pilatos: “Não terias nenhuma autoridade sobre mim, se esta não te fosse dada de cima” (Jo. 19:11).

Deus é soberano, e não vou tentar reduzir Sua soberania por causa de minhas posições políticas individuais. E, como declarou a senadora Marina Silva, com brilhantismo e sabedoria: “A ministra Dilma era a candidata de uma parte dos brasileiros. A partir de agora, é a presidente eleita de todos nós nos próximos 4 anos”.

Uma vez que Dilma será a presidente do Brasil, qual é a nossa responsabilidade para com ela? Paulo responde isso dizendo:

Antes de tudo, recomendo que se façam súplicas, orações, intercessões e ação de graças por todos os homens; pelos reis e por todos os que exercem autoridade, para que tenhamos uma vida tranqüila e pacífica, com toda a piedade e dignidade. Isso é bom e agradável perante Deus, nosso Salvador” (I Tm. 2:1-3).

Temos o mandamento apostólico para que oremos pelas autoridades.

Durante essas eleições, vimos a participação ativa de alguns segmentos evangélicos tentando impedir a eleição de Dilma. Foi intensa a divulgação de informações, muitas delas verdadeiras, nem todas precisas, e algumas até mesmo falsas, contra Dilma. Contudo, fico pensando em como seria bom se cada pessoa que se declara evangélica passass a orar pelas autoridades, inclusive a Dilma e seu vice, Michel Temer, com igual ou maior intensidade com que se dedicaram a fazer campanha anti-Dilma. Nunca vi tanta mobilização por parte dos evangélicos para tentar inviabilizar uma candidatura, mas infelizmente nunca vi mobilização igual para interceder pelas autoridades.

Continua no post O governo Dilma e os evangélicos (2).

 

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