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Archive for the ‘Outros’ Category

Como é fácil complicar o que é simples (1)

Janeiro 4, 2010 andersonpaz 3 comentários

Nestes dias estive me recordando de uma das visitas do Franco (@francoamd7) à Curitiba, quando ele, ao estar reunido com os jovens, fazia a seguinte pergunta: qual é o segredo para experimentar a vontade de Deus? Assim que ele perguntou, imediatamente lembrei do texto de Paulo em Rm. 12:1-2 – “Rogo-vos, pois, irmãos, pelas misericórdias de Deus, que apresenteis o vosso corpo por sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o vosso culto racional. E não vos conformeis com este século, mas transformai-vos pela renovação da vossa mente, para que experimenteis qual seja a boa, agradável e perfeita vontade de Deus”.

Logo pensei que a resposta seria a entrega da vida a Deus, como sacrifício sobre Seu altar. Mas, apesar de ter pensado nisso, não respondi à pergunta, pois essa palavra sobre entrega, renúncia, sacrifício, apesar de forte e profunda, não era algo novo. Minha expectativa era de que o Franco compartilhasse algo novo, surpreendente. Entretanto, ao contrário do que eu esperava, a resposta do Franco era exatamente a que eu pensava no início. Ao término daquela reunião, apesar do peso e da profundidade daquela palavra, saí com a sensação de que não tinha ouvido nada de novo, mas reforçado princípios já conhecidos.  De certa forma, minha expectativa não foi atingida.

Contudo, naquele momento percebi o Espírito Santo me dizendo que eu estava me sentindo daquele jeito, com a expectativa não alcançada, porque eu ainda não estava entendendo que a Palavra do Reino é simples, tão simples que todos os seus mandamentos podem ser resumidos em apenas dois: ame a Deus e ame o próximo.

Eu esperava informações novas, surpreendentes, impactantes, mas a vida cristã não consiste em saber cada vez mais informações bíblicas, mas em experimentar, cada vez com mais profundidade, verdades antigas. O impacto da Palavra em nossas vidas, não surge do fato de consistir numa nova informação, mas numa experiência nova, uma vivência diferente.

O Evangelho não nos traz uma sucessão interminável de ensinos. Jesus ordenou que, na obra de fazer discípulos, devem ser ensinadas todas as coisas que Ele ordenou (Mt. 28:18-20). Se são todas as coisas, logo não pode ser interminável. Paulo, aos presbíteros de Éfeso, disse que havia ensinado todo o conselho de Deus (At. 20:27). Ora, a vida cristã consiste em experimentar em novos níveis a Palavra que muitas vezes é a mesma. Por exemplo: há um mandamento para em tudo dar graças (I Ts.  5:18) . Num primeiro momento, aprendemos a dar graças nas situações boas, num outro nível aprendemos a dar graças numa situação ruim. O mandamento é o mesmo, mas as circunstâncias em que o experimentamos mudam. Num momento, aprendemos o contentamento na fartura, e em outro na escassez (Fp. 4:11-13). E é assim que nossa experiência com a Palavra pode ser nova todos os dias. A Palavra é a mesma, mas seu sabor se torna especial a cada situação em que ela é praticada. Não podemos ir à Bíblia como se fôssemos à uma biblioteca atrás de informações novas, novidades teológicas.

Me assusta a quantidade de publicações cristãs, livros, Bíblias comentadas, que são lançados todos os anos, enquanto que a Bíblia nos aponta o caminho de um ensino simples, mais voltado à prática do que ao acúmulo de informações. Essa sede por coisas novas tem sido fonte que alimenta o surgimento de heresias. Não é sem razão que Paulo orientou a Timóteo a fugir dos falatórios inúteis (II Tm. 2:16)

A doutrina de Jesus,  que maravilhava aqueles que a ouviam (Mt. 7:28), consistia em mandamentos práticos como amar o inimigo, perdoar, etc (Mat. 5-7). A sã doutrina, segundo Paulo, consistia em mandamentos práticos para diferentes grupos: idosos, idosas, jovens etc (Tt 2). Quem ensina outra doutrina “é soberbo, e nada sabe, mas delira acerca de questões e contendas de palavras, das quais nascem invejas, porfias, blasfêmias, ruins suspeitas” (I Tm. 6:3-4),

Deveríamos lembrar das palavras de Paulo: “A mim, não me desgosta e é segurança para vós outros que eu escreva as mesmas coisas” (Fp. 3:1).

