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Archive for the ‘Vida Cristã’ Category

O frasco de perfume quebrou…

Novembro 4, 2009 andersonpaz 5 comentários

perfumeNestes últimos dias, estive lembrando de uma das viagens que fiz à Blumenau no fim do ano passado, e especialmente de um incidente que se tornou objeto de algumas reflexões. Poucos dias antes dessa viagem, eu havia comprado um perfume. E, ao arrumar a mala, por um descuido, coloquei esse perfume em um lugar que, se a mala caísse, o frasco poderia se quebrar. E foi o que ocorreu. Assim que chegamos à casa onde ficamos hospedados, por um acidente a mala caiu, e o frasco se despedaçou. E eu ainda não havia feito o pagamento pelo perfume.

Mas isso me fez pensar sobre o que as Escrituras falam sobre perfume. Lembrei-me que somos o bom perfume de Cristo. Recordei da mulher que derramou nardo puro aos pés de Jesus. Contudo, antes de dormir, quando peguei minha Bíblia, percebi que a leitura programada para aquele dia começava em Êxodo 30, cujo tema é o altar do incenso. E então comecei a pensar sobre perfume e incenso. Mas, qual é a relação entre uma coisa e outra? Toda, já que no vers. 35, depois de falar sobre a composição do incenso, o Senhor diz: “e disto farás incenso, perfume segundo a arte do perfumista”.

E o que incenso e perfume tem a ver com nossa vida cristã cotidiana? Tudo. Davi nos ajuda a enxergar essa relação quando diz: “Suba à tua presença a minha oração, como incenso, e seja o erguer de minhas mãos como oferenda vespertino” (Sl. 141:2). E João nos diz que as orações dos santos são recebidas como incenso (Ap. 5:8). Oração deve marcar todos os nossos dias.

Queimar incenso era uma honra própria e exclusiva dos sacerdotes. Ezequias animou a estes no exercício dessa tarefa:  “Filhos meus, não sejais negligentes, pois o SENHOR vos escolheu para estardes diante dele para o servirdes, para serdes seus ministros e queimardes incenso” (2 Cr.29:11). Quando o rei Uzias, movido por orgulho, entrou no Templo para queimar incenso, foi repreendido pelos sacerdotes, pois apenas a estes competia tal tarefa. Por não ter recebido a repreensão, Uzias foi ferido de lepra.

Contudo, Malaquias havia profetizado que em toda a Terra se queimaria incenso ao Senhor: “Mas desde o nascente do sol até ao poente é grande entre os gentios o meu nome; e em todo o lugar se oferecerá ao meu nome incenso, … porque o meu nome é grande entre os gentios, diz o SENHOR dos Exércitos” (Ml. 1:11). E a realização dessa profecia se tornou possível através de Jesus, pois por causa dEle todos nós nos tornamos sacerdotes: “Mas vós sois … o sacerdócio real” (I Pe. 2:8).

Recebemos o privilégio e a responsabilidade de queimar incenso ao Senhor, o incenso das nossas orações. Confesso que tenho sido negligente e faltoso para com esse chamado. Deus quer receber as minhas orações. Afinal, por meio das orações confessamos “a estreiteza de nossos recursos e a extrema largueza dos recursos do poder e do amor de Deus” [1]. A oração é uma marca na vida daquele que sabe que nada pode fazer sem Jesus.

Quero apresentar perfume a Deus todos os dias, e não apenas quando pressionado pela força das circunstâncias, quando o frasco de perfume se quebra. Não quero orar apenas quando as coisas estão difíceis e sou forçado a pedir socorro a Deus. Quero que Deus me encontre todos os dias em oração.

Após quase um ano depois que o frasco de perfume se quebrou, avalio que meu avanço nesse ponto foi tímido. Ainda há um grande terreno a percorrer. Há muita coisa a conhecer através da oração. Contudo, estou decidido avançar, produzindo frutos dignos de arrependimento, e viver uma vida cada vez mais dependente do Senhor.

Anderson Paz

A loucura da oração

Novembro 2, 2009 andersonpaz 2 comentários

prayOração foi o tema dos encontros que tivemos aqui em casa ontem. Conversamos sobre a oração como forma de expressarmos nossa dependência de Deus. Motivado por esses encontros, decidi compartilhar durante esta semana alguns temas sobre oração aqui no blog.

