Arquivar

Archive for Abril, 2008

Concordando em Quase Tudo – Unidos em Quase Nada

Fonte: Revista Impacto – Ano 09, edição 51 -
REPRODUZIDO COM AUTORIZAÇÃO

==========================================

Compilado por Christopher Walker

“Se houve um encontro entre líderes da Reforma Protestante que encarnou, mais do que qualquer outro, a heresia que deixaria sua marca indelével nos séculos de divisão que viriam a seguir, esse encontro foi o famoso concílio Protestante que ocorreu em 1º de outubro de 1529, na cidade de Marburg, na Alemanha.

Organizada pelo príncipe Philip de Hesse, que queria formar uma frente política unida entre os protestantes contra as forças católicas no restante da Europa, a conferência contou com a presença da maioria dos reformadores alemães e suíços: Martinho Lutero e Philip Melanchthon, do lado luterano, e Ulrich Zwínglio, Martin Bucer e Johannes Oecolampadius, do lado reformado suíço.

Muitos Pontos em Comum

Os dois principais representantes do movimento de reforma, Lutero e Zwínglio, tinham muita coisa em comum. Ambos rejeitavam a autoridade do Papa e se apegavam à autoridade única das Escrituras; concordavam com a doutrina de justificação somente pela fé; rejeitavam a cerimônia e a doutrina da transubstanciação que era praticada na missa católica.

Lutero aceitara o convite com certa relutância, pois via na teologia de Zwínglio a antiga heresia dos nestorianos, que fazia uma separação entre a divindade e a humanidade de Cristo. Ele acreditava que havia uma relação direta entre o entendimento que se tinha da Ceia do Senhor e o entendimento de salvação e da atividade de Deus no mundo. Já, pelo outro lado, Zwínglio não via impedimentos em estabelecer comunhão com Lutero. Na conferência, ele orou: “Enche-nos, ó Senhor e Pai de todos nós, te suplicamos, com teu manso Espírito; e dissipa em ambos os lados as nuvens de desentendimento e paixão. Põe um fim à luta de fúria cega… Guarda-nos de abusarmos dos nossos poderes e capacita-nos a empregá-los com toda sinceridade para promover a santidade…”

Durante três dias a conferência prosseguiu, discutindo uma lista de quinze itens que Lutero havia formulado. Conseguiram progresso impressionante nos primeiros quatorze itens da lista. Houve acordo sobre a Trindade, sobre a pessoa, a morte e a ressurreição de Cristo, sobre a justificação pela fé, sobre o pecado original, sobre o Espírito Santo, sobre batismo, sobre confissão de pecados, sobre autoridades civis e sobre o erro do celibato entre o clero.

Mesmo sobre a questão da ceia do Senhor, havia vários pontos em comum. Dos seis subitens no décimo quinto ponto, houve acordo em cinco! Concordaram que a doutrina da transubstanciação estava errada, mas que os participantes deveriam receber tanto o pão como o vinho para participar pelo Espírito do corpo e do sangue de Cristo…

Mas quando chegaram à questão da presença real de Cristo no sacramento, as discussões atolaram.

Dividindo-se Sobre a Doutrina do Corpo de Cristo

Zwínglio tinha uma interpretação simbólica, enquanto Lutero citava enfaticamente as palavras do texto: Hoc est corpus meum (“Isto é o meu corpo”). Ele escreveu essas palavras com um pedaço de giz em cima da mesa, onde estavam conversando, e se recusava a aceitar qualquer desvio do significado literal delas.

O argumento de Zwínglio era de que o corpo de Cristo havia subido ao céu (At 1.9) e, portanto, não poderia estar nos elementos da Eucaristia. Cristo estava presente somente no sentido da sua natureza divina, espiritualmente nos corações dos participantes.

