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Archive for the ‘Ateísmo’ Category

A aposta de Pascal

Dezembro 28, 2009 andersonpaz Deixe um comentário
Autor: Karl Heinz Kienitz
FonteSeção Opinião do site da revista Ultimato
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Num dos fragmentos da coletânea Pensées, o matemático, físico e filósofo Blaise Pascal (1623-1662) apresentou o que se conhece hoje como a aposta de Pascal. Trata-se de uma proposta de decisão, colocada na forma de uma aposta incontornável, isto é, da qual ninguém pode fugir. Esta aposta pode ser resumida da seguinte forma:

Como alguém que escolhe ser cristão pode perder? Se, ao morrer, constatar que Deus não existe e sua fé foi em vão, não perdeu nada — pelo contrário, viveu uma vida com mais percepção de sentido e esperança do que um descrente. Se, no entanto, há um Deus e um céu e um inferno, então ganhou o céu, ao passo que um descrente perdeu tudo.

Com sua aposta, Pascal não pretende provar a existência do Deus da Bíblia, como conjecturam alguns. Aliás, Pascal enfatiza num parágrafo introdutório que não se pode provar a existência de Deus pela razão. Em outro fragmento de Pensées ele explica que uma prova da existência de Deus precisa ser relacional: “Nós conhecemos Deus somente através de Jesus Cristo… Todos que afirmam conhecer Deus, e o provam sem Jesus Cristo, tem somente provas débeis. No coração de cada ser humano há um vazio dado por Deus, que somente ele pode preencher através de seu filho Jesus Cristo”.

Há os que criticam Pascal por desconsiderar a fé de outras religiões na aposta. Pascal o fez, presumivelmente porque no restante de Pensées (e em outras obras) examinou alternativas e concluiu que, se alguma fé está correta, seria a fé cristã.

Assim como Pascal, o físico e químico Michael Faraday (1791-1867) também escolheu ser cristão. Referindo-se a Jesus, Faraday disse a jornalistas durante entrevista: “Eu confio em certezas. Sei que meu Redentor vive, e porque ele vive eu também viverei”. O testemunho de Faraday ilustra como a aposta de Pascal já em vida pode resultar em certeza, a certeza inabalável da fé.

Karl Heinz Kienitz é doutor em engenharia elétrica pela Escola Politécnica Federal de Zurique, Suíça, em 1990, e professor da Divisão de Engenharia Eletrônica do Instituto Tecnológico de Aeronáutica. www.freewebs.com/kienitz

A propósito dos 200 anos de Robert Kalley

Setembro 14, 2009 andersonpaz 2 comentários

1No último dia 08, celebrou-se os 200 anos de nascimento do médico e missionário escocês Robert Reid Kalley, um dos pioneiros da evangelização protestante no Brasil e em Portugal. Do lado de cá do Atlântico, Kalley estabeleceu o primeiro trabalho de evangelização de caráter permanente e em língua portuguesa, uma vez que as tentativas anteriores ou não tiveram continuidade, ou foram destinadas a estrangeiros residentes no Brasil.

Tendo em vista esses 200 anos, quero chamar a atenção para uma personagem da história do Dr. Kalley que, apesar de anônima, mudou sua trajetória de vida.

Kalley nasceu em uma família cristã. Sua mãe faleceu quando ele ainda era criança, e por isso foi criado por seu padrasto, de quem testemunhou dizendo: “Durante minha infância… fiquei debaixo da tutela de um homem de valor… ele foi para mim um verdadeiro pai”. Contudo, com o passar dos anos, Kalley se desfez de sua formação cristã, tendo abraçado o ateísmo declarado. Em certa ocasião, Kalley escreveu:  

“Um coração mau e más companhias varreram tudo. As especulações da Filosofia e da Ciência (falsamente chamada) contrariavam todos os esforços do meu padrasto e cegaram o meu entendimento de tal maneira que não me era mais possível crer na existência de Deus. Parec3ia-me uma coisa nobre ser libertado da superstição e do fanatismo que a crença impunha à alma humana. Aqueles que faziam profissão de religião, eu considerava imbecis, ou, então, embusteiros, e desprezava-os a todos. Quando moço ainda, estudava várias ciências, admirava as maravilhas dos seres microscópicos, meditava na distância, a magnitude e na velocidade dos orbes. Vendo tudo isso, eu me achava impossibilitado de abraçar as idéia de um Deus, um Ser Supremo. Por muitos anos não cri em sua existência. Parecia-me impossível crer na real existência de um Ser, dotado de vida eterna, cuja ciência compreende tudo no universo e cujo poder impele os astros e, ao mesmo tempo, forma os delicadíssimos membros de um animalículo microscópicos”.