Em seu livro Práticas Devocionais, Elben M. Lenz César escreve o seguinte sobre o tema [1]:

“A oração parace uma decantada loucura. Como pode o homem comunicar-se com o próprio Deus em qualquer tempo, em qualquer lugar e em qualquer situação, se este é o Senhor de todo o Universo e aquele, um miserável habitante de um pequeno planeta que integra o sistema solar, que por sua vez é somente uma parte minúscula de uma galáxia chamada Via-Láctea, composta de mais de 100 bilhões de estrelas relativamente semelhantes ao Sol? O espanto é muito maior quando se sabe que existem 100 bilhões de galáxias …, além dos distantes e brilhantes quasares!

Mesmo não havendo seres inteligentes senão neste modesto planeta, como pode Deus ouvir as orações diárias que, pelo menos, os 1,6 bilhão de cristãos lhe dirigem?”

A essa pergunta, C. S. Lewis busca responder no vídeo abaixo.

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[1] – CÉSAR, Elben M. Lenz. Práticas Devocionais: Ultimato.

O dia em que perdi a Bíblia

Outubro 25, 2009 andersonpaz 6 comentários

bíbliaChegamos à nossa nova casa há pouco mais de três meses. Recentemente estive me lembrando do dia da nossa mudança, que foi marcante em pelo menos dois aspectos. Primeiramente pelo stress de toda mudança, mas também pela preocupação que me veio por pensar que havia perdido minha Bíblia.

Logo que comecei a arrumar minhas coisas, percebi que minha Bíblia havia desaparecido. Então comecei a revirar tudo para encontrá-la. Posso dizer que essa Bíblia tem um certo valor sentimental, pois nela tenho muitas anotações. Contudo, havia mais um motivo de peso para encontrá-la. Durante a mudança, eu havia deixado dentro da Bíblia um envelope com uma quantia em dinheiro para pagamento de algumas contas. Então, quando a Bíblia sumiu, a preocupação apareceu. Afinal, como eu pagaria minhas contas?

Comecei a revirar tudo. Me senti como a mulher que procurava a dracma perdida. Já era madrugada, e quem estava aqui em casa talvez tenha se supreendido ao ver meu empenho em achar uma Bíblia naquele horário. Só uma pessoa com muita fome da Palavra poderia estar fazendo aquilo.

Depois de procurar em quase todos os lugares, decidi dormir para que conseguisse acordar o mais cedo possível e ir à casa antiga, a fim de encontrar essa Bíblia lá. No dia seguinte, antes de sair, resolvi procurar mais uma vez. Então percebi que havia uma pequena caixa que eu ainda não havia aberto. Quando a abri, para minha alegria, lá estava a Bíblia. E para o meu alívio, lá estava o envelope.

Então, voltei ao quarto para dormir mais um pouco. Mas, assim que deitei, comecei a pensar sobre essa situação e a me perguntar se eu teria tal empenho em procurar a Bíblia apenas por ela mesma, já que Jesus nos disse: “Trabalhai, não pela comida que perece, mas pela que subsiste para a vida eterna” (Jo. 6:27). E também declarou: “Não só de pão viverá o homem, mas de toda palavra que procede da boca de Deus” (Mt. 4:4).

Nas Escrituras temos um tesouro de inestimável valor. João nos diz, em seu Evangelho, que relatou a vida de Jesus para que creiamos que este é o Filho de Deus, e assim tenhamos vida (Jo. 20:31). Já quanto à sua 1ª epístola,  ele a escreveu para sabermos que temos a vida eterna (I Jo. 5:13). O Evangelho de Lucas foi escrito para que seu leitor tivesse plena certeza das verdades em que havia sido instruído (Lc. 1:1-3). Paulo nos diz que, para nossa segurança não se cansava de escrever as mesmas coisas (Fp. 3:1).

São incalculáveis as riquezas que encontramos na Bíblia, pois ela “é inspirada por Deus e útil para o ensino, para a repreensão, para a correção, para a educação na justiça,  a fim de que o homem de Deus seja perfeito e perfeitamente habilitado para toda boa obra (II Tm. 3:16,17). Pela paciência e consolação que nela há, temos esperança (Rm. 15:4).

Poderíamos citar aqui vários benefícios que recebemos por meio das Escrituras. Mas experimentá-los  é bem melhor do que saber sobre eles.