Já para Lutero, as palavras deveriam ser aceitas literalmente. O corpo e o sangue de Jesus eram realmente presentes “em, com e sob o pão e o vinho”, sem contudo transformar sua substância, como na transubstanciação. O texto que Zwínglio e Oecolampadius usavam para responder a Lutero era: “O Espírito é que vivifica; a carne para nada aproveita” (Jo 6.63). O argumento, porém, não causou efeito algum sobre Lutero.

Para a maioria das pessoas hoje, essa discussão pode parecer muito trivial; porém, para os reformadores era uma questão de enorme significado. Para eles, o que mais importava para manter a pureza e a fidelidade da reforma na igreja era a doutrina, principalmente naquilo que se relacionava com a justificação por fé em Cristo somente. A discussão da presença de Cristo na Eucaristia era ligada às duas naturezas de Jesus, a humana e a divina. Lutero enfatizava mais a união entre as duas naturezas, enquanto Zwínglio procurava mostrar a distinção entre elas.

Houve momentos no debate em que o tom era ríspido e cáustico. Em outros, cada lado procurava pedir perdão pelo uso indevido de palavras e pela falha em demonstrar o verdadeiro espírito cristão.

A questão, porém, não era tanto o direito que cada lado tinha de discordar, mas a atitude de separação que isso gerou no Corpo de Cristo. Lutero insistia que nenhuma aliança política era possível sem completa concordância doutrinária. Para ele, seus oponentes, como Erasmo, estavam permitindo que a razão humana alterasse as palavras claras das Escrituras. Estavam exigindo que os cristãos levassem algo de si próprios para alcançar a salvação. Por essa razão, Lutero dizia que não via nenhuma razão para ser mais caridoso com os “falsos irmãos” do que era com os seus inimigos de Roma.

“Um lado nesta controvérsia pertence ao diabo e é inimigo de Deus”, Lutero dizia – e ele não estava referindo-se a si próprio!

Fracasso e Divisão

No final da conferência, apesar de todos os pontos em que conseguiram concordar, Lutero se recusou a dar a destra de comunhão a Zwínglio e disse a Martin Bucer, de Estrasburgo: “É evidente que não temos o mesmo espírito!” A partir daí, ele também não demonstrou esforço algum para trazer união ou para tratar seus adversários com amor cristão.

Seja por causa de ambição pessoal, seja por causa do engano de se considerarem os guardiães da verdade e da doutrina pura, os líderes desta primeira cúpula protestante deixaram um modelo que tem-se repetido incontáveis vezes através da história, causando incalculável dano e divisão ao Corpo de Cristo”.

Testemunho do irmão Manel

Em um momento de descontração, Mario Fagundes (www.fazendodiscipulos.com.br) conta o testemunho do irmão Manel….

CategoriasOutros

O naturalista e o missionário: Charles Darwin e Robert Kalley

Abril 15, 2008 andersonpaz 3 comentários

Artigo extraído da revista Ultimato, nº 261, nov-dez/1999

=====================================================

“Em 1809 nasceram duas crianças especiais no Reino Unido; uma em Shrewsbury, na Inglaterra, e outra em Mount Florida, na Escócia. A primeira chamava-se Charles e a segunda, Robert. Este era 7 meses mais novo que aquele. Charles era filho de uma família muito culta e Robert, de uma família muito rica.

Os dois rapazes talvez nunca tenham se encontrado. Ambos, porém, foram estudar medicina na Escócia no mesmo ano, em 1825, obviamente com a mesma idade (16 anos), Charles na Universidade de Edimburgo e Robert na Universidade de Glasgow. Logo depois de formados, ambos fizeram longas viagens em navio a vela no exercício de suas profissões, Charles, como naturalista, e Robert, como médico de bordo. O primeiro embarcou no Beagle pouco antes de completar 23 anos e deu uma volta ao mundo: atravessou o Atlântico, contornou os dois lados da América do Sul, atravessou o Pacífico, passou pela Oceania, atravessou o Índico, contornou o Sul da África, atravessou outra vez o Atlântico e retornou à Inglaterra. A viagem durou quase 5 anos (dezembro de 1831 a outubro de 1836). Robert embarcou no Upton Castle com 20 anos incompletos e foi até Bombaim, na Índia. Os dois ficaram impressionados com algumas cenas chocantes que viram durante a viagem. Charles ficou chocado com a situação social dos nativos da Austrália e Nova Zelândia, transformados em escravos pelos próprios colonizadores europeus. E Robert, com as aberrações sociais da Índia. Tanto um como o outro se casaram em 1838, com 29 anos; Charles, com Emma, e Robert, com Margareth.