Contudo, o ano de 1835 foi marcado por uma profunda mudança na vida de Kalley: Ele abraçou a fé e tornou-se cristão. Mas como se deu essa mudança? Porto Filho relata a conversão da Kalley:

“Tinha sido chamado para atender a uma pobre e piedosa velhinha, presa de cruel e incurável enfermidade. Examinando-a, … ficou impressionado com o espírito de paciência e conforto íntimo com que a enferma suportava os sofrimentos …, e a tranquilidade com que via a morte aproximar-se inexoravelente. Terminada a visita e prestes a retirar-se, a doente pediu-lhe o favor de abrir o armário … e entregar-lhe o pão ali guardado e que lhe seria a refeição naquela hora. Ele o fez: encontrou um pedaço de pão seco, que depositou na mão da enferma. Esta, ao receber a migalha tão pobre, fechou os olhos, depois de um leve agradecimento ao Doutor, e deu graças a Deus pela comida. O médico sentiu um profundo abalo emocional: Como podia aquela anciã agradecer a Deus – ao seu Deus – por comida tão escassa e tão seca? Como podia ser tão tranqülila em tais desconfortos, tão serena e confiante em tantos sofrimentos? Procurou saber o motivo dessa atitude, … e ela, …declarou com toda a candura, que toda aquela paciência … vinha do fato de ser crente em Jesus e de sua leitura piedosa e diária das Santas Escrituras”.

Dez anos depois, Kalley declarou: “Quando senti, satisfeito, … que há um Deus, que este Livro (apontando para a Bíblia) é de Deus, então senti também que cada cristão é chamado a entrar naquele campo de atividade em que melhor possa usar para Deus todos os talentos que ele lhe deu. E, quanto a mim, tenho pensado de que maneira, como médico cristão, posso melhor servir ao Filho de Deus”

Essa velhinha anônima marcou profundamente a vida de Kalley. Com sua atitude demonstrou o supremo valor de Cristo. O Senhor Jesus é engrandecido quando lidamos com aquilo que temos de tal forma que fique claro e evidente ao mundo que nosso tesouro não estão nessas coisas, mas em Cristo. Portanto, na abundância de algo, devemos demonstrar que não estamos apegados a isso, mas a Cristo. E na escassez, devemos continuar demonstrando nosso apego à Cristo, expressando contentamento, pois nEle somos completos, plenos.

Afinal, de nada valerá estar preparado para responder a razão da esperança que há em nós, se o mundo não enxergar em nós uma esperança diferentes (I Pedro 3:15). O mundo não pedirá a razão da nossa esperança se não perceber que nossa esperança não está nas coisas visíveis. Se nossa esperança se resumir apenas às coisas terrenas, somos os mais miseráveis dentre os homens. Mas, podemos por nossos olhos em Deus e expressar ao mundo o supremo valor e  grandeza que Cristo se tornou para nós.

Anderson Paz

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Para prosseguir com essa reflexão, sugiro o vídeo abaixo, de John Piper.   

Charles Darwin se converteu?

Setembro 4, 2009 andersonpaz 7 comentários

Em 15 de abril de 2008, postei neste blog o texto“O Naturalista e o Missionário: Charles Darwin e Robert Kalley”, que rapidamente se tornou o post mais visualizado do blog. Uma grande parte dessas visualizações vieram de pesquisas feitas no Google sobre a suposta conversão de Charles Darwin, o pai da teoria da evolução das espécies. Existe muita gente interessada em confirmar a veracidade da informação de que Darwin, em seus últimos momentos de vida, teria se convertido à fé cristã.

No post citado, não é feita nenhuma referência à conversão de Darwin, mas apenas relata apenas que passava por conflitos íntimos. Na verdade, não há nenhuma informação segura de que Darwin tenha se convertido, e seus filhos negaram que isso tenha ocorrido. Portanto, isso é uma das coisas que só será conhecida no dia em que o Senhor voltar, quando trará à luz as coisas ocultas e manifestará os desígnos dos corações (I Co. 4:5).