Que experimentemos das palavras de Deus, a tal ponto que possamos dizer que elas “são mais desejáveis do que ouro, mais do que muito ouro depurado; e são mais doces do que o mel e o destilar dos favos. Além disso, por eles se admoesta o teu servo; em os guardar, há grande recompensa” (Sl. 19:10,11).

Anderson Paz

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O mais humano dos homens

Outubro 22, 2009 andersonpaz 5 comentários

ovelhasUma visão muito interesante é apresentada em Apocalipse 7:9-17. Nela, João vê uma multidão, que não podia ser contada, sendo apascentada por um Cordeiro.  Parece que as coisas estão invertidas, pois não é sempre que encontramos um rebanho de homens cujo pastor é um Cordeiro.

Contudo, essa visão traz à minha memória uma verdade confortadora: meu Pastor é um cordeiro e, portanto, não está alheio à minha realidade. Meu Senhor se fez homem, e não ignora minha condição humana.

Ele vivenciou a humanidade como jamais alguém havia vivenciado. Experimentou das  nossas alegrias e das nossas tristezas. Foi um homem de dores, que sabe o que é padecer (Is. 53:3). Desde cedo soube o que é a rejeição e o desprezo. Experimentou  o cansaço e o desgaste. Soube o que é a tristeza pela morte de uma pessoa querida. De seus inimigos recebeu o ódio, e de seus amigos o abandono no momento em que mais sofria. Pelas coisas que sofreu, o Senhor de todas as coisas aprendeu a obediência (Hb. 5:8).

Não há experiência humana que Jesus não conheça, nem mesmo as nossas tentações. E por isso mesmo “naquilo que ele mesmo sofreu, tendo sido tentado, é poderoso para socorrer os que são tentados” (Hb. 2:18).

Das nossas experiências, a única que Ele não viveu foi o pecado, pois “não cometeu pecado, nem dolo algum se achou em sua boca” (I Pe. 2:22). Mas sua vida sem pecado não o fez menos humano do que nós. Pelo contrário: Ele foi o homem mais humano que já existiu. Os menos humanos somos nós. O homem foi criado à imagem de Deus e, portanto, a verdadeira humanidade consiste em expressar essa a imagem. O que está fora disso é desumano.

Somos fortalecidos quando nos lembramos dessas verdades. “Porque não temos sumo sacerdote que não possa compadecer-se das nossas fraquezas; antes, foi ele tentado em todas as coisas, à nossa semelhança, mas sem pecado. Acheguemo-nos, portanto, confiadamente, junto ao trono da graça, a fim de recebermos misericórdia e acharmos graça para socorro em ocasião oportuna” (Hb. 4:15-16).

Nas palavras do Credo da Calcedônia: ” … se deve confessar um só e mesmo Filho, nosso Senhor Jesus Cristro, perfeito quanto à divindade, e perfeito quanto à humanidade; verdadeiramente Deus e verdadeiramente homem”.

Ele se fez homem, verdadeiramente homem.  Portanto, diante disso nossos corações devem se encher de confiança. Afinal, nosso Pastor é um Cordeiro.

Anderson Paz

Cada um no seu lugar – parte 3

Outubro 20, 2009 andersonpaz 1 comentário
Post anterior: Cada um no seu lugar  – parte 2 .
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img1Serviço, dons e ministérios são assuntos que não podem ficar de fora quando tratamos do tema humildade.  Nessas questões não é difícil encontrarmos desequilíbrios. De um lado, há os que precisam ser constantemente relembrados do que Paulo escreveu aos Romanos: “digo a cada um dentre vós que não pense de si mesmo além do que convém” (Rm. 12:3). No lado oposto estão os que precisam ouvir o que Paulo disse à Timóteo: “Não te faças negligente para com o dom que há em ti” (I Tm. 4:14).

Deixar de exercer talentos e dons não expressa humildade. Afinal, Deus é glorificado quando manifestamos o que dEle temos recebido pois “Toda boa dádiva e todo dom perfeito são lá do alto, descendo do Pai das luzes” (Tg. 1:17). Quando alguém exerce seus dons consciente que isso não lhe é próprio, mas é algo que vem de Deus, esta pessoa pode dizer: “pela graça de Deus, sou o que sou” (I Co. 15:10).