Não obstante tanta coincidência, os dois britânicos eram religiosamente diferentes. Depois de abandonar o curso de medicina (tinha pavor das cirurgias), Charles matriculou-se na Universidade de Cambridge para estudar a Bíblia e tornar-se clérigo (1828). Não tinha, então, a menor dúvida quanto à verdade absoluta e literal de cada verso das Escrituras Sagradas. Já Robert foi se desfazendo da bagagem religiosa recebida no lar (a família desejava muito que ele estudasse teologia e se fizesse pastor) até se tornar ateu. Passou a ter aversão e repugnância às leis do Criador, o que o deixava mais em liberdade para satisfazer todos os desejos que lhe viessem ao coração, sem temer as conseqüências e penalidades.

Aconteceu, porém, que os dois moços experimentaram mudanças religiosas na década de 1830, quando tinham vinte e poucos anos. Charles desistiu da carreira eclesiástica, formou-se em artes e tornou-se agnóstico. Robert renunciou a sua incredulidade e passou a ter profundo respeito por Deus. O que levou Charles a abandonar a fé foram as suas pesquisas científicas. O que levou Robert a abraçar a fé foi o testemunho de uma paciente muito enferma e muito pobre que enfrentava com incrível serenidade o sofrimento e a morte (1835).

A partir dessas diferentes experiências revolucionárias, Charles e Robert tornaram-se notáveis, cada um em sua área. O primeiro tornou-se cientista. O segundo tornou-se médico-missionário. O trabalho de Charles levou muita gente a desacreditar da autoridade das Sagradas Escrituras. O trabalho de Robert levou muita gente a gostar de ler a Bíblia e de praticar suas normas de fé e conduta.

Quando Robert se converteu, Charles estava ainda a bordo do Beagle. Quando Charles publicou, em 1839, o seu primeiro livro — Relatório de pesquisas em história natural e geologia dos países visitados durante a viagem ao redor do mundo no Beagle — Robert foi ordenado pastor presbiteriano [1] em Londres. Ambos estavam, então, com 30 anos.

Depois de sua longa viagem, Charles se dedicou à pesquisa e aos livros, quase todo o tempo em Down, no condado de Kent. Teve cinco filhos. Depois de sua conversão, Robert estudou teologia e se tornou missionário-médico na Ilha da Madeira (1838-46) e no Brasil (1855-76). Casado duas vezes, nunca teve filhos.

Charles morreu em abril de 1882 com a idade de 73 anos. Robert morreu 6 anos depois, em janeiro de 1888, com 79. O primeiro está sepultado na Abadia de Westminster, em Londres, e o segundo, no modesto Dean Cemitery, em Edimburgo.

O nome completo do naturalista é Charles Darwin. O nome completo do missionário-médico é Robert Reid Kalley. O primeiro é mais conhecido por sua teoria da evolução, que causou uma revolução na ciência biológica, mediante a publicação de seu mais importante livro Sobre a origem das espécies por meio da seleção natural, há 140 anos. O segundo é mais conhecido por ser o primeiro missionário protestante a se radicar no Brasil, dando origem a duas denominações brasileiras: Igreja Evangélica Congregacional do Brasil [2] e Igreja Cristã Evangélica do Brasil.

Segundo o testemunho do Duque de Argyle, Charles Darwin nunca se livrou de certos conflitos íntimos, mesmo com a leitura da Bíblia e as orações da esposa, que era cristã”.