Paulo também nos alerta sobre a necessidade de nos mantermos fiéis à simplicidade e pureza devidas a Cristo (II Co. 11:3). Contudo, para nós é muito fácil complicar o que é simples. Essa é uma tentação em que nos envolvemos com muita facilidade. Devemos estar atentos e vigilantes, pois nos afastar da simplicidade é um dos objetivos do nosso adversário, que “anda em derredor, como leão que ruge procurando alguém para devorar” (I Pe. 5:8).

Em Cristo,

Anderson Paz

Ação Fraternal

Dezembro 18, 2009 andersonpaz 1 comentário

Depois de mais de um mês sem atualizar o blog, estou retornando à essa atividade. E hoje, quero compartilhar com vocês o vídeo abaixo. Nele você poderá conhecer um pouco da diaconia (serviço) que tem sido realizada pela Ação Fraternal. Vale a pena conferir e cooperar.

E o que fizeram com a Reforma?

Outubro 30, 2009 andersonpaz 2 comentários

LuteroAmanhã, 31 de outubro, serão celebrados 492 da Reforma Protestante. O movimento, deflagrado pelo monge agostiniano Martinho Lutero a partir da cidade de Wittenberg, mudou o curso da história do cristianismo ocidental. Com uma pregação que chamava a Igreja ao retorno às Escrituras, trazia à tona as verdades bíblicas da salvação pela graça mediante a fé, em oposição à venda de indulgências por parte do clero católico-romano. Atualmente, há cerca de 600 milhões de pessoas que se declaram protestantes. Destes, cerca de 73 milhões se denominam luteranos.

Lutero sempre se opôs ao uso da designação “luterano” por parte daqueles que abraçaram a Reforma. Acerca disso, o reformador declarou: “Peço que se silencie acerca de meu nome e ninguém se denomine luterano, mas, sim, cristão. Quem é Lutero? A doutrina não é minha e não fui crucificado por ninguém… E como poderia ser que eu, um pobre saco de estrume, tivesse meu nome, o qual nenhuma salvação encerra, dado aos filhos de Cristo? Não deve ser assim, terminemos com esses nomes partidários e denominemo-nos cristãos, pois possuímos a doutrina de Cristo”.

Apesar da oposição de Lutero, seu nome passou a ser utilizado por uma parcela significativa de pessoas. Acerca disso, fico a pensar no seguinte:  Se Lutero era contrário à designação de luteranos àqueles que aderiam à sua pregação, como ele reagiria se seu nome fosse usado por gente que é inimiga de sua fé?

Lutero era um homem que amava as Escrituras. Diante da dieta de Worms, declarou: “A menos que me convençam, pela Escritura ou por razões claras, de que estou errado, eu permaneço constrangido pelas Escrituras. Não posso nem quero me retratar, de vez que não é seguro nem correto agir contra a consciência”. A Bíblia se tornou sua regra de fé e de conduta. Em Lutero vê-se a afirmação do Sola Scriptura (somente a Escritura): “Qualquer ensinamento que não se enquadre nas Escrituras deve ser rejeitado, mesmo que faça chover milagres todos os dias”.

Lamentavelmente, essa fé não é compartilhada por Lutherans Gaysalguns grupos que se denominam luteranos, como a Igreja Evangélica Luterana dos EUA (ELCA) e a Igreja da Suécia. A primeira, em sua convenção realizada no mês de agosto, decidiu pela ordenação de homossexuais ao ministério [1]. A segunda, neste mês decidiu pela relização de casamentos entre pessoas do mesmo sexo [2]. Essas decisões não foram tomadas com base no Sola Scriptura, princípio tão precioso para Lutero. Pelo contrário, essas decisões foram tomadas devido à uma rejeição clara e explícita a todo o ensino bíblico sobre a sexualidade humana. Tudo isso são conseqüências do liberalismo teológico que tem sido abrigado por esses grupos, para os quais a Bíblia já não ocupa o lugar de regra de fé e prática.

