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A evidência das cavernas

janeiro 12, 2010 1 comentário
Autor: G. K. Chesterton
Fonte: livro O Homem Eterno
Via: blog Orthodoxia

Aqui só trato do caso concreto da caverna, como uma espécie de símbolo da verdade singela com que deve principiar a história. De tudo o que se descobriu nela, a única coisa que se revela de certo é que o homem sabia pintar quadrúpdes e os quadrúpedes não sabiam pintar homens. Se o homem que os pintava era tão animal como eles, ressalta como extraordinário que soubesse fazer o que eles não sabiam e não sabem. Se o homem, ainda, era um produto de crescimento biológico, como qualquer outro animal, também é de estranhar, sobremaneira, que em nada se pareça com aqueles seus semelhantes. (…) Há alguma coisa que separa fundamentalmente o homem dos animais. A arte é patrimônio do homem.

G.K. Chesterton


Sobre homens e animais

fevereiro 25, 2009 2 comentários

A comemoração dos 200 anos de nascimento do naturalista britânico Charles Darwin e dos 150 anos da publicação de sua obra “A Origem das Espécies” ganharam amplos divulgação na imprensa em geral.  Darwin, com sua teoria sobre a evolução das espécies, tem sido celebrado como um dos maiores cientista do século XIX.

Devido à essas comemorações, o debate entre evolucionismo e criacionismo está ganhando evidência em vários espaços, tanto seculares quanto religiosos. O telejornal Bom dia Brasil, da TV Globo, levou ao ar uma série de reportagens que tratavam sobre o tema.   O mesmo tema foi tratado por muitos outros jornais e programas. O Vaticano não deixou o assunto de lado, e no mês de março realizará uma conferência em que cientistas, filósofos e teólogos discutirão a compatibilidade entre o darwinismo e os ensinos católicos.

Sobre esses debates que sido promovidos recomendo dois artigos:  “Do Dogmatismo Evolucionista”, escrito por Robinson Cavalcanti, e “Ideias de Darwin”, escrito por Karl Heinz Kientz. Ambos foram publicados no site da Editora Ultimato.

Não pretendo usar este espaço para esse debate, mas quero reproduzir aqui um trecho do livro Ortodoxia, de G. K. Chesterton [1], publicado no início do século XX. No referido texto, Chesterton comenta que entre as razões pelas quais muitos homens estavam abandonando o Cristianismo estava “a convicção de que os homens, com sua forma, estrutura e sexualidade, são no fim das contas muito semelhantes às feras, uma simples varidade do reino animal”. Acerca dessa convicção, Chesterton escreve o seguinte:

“Se você parar de olhar para livros sobre os animais e os homens e começar a olhar diretamente para os animais e os homens (…), você observará que o que assusta não é o quanto o homem se assemelha aos animais, mas quanto ele difere deles. É a monstruosa escala de sua divergência que exige explicação. Que o homem e os animais são iguais é, num certo sentido, um truísmo; mas que, sendo tão iguais, eles sejam tão disparatadamente desiguais, esse é o choque e o enigma.

O fato de um macaco ter mãos é muito menos interessante para o filósofo do que o fato de que, tendo mãos, ele não faz quase nada com elas; não estala os dedos, nem toca violino; não entalha o mármore, nem trincha costeletas de carneiro. Fala-se de arquitetura bárbara e de arte inferior. Mas os elefantes não constroem colossais templos de marfim nem mesmo no estilo rococó; os camelos não pintam nem mesmo quadros ruins, embora sejam equipados de muitos pincéis de pelo de camelo.

Certos sonhadores modernos dizem que as formigas têm uma organização social superior à nossa. Elas têm de fato uma civilização; mas exatamente essa verdade só nos faz lembrar de que é uma civilização inferior. Quem jamais descobriu um formigueiro decorado com estátuas de formigas famosas? Quem já vu uma colmeia na qual estavam esculpidas as imagens de esplêndidas rainhas de outrora?

Não; o abismo entre o homem e as outras criaturas pode ter uma explicação natural, mas é um abismo. Falamos de animais selvagens; mas o único animal selvagem é o homem. Foi o homem que se evadiu. Todos os outros animais são domésticos e seguem a inflexível respeitabilidade de sua tribo ou espécie. Todos os outros animais são domésticos; apenas o homem é sempre indômito, seja ele um devasso, seja ele um monge”.

Apesar de ter sido escrito há mais de 100 anos, o texto de Chesterton continua levantando as questões que o darwinismo e o neodarwinismo ainda não conseguiram responder. De onde vem essa capacidade do homem de fazer, criar e transformar? De onde vem a percepção do belo, das artes, da música? De onde vem a capacidade de trabalhar com as palavras, fazer poesia, e ter deleite nisso? De fazer filosofia e produzir ciência? Essas e muitas outras perguntas não têm sido respondidas ao longo desses 150 anos da teoria darwiniana.

Contudo, há respostas para essas perguntas. Elas estão nAquele que tem respostas para tudo.

“Os céus declaram a glória de Deus e o firmamento anuncia a obra das suas mãos” (Sl. 19:1).

[1] G. K. Chesterton, Ortodoxia, pg. 235,236. Ed. Mundo Cristão

Anderson Paz

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