Quem serve à Igreja deve sempre trazer à memória as palavras do Senhor: “Vós, porém, não sereis chamados mestres, porque um só é vosso Mestre, e vós todos sois irmãos. A ninguém sobre a terra chameis vosso pai; porque só um é vosso Pai, aquele que está nos céus. Nem sereis chamados guias, porque um só é vosso Guia, o Cristo. Mas o maior dentre vós será vosso servo. Quem a si mesmo se exaltar será humilhado; e quem a si mesmo se humilhar será exaltado” (Mt. 23:8-12).

Jesus não quis dizer que não há mestres no meio da Igreja (I Co. 12:28). Nem que não há pais na fé (I Co. 4:15). Mas Jesus chama nossa atenção para duas realidades. A primeira é a de que Ele é a origem de qualquer ministério. Foi Ele quem garantiu que edificaria Sua Igreja (Mt. 16:18), e é Ele mesmo que, cumprindo Sua Palavra, dá dons aos homens (Ef. 4:11). Portanto, só há mestres na Igreja se estes têm Jesus como mestre. Assim como só há pastores à medida que estes têm Jesus como pastor.

Nossa atenção também se volta para a realidade de que a Igreja (família de Deus) é ambiente para serviço abnegado, e não para a ostentação e auto-promoção. Há mestres e há pais no corpo de Cristo. Contudo, o que faz um pai ou um mestre não é a ostentação de um título. Quem é pai, pastor ou mestre o é sem que receba designações especial. Afinal,  Jesus, sendo o Grande Pastor das Ovelhas (Hb. 13:20), o Sumo Pastor (I Pe. 5:4), o Pastor e Bispo das nossas almas (I Pe. 2:25) e o Apóstolo e Sumo Sacerdote da nossa confissão (Hb. 3:1), pode ser chamado apenas pelo Nome. Por que nós, simples mortais, exigimos ser tratados por títulos e impôr nossa pretensa autoridade?

O que faz um pastor não é a posição institucional que ocupa, mas sim o chamado e o fato de Deus lhe ter confiado ovelhas. De Deus vem o chamado e das ovelhas vem o reconhecimento. Paulo sabia disso, e disse aos coríntios: “Se eu não sou apóstolo para os outros, ao menos o sou para vós; porque vós sois o selo do meu apostolado no Senhor” (I Co. 9:2).

Quem é servido deve reconhecer isso com humildade. Paulo nos diz: “Agora, vos rogamos, irmãos, que acateis com apreço os que trabalham entre vós” (I Ts. 5:12). E, ao se referir aos que trabalham em prol da Igreja, nos ensina:  “Reconhecei, pois, a homens como estes” (I Co. 16:17).

Ainda falando  sobre o lugar de cada um no Corpo de Cristo, destaco o exemplo de Dorcas (At. 9:36-43). Em tempos de “megaministérios”, de buscas desenfreadas por honra e glória no meio chamado “gospel”, é importante lembrarmos do ministério dessa mulher. As Escrituras não relatam nenhum milagre que tenha realizado, nenhuma manifestação sobrenatural. Não era uma apóstola e nem mesmo profetisa. Não era uma conferencista internacional. Era uma costureira, uma simples costureira, que usava sua habilidade com os tecidos para servir aos santos. Contudo, esse serviço simples foi suficiente para fazer com que ela fosse ressuscitada por Pedro. Muitos dos que foram usados para realizar sinais não passaram por essa experiência. Mas Dorcas, com seu serviço simples, marcou a vida de muitos e veio a ressuscitar.

A vida de Dorcas nos ensina que devemos cumprir com fidelidade o serviço que recebemos do Senhor, mesmo que isso pareça simples ou não nos coloque em evidência. Se fizermos com consagração o que Deus nos deu a realizar, poderemos receber recompensas extraordinárias.

Portanto, lembremo-nos da palavra de Paulo ao seu amigo Arquipo: “atenta para o ministério que recebeste no Senhor, para o cumprires” (Cl. 4:17).