Segundo Augustus Nicodemus Lopres [3], a ELCA, como outros grupos adeptos do liberalismo teológico, enxerga a Bíblia sob a seguinte ótica:

1) A Bíblia é o mais importante meio de Deus revelar seu ser e sua presença. Não é sua revelação exclusiva, uma vez que a ELCA é ecumênica e acredita que existe salvação em outras religiões.

2) A Bíblia contém a história da interação de Deus com os homens. Nada mais que isto. Ela não é a Palavra de Deus, mas o registro humano daquilo que os judeus e os cristãos acreditavam sobre Deus.

3) Como tal, este registro é falível e contém erros. Nele encontramos o reflexo dos preconceitos da época em que a Bíblia foi escrita. Este registro é por vezes contraditório internamente, pois os escritores da Bíblia registraram idéias diferentes e contraditórias sobre Deus, sua palavra, caminhos e vontade.

4) Quem pode dizer o que é certo ou errado dentro da Bíblia é a Igreja, a comunidade do Cristo. Este é o critério os luteranos americanos para aceitar ou rejeitar partes da Bíblia. Se alguma coisa edifica e leva a Cristo, então é de Deus. Se não, é coisa humana. E se perguntarmos qual o critério para decidirmos, por exemplo, que a homoafetividade edifica e leva à Cristo, a resposta será “aquilo que a Igreja decidir”.

5) Nos gêneros literários da Bíblia temos lendas de heroísmo e “estórias”, outro nome para mitos. Entre estes a ELCA certamente coloca o nascimento virginal de Jesus — assunto que ela declara estar aberto para discussão — e a ressurreição de Jesus, que para eles não é um fato da história.

Portanto, esses grupos, apesar de se denominarem luteranosluterana Suécia, pouco tem a ver com Lutero, para quem as Escrituras não eram simples literarura sobre Deus, mas a própria fonte de onde conhecemos toda a doutrina cristã. Hoje, precisamos cada vez mais reafirmar que temos na Bíblia nossa regra de fé e de conduta. Esse princípio tão caro à Lutero precisa ser recuperado.

Se esses grupos se denominam luteranos para afirmar que seguem o reformador alemão, tal atitude não corresponde à realidade. Contudo, se esse nome for usado apenas como uma mera referência à declaração do reformador de que não passava de “um pobre saco de estrume”, talvez essa utilização seja possível, já que assim disse o Senhor aos sacerdotes que desviam o povo do caminho: “espalharei esterco sobre os vossos rostos, o esterco das vossas festas solenes; e para junto deste sereis levados.” (Ml. 2:3).

Anderson Paz

E se o aborto for a melhor alternativa?

Outubro 16, 2009 andersonpaz 3 comentários

Hoje, assiti pelo Youtube uma campanha publicitária pró-aborto feita pela Rede Record. Trata-se de uma campanha curta, de apenas 31 segundos, e que foi ao ar já há algum tempo. Nela defende-se que as mulheres teriam direito de decidir o que fazer quanto ao seu próprio corpo, inclusive quando o assunto é aborto.

Essa campanha voltou à tona desde ontem (15/10), após o proprietário da Rede Record ter publicado em seu blog pessoal uma série de slides com imagens chocantes de miséria e fome extremas, e colocou uma pergunta como título: “Um Aborto não seria melhor?”

Em resposta à campanha veículada pela Rede Record, indico a resposta que John Piper deu ao presidente Barack Obama, por ociasião dos 36º aniversário da legalização do aborto nos EUA (caso Roe x Wade). Assista o que Piper tem a dizer sobre o assunto

Quanto à pergunta do dono da Rede Record, recomendo outro vídeo de John Piper, em que ele responde à seguinte pergunta: “E se o aborto for a melhor alternativa?”

Disciplina ou vingança?

Outubro 12, 2009 andersonpaz 3 comentários
Autor: João Heliofar de Jesus Villar
Fonte: Ultimato – Seção Opinião

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disciplina 2Recentemente na cidade de Viamão, região metropolitana de Porto Alegre, o diretor e os professores de uma escola de ensino médio resolveram promover um mutirão para pintar o prédio. Todos participaram da iniciativa e graças a esse esforço, a obra ficou pronta num final de semana.

Porém, no dia seguinte a escola amanheceu pichada com o apelido de um dos alunos. Foi simples identificá-lo, já que ele era conhecido pelo apelido estampado na parede da escola, e o próprio, quando questionado, assumiu a responsabilidade pelo estrago.