Darwin, tendo recebido uma educação religiosa, ao longo de sua vida foi se desfazendo dessa bagagem, contudo, sua opiniao sobre a existência de Deus variou entre o agnosticismo e uma forma imprecisa de teísmo. Reinaldo José Lopes, em seu texto “Darwin e os ateus fundamentalistas”, cita algumas declarações de Darwin acerca do assunto.

Ao explicar sua posição de agnóstico ao botânico britânico Asa Gray, Darwin escreveu:

“Em relação ao lado teológico da questão: isso sempre me é doloroso. Estou confuso. Não tive a intenção de escrever de forma ateísta, mas devo dizer que não consigo ver de forma tão clara quanto outros veem, e como eu gostaria de ver, as evidências de desígnio e beneficência em torno de nós. A mim parece haver muita desgraça no mundo. Não consigo me persuadir que um Deus beneficente e onipotente teria criado as Ichneumonidade [um tipo de vespa] com a intenção expressa de elas se alimentarem com os corpos vivos de lagartas, ou por que um gato deveria brincar com os camundongos… Por outro lado, não consigo me contentar de forma nenhuma em ver este maravilhoso Universo, e especialmente a natureza do homem, e concluir que tudo é o resultado de força bruta. Estou inclinado a enxergar todas as coisas como resultado de leis projetadas, com os detalhes, sejam eles bons ou maus, deixados à mercê do que podemos chamar de acaso. Não que isso me satisfaça de alguma forma. Sinto de forma muito forte que todo esse assunto é profundo demais para o intelecto humano. É como um cão tentando especular sobre a mente de Newton”.

E em sua auto-biografia, Darwin prossegue com seus pensamentos falando “da extrema dificuldade, ou mesmo impossibilidade, de conceber este imenso e maravilhoso Universo, incluindo o homem e sua capacidade de olhar para as profundezas do passado e do futuro, como o resultado de acaso ou necessidade cegos. Ao assim refletir, sinto-me forçado a imaginar uma Primeira Causa com uma mente inteligente, em algum grau análoga à do homem; e mereço ser chamado de teísta”.

Os conflitos religiosos de Darwin consistem em uma demonstração de que as grandes perguntas acerca da vida humana e da existência do Universo, apesar de todo o desenvolvimento da Ciência, ainda não foram respondidas por ela. Contudo, um poeta chamado Davi, ao observar os céus, não resistiu e chegou à simples conclusão: “Os céus declaram a glória de Deus e o firmamento anuncia a obra das suas mãos” (Salmo 19:1). E, após olhar para si mesmo, disse a Deus: “Graças te dou, visto que por modo assombrosamente maravilhoso me formaste; as tuas obras são admiráveis, e a minha alma o sabe muito bem” (Salmo 139:14). Em Deus encontramos nossa razão de ser e o propósito de nossa existência, “porque dele, e por meio dele, e para ele são todas as coisas. A ele, pois, a glória eternamente. Amém!” (Romanos 11:36).

Anderson Paz

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Se Deus não existisse, o que haveria para comemorar?

Março 17, 2009 andersonpaz 3 comentários
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Campanha ateísta em ônibus de Londres

Desde o início do ano há  duzentos ônibus urbanos em Londres (além de outros seiscentos em todo Reino Unido) que levam cartazes dizendo: “Provavelmente, Deus não existe. Agora, pare de se preocupar e curta a vida”. Esses cartazes são parte de uma campanha promovida pela Associação Humanista Britânica, que custou 195 mil dólares e contou com a apoio do biólogo ateu Richard Dawkins, autor do livro “Deus, Um Delírio”.

Inspirada por essa campanha, a Associação Humanista Americana colocou anúncios nos ônibus de Washington, em novembro passado, com a pergunta “Porque acreditar em Deus?”. Esse anúncio trazia a foto de um homem vestido de Papai Noel, segundo o jornal americano “The New York Times”.