Anderson Paz

Cada um no seu lugar – parte 2

Outubro 9, 2009 andersonpaz 1 comentário
Post anterior: Cada um no seu lugar  – parte 1 ….
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BARRA DO TRIBUNAL BATE O MARTELO

Como já foi dito no texto anterior, quando alguém tenta definir humildade, geralmente fala apenas do que uma pessoa humilde faz ou deixa de fazer, mas pouco fala daquilo que uma pessoa humilde é. Talvez seja essa a razão pela qual alguns costumam imprimir a qualidade de humilde à certos comportamentos que, à luz das Escrituras, não passam de covardia e omissão. Ou seja, são apenas manifestações de mero egoísmo. Certas atitudes que parecem humildes nascem de corações que de humildade não têm nada.

Um exemplo disso ocorre quando uma pessoa se esquiva de tratar do pecado de seu irmão, fazendo mau uso da verdade de que todos nós somos igualmente pecadores, e, portanto, não deveríamos repreender ninguém por seu pecado. Assim, a repreensão do pecado  seria um ato de soberba. Essa pessoa usa expressões como “errar é humano” ou “ninguém é perfeito”, além de fazer uma péssima leitura do mandamento “não julgueis, para que não sejais julgados” (Mt. 7:1). Digo que é uma péssima leitura, pois se esquece de ler o contexto em Jesus nos alerta para o fato de que será aplicado a nós os mesmo critérios pelos quais julgamos as pessoas. Portanto, quando repreendemos alguém, não devemos impor opiniões pessoais, mas apenas reproduzir a Palavra, uma vez que todos serão julgados por ela. Disso ninguém poderá escapar. Foi o próprio Jesus quem disse: “Se alguém ouvir as minhas palavras e não as guardar, eu não o julgo; porque eu não vim para julgar o mundo, e sim para salvá-lo. Quem me rejeita e não recebe as minhas palavras tem quem o julgue; a própria palavra que tenho proferido, essa o julgará no último dia” (Jo. 12:47,48). E a palavra de Jesus vinha do Pai (Jo. 8:28). É por isso que Jesus nos diz: “Não julgueis segundo a aparência, mas julgai segundo a reta justiça” (Jo. 7:24).

Assim, é melhor que nosso irmão saiba hoje o que Deus diz sobre o pecado, para que naquele Dia ele não tenha que ouvir o veredito: “Apartai-vos de mim, os que praticais a iniqüidade” (Mt. 7:23).

Nosso pecado não nos deixa irresponsáveis diante do pecado dos outros. A existência de uma trave em meu olho não me isenta de tirar o argueiro no olho do meu irmão, pois Jesus nos ordena: “tira primeiro a trave do teu olho e, então, verás claramente para tirar o argueiro do olho de teu irmão” (Mt. 7:5). Preciso tirar a trave do meu olho para que eu possa ajudar meu irmão. Não posso fingir que o problema não é comigo.

Aquele que, sabendo quem é, tem plena consciência de sua própria pecaminosidade, não  se omite diante do pecado dos outros. Antes, por se compadecer de seu irmão, o corrige com brandura, consciente de que está sujeito às mesmas tentações (Gl. 6:1). Esse homem sempre está atento à declaração de Paulo: “Aquele, pois, que pensa estar em pé veja que não caia” (I Co. 10:12).

Continuação: Cada um no seu lugar  – parte 3

Cada um no seu lugar

Outubro 5, 2009 andersonpaz 6 comentários

golgotaSe a soberba precede a ruína (Pv. 16:18), é a humildade que precede a honra (Pv. 15:33). Tal afirmação está em perfeita consonância com a declaração de Jesus: “qualquer que a si mesmo se exalta será humilhado, e qualquer que a si mesmo se humilha será exaltado” (Lc. 18:14).

Ontem, num encontro em que estávamos conversando sobre humildade, quando perguntei sobre a definição dessa virtude, a maior parte das respostas descrevia as atitudes que se espera de uma pessoa humilde: não menosprezar os outros, não fazer as coisas para ter destaque etc.. Mas foi difícil definir humildade numa frase. Afinal, como podemos defini-la?

Creio que encontramos a resposta para essa pergunta em Jesus, pois foi Ele mesmo que se colocou como modelo de humildade: “aprendei de mim, que sou manso e humilde de coração” (Mt. 11:29). Contudo, se colocar como padrão de humildade não é uma atitude que geralmente esperamos de uma pessoa humilde. E nossa dificuldade de compreender a humildade de Jesus se torna maior diante de declarações que Ele mesmo fez: “Quem ama o pai ou a mãe mais do que a mim não é digno de mim; e quem ama o filho ou a filha mais do que a mim não é digno de mim. E quem não toma a sua cruz, e não segue após mim, não é digno de mim. Quem achar a sua vida perdê-la-á; e quem perder a sua vida, por amor de mim, achá-la-á” (Mt. 10:37-39).