Não é difícil imaginar o grau de revolta dos professores. A professora de inglês, Maria Denise Bandeira, resolveu aplicar uma disciplina ao pichador. Ordenou ao garoto que não só apagasse a mancha deixada na parede, mas que também fizesse retoques na pintura em outras oito salas. Enquanto pintava e promovia os retoques, o menino era filmado e ia sendo execrado pela professora, que o chamava de “bobo da corte” e ameaçava expor as cenas no Youtube. O vídeo na verdade acabou sendo visto em todo o Brasil e a cena gerou um debate sobre os limites da disciplina nas escolas.

Nas manifestações dos leitores dos jornais houve maciço apoio à atitude da professora. Para se ter uma ideia do percentual de apoio que ela conquistou, em 124 manifestações de leitores do jornal gaúcho Zero Hora, apenas uma fez reservas à disciplina aplicada ao pichador.

Os pais do aluno, porém, se revoltaram. O filho se sentiu humilhado e não queria voltar à escola de jeito nenhum.

Quem tem razão nessa história? Parece claro que há um clamor público por limites. Diante do afrouxamento dos valores na pós-modernidade, uma era norteada pela incerteza e que glorifica a dúvida, fica difícil sustentar valores, estabelecer limites, disciplinar. Mas a “louvação” da professora de Viamão revela que o povo clama por limites.

Então qual o limite da disciplina? A questão não é acadêmica e nem se restringe à educação escolar, já que afeta não só a família, mas se estende inclusive à igreja. E a resposta está no propósito da disciplina. Seu objetivo não é apenas punir, e sim restaurar. Se Deus disciplina a todos a quem ama, o princípio que deve orientar a autoridade que exerce o poder disciplinar é a restauração do aluno ou discípulo. Na revolta causada pela falta cometida, porém, regularmente a restauração é totalmente esquecida e a punição assume o papel de protagonista principal do drama.

No caso de Viamão, a professora Maria Denise agiu bem em decidir disciplinar a falta do aluno. Contudo não se pode dizer o mesmo em relação à dose empregada, na medida em que a punição assumiu ares de vingança. E a vingança é a perversão da disciplina. Ajusta-se perfeitamente a este caso o dito popular de que a diferença entre o remédio e o veneno está na dose.

• João Heliofar de Jesus Villar, 45 anos, é procurador regional da República da 4ª Região (no Rio Grande do Sul) e cristão evangélico.

Cada um no seu lugar – parte 2

Outubro 9, 2009 andersonpaz 1 comentário
Post anterior: Cada um no seu lugar  – parte 1 ….
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BARRA DO TRIBUNAL BATE O MARTELO

Como já foi dito no texto anterior, quando alguém tenta definir humildade, geralmente fala apenas do que uma pessoa humilde faz ou deixa de fazer, mas pouco fala daquilo que uma pessoa humilde é. Talvez seja essa a razão pela qual alguns costumam imprimir a qualidade de humilde à certos comportamentos que, à luz das Escrituras, não passam de covardia e omissão. Ou seja, são apenas manifestações de mero egoísmo. Certas atitudes que parecem humildes nascem de corações que de humildade não têm nada.

Um exemplo disso ocorre quando uma pessoa se esquiva de tratar do pecado de seu irmão, fazendo mau uso da verdade de que todos nós somos igualmente pecadores, e, portanto, não deveríamos repreender ninguém por seu pecado. Assim, a repreensão do pecado  seria um ato de soberba. Essa pessoa usa expressões como “errar é humano” ou “ninguém é perfeito”, além de fazer uma péssima leitura do mandamento “não julgueis, para que não sejais julgados” (Mt. 7:1). Digo que é uma péssima leitura, pois se esquece de ler o contexto em Jesus nos alerta para o fato de que será aplicado a nós os mesmo critérios pelos quais julgamos as pessoas. Portanto, quando repreendemos alguém, não devemos impor opiniões pessoais, mas apenas reproduzir a Palavra, uma vez que todos serão julgados por ela. Disso ninguém poderá escapar. Foi o próprio Jesus quem disse: “Se alguém ouvir as minhas palavras e não as guardar, eu não o julgo; porque eu não vim para julgar o mundo, e sim para salvá-lo. Quem me rejeita e não recebe as minhas palavras tem quem o julgue; a própria palavra que tenho proferido, essa o julgará no último dia” (Jo. 12:47,48). E a palavra de Jesus vinha do Pai (Jo. 8:28). É por isso que Jesus nos diz: “Não julgueis segundo a aparência, mas julgai segundo a reta justiça” (Jo. 7:24).