Posts relacionados:
- Charles Darwin se converteu?
- A propósito dos  200 anos de Robert Kalley

—————————————————-

[1] Kalley, apesar de ser membro da Igreja da Escócia (Presbiteriana), não foi ordenado pastor presbiteriano. Ele foi ordenado por um grupo de pastores de diferentes denominações em Londres a fim de poder exercer plenamente o ministério que já vinha realizando na ilha da Madeira (Portugal). Sua ordenação por parte desses pastores o deixaram sem vínculos denominacionais.

[2] O nome correto da denominação é União das Igrejas Evangélicas Congregacionais do Brasil

Precisamos de pais espirituais

É comum ouvir no meio da Igreja a frase: “Não olhe para o homem, olhe para Jesus”. Essa frase tem como objetivo alertar para o fato de que se colocarmos nossas expectativas e esperanças em homens, podemos nos decepcionar e nos frustrar, pois todos os homens são pecadores e, portanto, sujeito a erros. Nossos olhos precisam estar em Jesus.

Tudo isso é verdade. Precisamos olhar firmemente para Jesus, o Autor e Consumador da nossa fé. Mas, isso não elimina uma outra verdade: como cristãos, precisamos de modelos de fé, caráter, conduta e espiritualidade. Se não fosse assim, Paulo não teria escrito aos Coríntios: “Sede meus imitadores, como também eu o sou de Cristo” (I Co. 11:1). Também não teria dito aos Filipenses:“Irmãos, sede meus imitadores, e atentai para aqueles que andam conforme o exemplo que tendes em nós” (Fp. 3:17) e “O que também aprendestes, e recebestes, e ouvistes, e vistes em mim, isso praticai; e o Deus de paz será convosco” (Fp. 4:9). Ele também não teria dito a Timóteo “… Sê um exemplo para os fiéis na palavra, no procedimento, no amor, na fé, na pureza” (I Tm. 4:12).

Paulo sabia muito bem que em nossa caminhada cristã precisamos de pessoas que sejam exemplos, modelos. Que sejam verdadeiros pais espirituais. Precisamos de gente que assuma essa responsabilidade. Que se gastem e se deixem gastar em favor dos discípulos de Jesus (II Co. 12:14,15).

Quero compartilhar com vocês esta pequena reflexão feita pelo Franco sobre a importância de pais espirituais na vida da Igreja. Recomendo também a leitura do artigo “A Igreja precisa de modelo”

CategoriasIgreja

A Igreja precisa de modelo

Extraído da Revista Ultimato – nov/dez 2007

“Paulo explica que deixou de fazer coisas erradas e abriu mão de certos direitos pessoais “para que nos tornássemos um modelo para ser imitado por vocês” (2Ts 3.9).

Jesus, por sua vez, levantou-se da mesa, tirou sua capa, colocou uma toalha em volta da cintura, derramou água numa bacia, abaixou-se, lavou os pés dos seus discípulos e depois os enxugou. Então esclareceu: “Eu lhes dei o exemplo para que vocês façam como lhes fiz” (Jo 13.15).

O exemplo pode vir de baixo para cima, mas ele é mais necessário quando vem de cima para baixo. O mau exemplo é sempre muito mais escandaloso quando vem de cima para baixo. Sem bons exemplos, a igreja perde o rumo. Uma vez ordenado epíscopo (bispo ou presbítero), o ministro de Deus, além das qualidades básicas (vida irrepreensível, moderação, sensatez, amabilidade, desprendimento, desapego ao dinheiro etc), deve ter boa reputação, boa fama, boa consideração, bom testemunho entre os de fora de sua comunidade, para não cair em descrédito, para não ficar desmoralizado (1Tm 3.7).

Não se pode abrir mão do bom exemplo nem das autoridades nem dos subordinados. O bom exemplo vale mais do que a pregação e o ensino. É mais fácil tornarmo-nos corretos pelo exemplo do que pela palavra. O exemplo convence muito mais do que o discurso. O exemplo torna coerente o discurso e o fortalece.

