Cada um no seu lugar – parte 2
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Como já foi dito no texto anterior, quando alguém tenta definir humildade, geralmente fala apenas do que uma pessoa humilde faz ou deixa de fazer, mas pouco fala daquilo que uma pessoa humilde é. Talvez seja essa a razão pela qual alguns costumam imprimir a qualidade de humilde à certos comportamentos que, à luz das Escrituras, não passam de covardia e omissão. Ou seja, são apenas manifestações de mero egoísmo. Certas atitudes que parecem humildes nascem de corações que de humildade não têm nada.
Um exemplo disso ocorre quando uma pessoa se esquiva de tratar do pecado de seu irmão, fazendo mau uso da verdade de que todos nós somos igualmente pecadores, e, portanto, não deveríamos repreender ninguém por seu pecado. Assim, a repreensão do pecado seria um ato de soberba. Essa pessoa usa expressões como “errar é humano” ou “ninguém é perfeito”, além de fazer uma péssima leitura do mandamento “não julgueis, para que não sejais julgados” (Mt. 7:1). Digo que é uma péssima leitura, pois se esquece de ler o contexto em Jesus nos alerta para o fato de que será aplicado a nós os mesmo critérios pelos quais julgamos as pessoas. Portanto, quando repreendemos alguém, não devemos impor opiniões pessoais, mas apenas reproduzir a Palavra, uma vez que todos serão julgados por ela. Disso ninguém poderá escapar. Foi o próprio Jesus quem disse: “Se alguém ouvir as minhas palavras e não as guardar, eu não o julgo; porque eu não vim para julgar o mundo, e sim para salvá-lo. Quem me rejeita e não recebe as minhas palavras tem quem o julgue; a própria palavra que tenho proferido, essa o julgará no último dia” (Jo. 12:47,48). E a palavra de Jesus vinha do Pai (Jo. 8:28). É por isso que Jesus nos diz: “Não julgueis segundo a aparência, mas julgai segundo a reta justiça” (Jo. 7:24).
Assim, é melhor que nosso irmão saiba hoje o que Deus diz sobre o pecado, para que naquele Dia ele não tenha que ouvir o veredito: “Apartai-vos de mim, os que praticais a iniqüidade” (Mt. 7:23).
Nosso pecado não nos deixa irresponsáveis diante do pecado dos outros. A existência de uma trave em meu olho não me isenta de tirar o argueiro no olho do meu irmão, pois Jesus nos ordena: “tira primeiro a trave do teu olho e, então, verás claramente para tirar o argueiro do olho de teu irmão” (Mt. 7:5). Preciso tirar a trave do meu olho para que eu possa ajudar meu irmão. Não posso fingir que o problema não é comigo.
Aquele que, sabendo quem é, tem plena consciência de sua própria pecaminosidade, não se omite diante do pecado dos outros. Antes, por se compadecer de seu irmão, o corrige com brandura, consciente de que está sujeito às mesmas tentações (Gl. 6:1). Esse homem sempre está atento à declaração de Paulo: “Aquele, pois, que pensa estar em pé veja que não caia” (I Co. 10:12).
Continuação: Cada um no seu lugar – parte 3

A humildade nos habilita a ser de fato discípulos de Jesus.