Assim, é melhor que nosso irmão saiba hoje o que Deus diz sobre o pecado, para que naquele Dia ele não tenha que ouvir o veredito: “Apartai-vos de mim, os que praticais a iniqüidade” (Mt. 7:23).

Nosso pecado não nos deixa irresponsáveis diante do pecado dos outros. A existência de uma trave em meu olho não me isenta de tirar o argueiro no olho do meu irmão, pois Jesus nos ordena: “tira primeiro a trave do teu olho e, então, verás claramente para tirar o argueiro do olho de teu irmão” (Mt. 7:5). Preciso tirar a trave do meu olho para que eu possa ajudar meu irmão. Não posso fingir que o problema não é comigo.

Aquele que, sabendo quem é, tem plena consciência de sua própria pecaminosidade, não  se omite diante do pecado dos outros. Antes, por se compadecer de seu irmão, o corrige com brandura, consciente de que está sujeito às mesmas tentações (Gl. 6:1). Esse homem sempre está atento à declaração de Paulo: “Aquele, pois, que pensa estar em pé veja que não caia” (I Co. 10:12).

Continuação: Cada um no seu lugar  – parte 3

C.S. Lewis também pensava “naquilo”

Outubro 7, 2009 andersonpaz 3 comentários
Fonte: devocionário Um Ano com C. S. Lewis
Via: blog da Editora Ultimato

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chocolateA letra e o espírito das Escrituras, e de todo o cristianismo, nos proíbem de supor que a vida na nova criação será sexuada; e isso reduz nossa imaginação a duas alternativas embaraçosas: corpos dificilmente reconhecíveis como humanos, ou um jejum perpétuo. Com relação ao jejum, penso que nossas atuais perspectivas sejam como as de uma criança que, se lhe contam que o ato sexual representa o mais elevado prazer físico, pergunta prontamente se é possível comer chocolate ao mesmo tempo. Ao receber uma resposta negativa, quem sabe ela passe a associar a sexualidade basicamente à ausência de chocolate. Seria inútil tentar lhe explicar que, em seu êxtase sexual, os amantes não estão interessados em chocolate, pois têm algo melhor em que pensar. O menino conhece bem o chocolate, mas nada de positivo que possa excluí-lo. A nossa situação é a mesma. Conhecemos a vida sexual; não conhecemos, exceto por vislumbres, aquilo que, no céu, não deixará espaço para ela. Assim, onde a plenitude nos aguarda, antecipamos o jejum. Negar que a vida sexual, como a entendemos agora, possa fazer parte da bem-aventurança final, não é necessariamente supor que a distinção entre os sexos irá desaparecer. Supõe-se que tudo que não for mais necessário para propósitos biológicos talvez sobreviva por seu esplendor. A sexualidade é o instrumento tanto da virgindade como da virtude conjugal; nem homens, nem mulheres terão de lançar fora as armas que vinham empregando com sucesso. Só os derrotados e fugitivos têm de lançar fora as suas espadas. Os vitoriosos desembainham as suas e as mantêm erguidas. “Além-do-sexual” seria um termo melhor do que “assexuada” para a vida no céu.

Jesus é um egocêntrico?

Setembro 24, 2009 andersonpaz 2 comentários

“Não devemos julgar que Deus proibiu o orgulho porque ele o ofende, ou que a humildade nos foi prescrita por causa de sua dignidade – como se o próprio Deus fosse orgulhoso. … A questão é simples: ele quer que nós o conheçamos, quer se doar para nós. O ser humano e ele são feitos de tal modo que, no momento em que efetivamente entramos em contato com ele, nos sentimos de fato humildes: deliciosamente humildes, aliviados de uma vez por todas do fardo das falsas crenças sobre nossa dignidade, que só serviam para nos deixar desassossegados e infelizes. Deus tenta nos tornar humildes para que esse momento seja possível” (C. S. Lewis. In: Cristianismo Puro e Simples).