O maior legado que alguém pode oferecer é o exemplo. Depois da salvação, o legado maior de Jesus foi o seu exemplo. Pedro menciona esse fato: “O próprio Cristo sofreu por vocês e deixou o exemplo, para que sigam os seus passos” (1Pe 2.21, NTLH). Nós éramos ovelhas que havíamos perdido o caminho, mas fomos trazidos de volta para seguir o exemplo do supremo pastor: “Ele não cometeu nenhum pecado, e nunca disse uma só mentira. Quando foi insultado, não respondeu com insultos; quando sofreu, não ameaçou, mas pôs a sua esperança em Deus, o justo Juiz” (1Pe 2.22-23, NTLH). O exemplo de Jesus está disponível: “Seja a atitude de vocês a mesma de Cristo Jesus” (Fp 2.5).

Quando o rebanho não tem um modelo para seguir ou quando o padrão de comportamento dos pastores não é bom, pode-se esperar uma decadência em cadeia, que se alastra por toda a igreja. Pois os novos pastores vão se ordenando e os novos crentes vão nascendo sem aquele exemplo original, dado por Jesus Cristo, para ser seguido.

Como pai na fé e tutor eclesiástico de Timóteo, Paulo exorta o jovem pastor a ser “um exemplo para os fiéis na palavra, no procedimento, no amor, na fé e na pureza” (1Tm 4.12). A maturidade espiritual manifestada pela força do exemplo compensaria o fato de Timóteo ser ainda muito jovem”.

CategoriasOutros

Acabaram os bereanos?

A leitura e o exame das Escrituras não podem se reduzir a um mero exercício intelectual. É necessário contar com a presença e revelação daquele que inspirou as Escrituras: O Espírito Santo

O texto abaixo foi extraído da revista Ultimato, Jan-Fev/2003.

===========================================================

“No sopé dos Montes Olímpios, na República da Macedônia, parte integrante da Iugoslávia até bem pouco tempo, existe uma pequena cidade chamada Verria. Há uma única referência a essa cidade na Bíblia, mas com outro nome: é a antiga Beréia, distante 80 quilômetros a sudoeste de Tessalônica (hoje Salônica).

Na metade do primeiro século, o apóstolo Paulo, em sua segunda viagem missionária, e Silas anunciaram o evangelho tanto em Tessalônica, na época com 200 mil habitantes, como em Beréia. Em ambas as cidades, o trabalho foi coroado de muito êxito. Em Beréia, “mulheres gregas de alta posição e não poucos homens” creram na pregação da salvação pela graça de Deus mediante a fé (At 17.12). Mas o primeiro historiador da expansão do cristianismo fez questão de registrar que os bereanos eram “mais nobres” que os tessalonicenses. Além de ouvir a mensagem com muito interesse, os novos crentes daquela cidade “cada dia examinavam as Escrituras para ver se tudo era assim mesmo” (At 17.11, EP). Isso significa que as mulheres da alta sociedade e um punhado de homens da atual Verria, com todo respeito a Paulo, faziam um exame crítico de tudo que o apóstolo ensinava, tendo como fonte primária e de absoluta confiança a parte da Bíblia então escrita (o Antigo Testamento). A resposta que os novos convertidos davam à pregação missionária não era meramente emocional. Passava tanto pelo coração como pelo intelecto. Desde então, nesses 20 séculos de história, os bereanos são lembrados como exemplos para aqueles que desejam ter uma fé sólida e mais próxima possível da Revelação.

Cabe aqui a inquietante pergunta: essa raça de bereanos ainda é necessária? Em nenhum outro tempo, os meios de comunicação foram tão variados e disponíveis como agora, e nunca a liberdade de falar e escrever o que se quer foi tão grande. Antes, tínhamos apenas as Escrituras e outros livros. Depois, jornais e revistas. Depois, o rádio e a televisão. Depois, o fax. Agora, temos a internet. Por meio desses recursos, o crente recebe número sem conta de mensagens todos os dias, de procedência e linha doutrinária diferentes. A maior parte das pessoas engole tudo sem o menor cuidado. Daí a confusão reinante e o crescimento assustador não só de novas denominações cristãs, mas também de seitas e heresias.