À luz da vida de Jesus, entendo que humildade é ter uma correta visão de si mesmo. É saber quem você é, ou seja, lava-pésse colocar no seu devido lugar. Por isso Jesus poderia dizer tudo o que disse a respeito de Si mesmo, expressando sua humilde. Ele, antes de lavar os pés de seus discípulos, sabia  que “o Pai tinha depositado nas suas mãos todas as coisas, e que havia saído de Deus e ia para Deus” (Jo. 13:3).

E nós? Quem somos? Em poucas palavras, como nos definiríamos?

Começo pela palavra pecador, pois é isso que sou antes de qualquer coisa: “Eis que em iniqüidade fui formado, e em pecado me concebeu minha mãe” (Sl. 51:5). Por natureza, sou merecedor da ira de Deus, um filho da desobediência, um inimigo de Deus. O publicano desceu para sua casa justificado ao assumiur essa realidade, declarando: “Ó Deus, sê propício a mim, pecador!” (Lc. 18:9-14).

Reconhecer-se pecador é mais do que uma simples declaração. A percepção que temos do nosso pecado é demonstrada de forma prática.

O homem que sabe que é pecador, age com prudência, com cautela, sempre vigilante, pois o pecado é uma relidade que nos cerca todo o dia (Hb. 12:1). Esse homem se desvia do mal (Pv. 16:17) e guarda a palavra que diz: “Foge das paixões da mocidade” (II Tm. 2:22).

O homem que conhece a humildade, não despreza quem está preso ao pecado, e não se considera imune a essa situação, pois sabe que é um homem sujeito às mesmas paixões (Tg. 5:17). Contudo, isso não é uma justificativa para a omissão diante do pecado dos outros, fazendo mau uso de afirmações como “errar é humano” ou “ninguém é perfeito”. Mas o humilde observa com zelo a orientação paulina: “Irmãos, se alguém for surpreendido nalguma falta, vós, que sois espirituais, corrigi-o com espírito de brandura; e guarda-te para que não sejas também tentado” (Gl. 6:1).

Esse homem é aberto para receber a repreensão, pois sabe que o Corpo de Cristo é ambiente para a admoestação mútua (Hb. 10:25), atitude que parte de corações cheios de bondade (Rm. 15:14). Ele também reconhece o chamado de Deus na vida de outros: “Agora, vos rogamos, irmãos, que acateis com apreço os que trabalham entre vós e os que vos presidem no Senhor e vos admoestam; e que os tenhais com amor em máxima consideração, por causa do trabalho que realizam. Vivei em paz uns com os outros” (I Ts. 5:12,13).

Sabemos que Deus nos chamou para a maturidade. Contudo, como crescer em Cristo sem cultivar a virtude da humildade? Devemos sempre nos lembrar que “Deus resiste aos soberbos, contudo, aos humildes concede a sua graça” (I Pe. 5:5).

Continuação: Cada um no seu lugar – parte 2

Não desperdice seu câncer

Setembro 21, 2009 andersonpaz Deixe um comentário

Recomendo a leitura do texto abaixo, escrito por John Piper. Talvez você não aceite bem a expressão seu câncer“, utilizada pelo autor, uma vez que Jesus levou sobre si as nossas enfermidades. Você pode não enxergar o câncer como uma bênção, como Piper enxerga. Mas o texto é riquíssimo e edificante. Vale a pena ler e pensar sobre isso.

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piper_oneday03_2“Estou escrevendo este texto na véspera da cirurgia de câncer de próstata à qual eu serei submetido. Creio no poder de Deus para curar—por meio de um milagre e da medicina. Sei que é certo e bom orar pelos dois tipos de cura.

O câncer não é desperdiçado ao ser curado por Deus. Diante da cura, Deus receberá a glória. Então, não orar pela cura do câncer, fará alguém desperdiçar o seu câncer. Mas a cura não é o plano de Deus para todos e nem por isso ele deixará de ser glorificado, pois sabemos que todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus.

Existem muitas outras formas de alguém desperdiçar seu câncer. Estou orando por mim e por você, para que não desperdicemos esta dor.