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“A razão porque a Bíblia apresenta um Deus centrado em si mesmo, um Deus que se exalta, um Deus que nos chama a adorarmos a Ele… é porque se Ele não se fizesse supremo, se Ele não se fizesse central, se Ele não se exaltasse, Ele estaria escondendo de nós e nos destraindo da única realidade no universo para a qual fomos feitos” (John Piper).


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Jesus: Deus, um louco ou um diabo

Setembro 23, 2009 andersonpaz 3 comentários

Finalmente estou lendo o livro Cristianismo Puro e Simples, de C.S. Lewis. Digo finalmente pois eu já deveria ter lido há mais tempo, já que se trata de um dos clássicos cristãos do século XX. No entanto, só agora surgiram as condições propícias para que eu me dedicasse à essa leitura.

Eu pretendia postar o já bem conhecido argumento de Lewis acerca da divindade de Jesus: Diante das coisas que Jesus disse, se Ele não é Deus, só pode ser um louco ou um demônio. Contudo, antes de postar o trecho do livro, fiz uma visita ao blog Vem Ver, e encontrei o vídeo abaixo, com o mesmo trecho do livro.

Então, se você quer relembrar C.S. Lewis ou que conhecer um pouco do Cristianismo Puro e Simples, assista o vídeo abaixo:

CategoriasC. S. Lewis, Outros

Como não desperdiçar um tempo de enfermidade

Setembro 21, 2009 andersonpaz 3 comentários

O Catecismo Maior de Westminster responde à pergunta sobre o propósito da vida humana dizendo: “O fim supremo e principal do homem é glorificar a Deus e gozá-lo para sempre”. Tal afirmação está em perfeita consonância com o que Paulo declarou ser o propósito de sua vida: “segundo a minha ardente expectativa e esperança de que em nada serei envergonhado; antes, com toda a ousadia, como sempre, também agora, será Cristo engrandecido no meu corpo, quer pela vida, quer pela morte (Fp. 1:20).

Fazer Cristo engrandecido em nossas vidas. Essa é a verdadeira forma de aproveitar a vida. Cristo é engrandecido todas as vezes em que lidamos com tudo o que temos, experimentamos e nos relacionamos, de tal forma que fique claro, expresso, evidente ao mundo que o nosso tesouro está em Cristo. Um exemplo disso é o nosso trato com o dinheiro. Cristo é engrandecido quando o mundo vê que nosso tesouro não está no dinheiro, mas nos Céus. Portanto, há pelo menos duas formas de engrandecer a Cristo no nosso trato com o dinheiro. Uma delas é a prática da generosidade (II Coríntios 9:12,13). A outra é a prática do contentamento, pela qual evidenciamos que nossa confiança e segurança estão em Deus e em seu cuidado por nós (Hebreus 13:5,6).

Ao experimentarmos um tempo de enfermidades, também encontramos oportunidades de engrandecermos a Cristo. No dia 14 deste mês, postei um texto sobre os 200 anos de Robert Kalley. Nesse texto citei sua conversão. Kalley passou do seu ateísmo para a fé em Jesus após ser impactado pela vida de uma de suas pacientes, uma senhora idosa e enferma, que expressava paciência e serenidade, mesmo em meio ao sofrimento, e atribuía essa serenidade ao fato de crer em Jesus. Ou seja, Jesus era o tesouro dessa mulher, e não a sua saúde. Mesmo com a saúde debilitada seus olhos permaneceram em Cristo.

O Dr. Francis S. Collins, um dos diretores do Projeto Genoma, em seu livro “A Linguagem de Deus”, também relata sua conversão dizendo que o que chamou sua atenção para a fé cristã foi a forma como seus pacientes religiosos passavam pela enfermidade e morte de modo diferente. Isso o atraiu a pesquisar sobre as religiões, até que na leitura do livro “Cristianismo Puro e Simples”, de C. S. Lewis, ele encontrou a fé cristã.

Recomendo a leitura do “Não desperdice seu câncer”, escrito por John Piper. Talvez você não aceite bem a expressão seu câncer“, utilizada pelo autor, uma vez que Jesus levou sobre si as nossas enfermidades. Você pode não enxergar o câncer como uma bênção, como Piper enxerga. Mas o texto é riquíssimo e edificante. Vale a pena ler e pensar sobre isso. Para ler o texto clique aqui.

Em Cristo,

Anderson Paz