Não se pode mudar de idéia nem de convicção só porque alguém ensina algo novo. Cada dia é preciso examinar as Escrituras para ver se tudo o que esse alguém transmite é de fato assim. Se essa pessoa se sente ofendida porque procedemos desse modo é péssimo sinal.

Nem sempre aquele que distorce as Escrituras age de má-fé. Às vezes, trata-se apenas de um equívoco de exegese, a que todos estamos sujeitos — não só o expositor leigo, mas também os doutores em Bíblia. Todavia, tanto a história de Israel como a história da igreja registram a presença e a pregação de falsos profetas que se infiltram no meio do povo e no meio dos crentes. Em ambos os casos, a preocupação dos bereanos é muito bem-vinda.

Não se trata de uma vigilância mesquinha e ruidosa, que sempre descamba para uma insuportável arrogância teológica, capaz de exagerar, mentir, denunciar, perseguir e dividir a igreja. Foi esse procedimento que deu origem à Inquisição, de triste memória.

Discreta e humildemente, o verdadeiro bereano trabalha com a sua consciência, busca fundamento bíblico para aquilo que ouve e lê. Quando alguma coisa o incomoda, não se cala nem se omite. Porém, ao levantar a voz não tímida, ele coloca sob cuidadosa vigilância o seu zelo pela Palavra de Deus.

Os tessalonicenses de ontem e de hoje são mais rápidos e menos profundos. Portanto, dão menos trabalho. Já os bereanos de ontem e de hoje são menos apressados e mais profundos. E correm menos riscos que seus vizinhos de Salônica, pois obedecem à instrução do Apóstolo do Amor: “Amados, não creiam em qualquer espírito, mas examinem os espíritos para ver se eles procedem de Deus, porque muitos falsos profetas têm saído pelo mundo” (1 Jo 4.1, NVI)”.

CategoriasOutros

Recomendações de Charles Finney

O famoso pregador Charles Finney ensinava seus alunos sobre técnicas de pregação para que ninguém pudesse ser salvo. Se você não quer ver pessoas salvas, use as dicas abaixo:

1. Que sua motivação para pregar seja a sua popularidade e não a salvação das pessoas.

2. Procure agradar a sua congregação, mantendo diante dela uma boa reputação em vez de agradar a Deus.

3. Pregue sobre coisas que o povo gosta, sobre temas sensacionais que atraiam as pessoas, e evite pregar a essência da doutrina da salvação.

4. Seja discreto na hora de denunciar o pecado, e nem mencione os pecados que assolam sua congregação.

5. Pregue apenas sobre o amor e as virtudes da glória celestial, e não mencione sobre os perigos do pecado.

6. Reprove os pecados dos que não estão no culto, e faça com os que estão nos cultos sintam-se bem consigo mesmos, para que seu sermão lhes agrade e não deixem o culto com seus sentimentos machucados.

7. Dê a entender aos crentes mundanos, membros da igreja de que Deus é bom demais para mandá-los pro inferno, se é que este existe.

8. Pregue sobre a fraternidade universal de Deus e a fraternidade dos homens e não fale a respeito da necessidade de um novo nascimento.

Extraído do www.pastorjoao.com.br .

CategoriasOutros

Ariovaldo Ramos – Quem é Jesus?

Abril 9, 2008 andersonpaz 1 comentário

Este é um vídeo que encontrei recentemente no YouTube com uma mensagem do Ariovaldo Ramos sobre dois tipos de igreja que foram formadas: a Igreja da multidão, que só se interessa pelo que Jesus pode lhes oferecer, e a Igreja dos discípulos de Jesus, que se preocupam em realmente imitá-Lo. E o que é necessário para que exista a Igreja dos discípulos? Apenas dois ou três reunidos em torno da pessoa de Jesus.