Ônibus circularia apartir de fevereiro na Itália

Ônibus circularia apartir de fevereiro na Itália

Na Itália, a União dos Ateus e Agnósticos Racionalistas pretendiam divualgar uma campanha publicitária nos ônibus de Gênova que tinha por slogan:“Má notícia: Deus não existe; Boa notícia, você não precisa dele”. Porém a campanha foi proibida por ser considerada provocatória e não se enquadrar no código de ética da propaganda italiana.

Na Espanha, mais precisamente na cidade de Barcelona, a União de Ateus e Livres-Pensadores da Espanha  começou uma campanha publicitária idêntica a que está circulando no Reino Unido. A frase escolhida foi a mesma,  apenas traduzida para o espanhol.

Ônibus em Barcelona

Ônibus em Barcelona

Essa onda de propagandas ateístas que tem se espalhado por vários países é fruto da comprensão de que a fé em Deus é algo não apenas desnecessário, mas até mesmo prejudicial, pois estaria privando as pessoas de desfrutarem da liberdade, dos prazeres que a vida lhes oferece. A Fé seria um instrumento para prender a humanidade à ignorância e ao retrocesso. Para essas pessoas, a fé é um mal que ao longo da história, além de servir como instrumento de domínio e manipulação, tem sido fonte de intolerância, discriminação, fanatismo e ódio.

Quem crê ou afirma esse tipo de coisa demonstra que não tem dado muita atenção para a história da humanidade, principalmente sua história recente. O século XX demonstrou que a secularização e a eliminação da fé ou da religião não significaram melhorias ou avanços na vida humana. Vimos nesse século o estabelecimento de regimes marcadamente fundamentados no ateísmo. E o que encontramos?

A União Soviética, governada por Stálin, em apenas um ano matou sete milhões de ucranianos de fome, uma fome estrategicamente construída por meio do confisco de grãos, fechamento de fronteiras, isolamento das cidades. A China maoísta aniquilou, aproximadamente, sessenta e cinco milhões de chineses. Pol Pot promoveu um genocídio no Camboja no qual estímasse que foram executadas, em quatro anos, dois milhões de pessoas, cerca de 25% da população da época.

Em texto publicado na Folha de S. Paulo,  João Pereira Coutinho, comentando sobre a campanha ateísta, cita Dostoiévski,  questionamento  se a ausência de Deus significa também a ausência de qualquer limite ético para a ação humana. Ele prossegue escrevendo:  “Essa possibilidade seria confirmada no século seguinte [século XX]: um século devastado por grandes construções coletivistas, utópicas e rigorosamente ateias que libertaram um fanatismo e uma crueldade indistinguíveis do fanatismo e da crueldade das antigas religiões tradicionais”.

Poderia citar outras atrocidades feitas por regimes ateus. Contudo, meu propósito aqui não é demomstrar que o ateísmo seja cruel e sanguinário, mais perverso do que qualquer violência cometida em nome da religião. Não pretendo fazer isso, até mesmo porque isso não seria verdade.  A história da chamada cristandade possui atos de violências extremamente cruéis também, como as cruzadas, a inquisição, o julgamento das bruxas de Salém, entre outros.  E atrocidades assim também são encontradas na história de outros grupos.

Contudo, esses atos de violência não invalidam a fé, mas apenas confirmam que a afirmação bíblica de que “não há um justo, nem um sequer” (Rm. 3:10) e “todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus” (Rm. 3:23). O homem é mal, e não é a religião nem o ateísmo que pode libertá-lo dessa realidade. Jesus disse: “Porque do coração procedem os maus pensamentos, mortes, adultérios, prostituição, furtos, falsos testemunhos e blasfêmias” (Mt. 15:19). Segundo as palavras de Jesus, nem a religião  e nem o ateísmo podem livrar os homens dessas coisas.

À luz do que tenho vivido e experimentado, posso dizer que há um meio para transformação de indivíduos e do mundo. Esse meio é uma pessoa chamada Jesus Cristo. Através de um relacionamento pessoal com Ele pode-se alcançar um coração transformado.  Com Ele posso aproveitar a vida de verdade. Antes de conhecê-lo, eu estava morto (Ef. 2:1). Mas quando o conheci, descobri o que é vida de verdade. Afinal, Ele veio para que tivéssemos vida em abundância. Hoje tenho todos os motivos pra celebrar e pra dizer: Deus existe. Aproveite a vida em Cristo!

Anderson Paz

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