1. Você desperdiçará seu câncer caso não creia que isto foi planejado por Deus.

Não diga que Deus apenas usa nosso câncer, mas que não o planeja. O que Deus permite, ele o faz por uma razão. Por conseguinte, está razão é sua vontade.

Se Deus prevê desenvolvimentos moleculares tornando-se cancerígenos, ele pode deter isto ou não. Se não, ele tem um propósito. Por ser infinitamente sábio, é correto chamar este propósito de plano. Satanás é real e causa muitos prazeres e dores. Mas ele não é a causa última. Assim, quando ele atacou Jó com úlceras (Jó 2.7), Jó atribuiu-as a Deus (2.10), e o escritor inspirado concorda: “e o consolaram de todo o mal que o Senhor lhe havia enviado” (Jó 42.11). Se você não crê que seu câncer lhe foi planejado por Deus, você o desperdiçará.

2. Você desperdiçará seu câncer caso creia que ele é uma maldição, e não uma bênção.

“Portanto, agora nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus” (Romanos 8.1). “Cristo nos resgatou da maldição da lei, fazendo-se maldição por nós” (Gálatas 3.13). “Contra Jacó, pois, não há encantamento, nem adivinhação contra Israel” (Números 23.23). “Porquanto o Senhor Deus é sol e escudo; o Senhor dará graça e glória; não negará bem algum aos que andam na retidão.” (Salmos 84.11)

3. Você desperdiçará seu câncer caso procure conforto em suas chances de recuperação em vez de procurá-lo em Deus.

O plano de Deus em relação ao seu câncer não é treiná-lo no cálculo de chances racionalista e humano. O mundo consegue conforto em estatísticas. Os cristãos não. Aliás, nem devem. Alguns contam seus carros (porcentagens de sobrevivência) e outros contam seus cavalos (efeitos colaterais do tratamento), mas nós confiamos no nome do Senhor, nosso Deus (Salmos 20.7). O plano de Deus está claro em 2 Coríntios 1.9: “portanto já em nós mesmos tínhamos a sentença de morte, para que não confiássemos em nós, mas em Deus, que ressuscita os mortos”. O objetivo de Deus relativo ao seu câncer (entre várias outras coisas boas) é derrotar a autoconfiança em nosso coração para podermos descansar completamente nele.

4. Você desperdiçará seu câncer caso se recuse a pensar na morte.

Todos nós morreremos, caso Jesus não retorne em nossos dias. Não pensar sobre como seria deixar esta vida e encontrar Deus é tolice. Eclesiastes 7.2 diz: “Melhor é ir à casa onde há luto do que ir à casa onde há banquete; porque naquela se vê o fim de todos os homens, e os vivos o aplicam ao seu coração”. Como você pode aplicar esta verdade a seu coração se não pensa nela? O Salmos 90.12 diz: “Ensina-nos a contar os nossos dias de tal maneira que alcancemos corações sábios”. Contar seus dias significa pensar sobre quão poucos eles são e que terminarão. Como você conseguirá um coração sábio se você se recusa a pensar nisto? Que desperdício, caso não pensemos sobre a morte!

piper_oneday03_15. Você desperdiçará seu câncer caso pense que “vencê-lo” significa sobreviver e não aproximar-se de Cristo.

Os planos de Deus e os planos de Satanás para seu câncer não são os mesmos. Satanás deseja destruir seu amor por Cristo. Deus planeja aprofundá-lo. Da perspectiva do Reino, amarmos mais a Deus é mais importante do que sermos curados por ele. O câncer não vencerá se você morrer, apenas se você falhar em aproximar-se de Cristo. O plano de Deus para a sua vida é privá-lo do alimento do mundo e satisfazê-lo com a suficiência de Cristo. Isto tem o objetivo de ajudá-lo a dizer e a sentir: “tenho também como perda todas as coisas [inclusive a minha saúde e a minha vida!] pela excelência do conhecimento de Cristo Jesus, meu Senhor”. E saber, portanto, que “o viver é Cristo, e o morrer é lucro” (Filipenses 3.8; 1.21).

6. Você desperdiçará seu câncer caso gaste mais tempo lendo sobre o câncer do que sobre Deus e a sua Palavra.

Não é errado ler sobre o câncer. Ignorância não é virtude. Mas, o desejo de saber mais e mais, e a falta de zelo pelo conhecimento contínuo de Deus é sintomático no incrédulo. Da perspectiva de Deus, o objetivo do câncer é acordar-nos para a realidade de Deus, colocar sensações e força no mandamento “Conheçamos, e prossigamos em conhecer ao Senhor” (Oséias 6.3), acordar-nos para a verdade de Daniel 11.32: “O povo que conhece ao seu Deus se tornará forte, e fará proezas”, tornar-nos carvalhos indestrutíveis e firmes: “antes tem seu prazer na lei do Senhor, e na sua lei medita de dia e noite. Pois será como a árvore plantada junto às correntes de águas, a qual dá o seu fruto na estação própria, e cuja folha não cai; e tudo quanto fizer prosperará.” (Salmos 1.2, 3). Que desperdício será lermos dia e noite sobre o câncer e nada a respeito de Deus!

7. Você desperdiçará seu câncer caso se isole em vez de aprofundar seus relacionamentos, manifestando afeição.

Quando Epafrodito trouxe os presentes enviados pela igreja de Filipos para Paulo, ele ficou doente e quase morreu. Paulo diz aos filipenses: “porquanto ele tinha saudades de vós todos, e estava angustiado por terdes ouvido que estivera doente” (Filipenses 2.26). Que reação maravilhosa! Não diz que estavam angustiados porque Epafrodito estava doente, mas que ele estava angustiado porque os filipenses ouviram que ele estava doente. Este é o tipo de coração que Deus pretende criar com o câncer: o coração profundamente afetivo e preocupado com as pessoas. Não desperdice seu câncer voltando-se para si mesmo.

8. Você desperdiçará seu câncer caso se entristeça como quem não tem esperança.

Paulo usa esta expressão para designar pessoas cujos entes queridos haviam morrido: “Não queremos, porém, irmãos, que sejais ignorantes acerca dos que já dormem, para que não vos entristeçais como os outros que não têm esperança” (1Tessalonicenses 4.13). Existe tristeza na morte. Mesmo para o crente que morre, há uma perda temporária—a perda do corpo, de entes queridos e do ministério terreno. Mas a tristeza é diferente—é permeada pela esperança: “desejamos antes estar ausentes deste corpo, para estarmos presentes com o Senhor” (2 Coríntios 5.8). Não desperdice seu câncer ficando triste como quem não tem esta esperança.

9. Você desperdiçará seu câncer caso trate o pecado tão normalmente quanto antes.

Seus pecados freqüentes permanecem tão atrativos quanto antes de você ter câncer? Se a resposta for afirmativa, então você está desperdiçando seu câncer. O câncer foi planejado para destruir o apetite pelo pecado. Orgulho, ganância, luxúria, ódio, falta de perdão, impaciência, preguiça, procrastinação—todos estes são adversários que o câncer deve atacar. Não pense apenas em lutar contra o câncer. Pense também em usá-lo. Todas estas coisas são piores que o câncer. Não desperdice o poder do câncer para esmagar estes adversários. Deixe a presença da eternidade tornar os pecados temporais tão fúteis como eles realmente são. “Pois, que aproveita ao homem ganhar o mundo inteiro, e perder-se, ou prejudicar-se a si mesmo?” (Lucas 9.25).

10. Você desperdiçará seu câncer caso falhe em utilizá-lo como meio de testemunhar a verdade e a glória de Cristo.

Os cristãos nunca se encontram em determinado lugar por acidente. Existem razões para as quais somos levados onde estamos. Considere o que Jesus diz sobre circunstâncias inesperadas e dolorosas: “Mas antes de todas essas coisas vos hão de prender e perseguir, entregando-vos às sinagogas e aos cárceres, e conduzindo-vos à presença de reis e governadores, por causa do meu nome. Isso vos acontecerá para que deis testemunho” (Lucas 21.12-13). Assim também é com o câncer. Essa será uma oportunidade para testemunhar. Cristo é infinitamente digno. Aqui está uma oportunidade de ouro para mostrar que Jesus vale mais que a vida.

Não a desperdice o seu câncer. Lembre-se de que você não foi deixado sozinho; terá a ajuda necessária: “Meu Deus suprirá todas as vossas necessidades segundo as suas riquezas na glória em Cristo Jesus” (Filipenses 4.19).