Depois de assistir esse vídeo, recomendo a leitura dos artigos da série Igreja Simples.

CategoriasIgreja

O que Deus quer da Igreja?

Abril 3, 2008 andersonpaz 1 comentário
2ºArtigo da série Igreja Simples

Em meio à diferentes opiniões acerca da Igreja, não precisamos ficar entregues às especulações,como se não tivéssemos uma orientação clara e precisa da parte do Senhor sobre o assunto. Graças a Deus não estamos desorientados e sem direção, pois Ele deixou muito claro em Sua Palavra o que é a Igreja e o que espera dela.

Talvez ler este artigo seja meio cansativo para alguns, já que pretendo escrever sobre alguns conceitos básicos. Entretanto, eu não poderia seguir escrevendo sem lembrar esses conceitos, pois são bases para tudo o que espero compartilhar nos próximos artigos.

Faço isso por duas razões principais. A primeira é que a repetição das mesmas verdades produz segurança para nossa fé. É por isso que Paulo disse: ‘… Não me é penoso a mim escrever-vos as mesmas coisas, e a vós vos dá segurança (Fp.3:1). E a segunda razão é porque nós, como construtores da Igreja (somos cooperadores de Deus), devemos conhecer muito bem a planta que Deus desenhou, para compararmos nossa construção com o que Deus quer e sabermos se estamos no rumo certo ou se estamos nos desviando do projeto original.

Para falar sobre a Igreja, precisamos voltar ao Éden, à criação do homem. Deus criou o homem para a vida em família. Ele mesmo disse que não era bom que o homem vivesse só. E por isso criou a mulher e deu a ordem de crescer, multiplicar e encher a Terra. Deus formou uma família. A raça humana foi criada para ser uma família, a família de Deus, pois DEle todos nós somos geração (At. 17:28,29). Uma família cujos filhos reproduzissem a imagem (caráter) do Pai.

Ao lermos Gênesis 1:26-28 podemos dizer com clareza que o propósito de Deus ao criar a raça humana era o de ter uma família (‘… homem e mulher os criou’), de muitos filhos (‘frutificai e multiplicai-vos; enchei a terra’) conforme o Seu caráter (‘Criou, pois, Deus o homem à sua imagem’).

Como sabemos, o homem não cumpriu esse propósito. O pecado encontrou espaço no coração de Adão e de Eva, e eles se desviaram da vontade do Pai. A imagem de Deus no homem foi corrompida. Não demorou mais do que uma geração para que ocorresse o primeiro homicídio, que foi entre irmãos. Mas, apesar do pecado do homem, Deus não desistiu do seu propósito original. Como todos os descendentes do primeiro homem se tornaram incapazes de cumprir o propósito de Deus, Ele começou a levantar uma outra família para Si, em Cristo.

Do meio da raça humana, Ele levantou uma nova raça. E como fez isso? Através do Novo Nascimento. Todo aquele que recebe a Jesus como Senhor se torna filho de Deus (Jo. 1:12). Filhos que são gerados quando recebem a Palavra (Tg. 1:18; I Pe. 1:23), nascem da água e do Espírito (Jo. 3:1-8). O Novo Nascimento é representado no batismo, momento em que mais um filho de Deus é recebido em sua família: a Igreja. Pelo nascimento natural pertenço à uma família natural. Por meio do Novo Nascimento pertenço à uma família sobrenatural. Como Paulo disse:

‘Assim, pois, não sois mais estrangeiros, nem forasteiros, antes sois concidadãos dos santos e membros da família de Deus’ (Ef. 2:19)

Dessa forma, através do Novo Nascimento, o propósito de Deus está se cumprindo, ‘Porque os que dantes conheceu, também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho, a fim de que ele seja o primogênito entre muitos irmãos’ (Rm. 8:29). Uma Família de muitos filhos à imagem de Jesus (que é a exata expressão do Pai).

Como filhos de Deus, somos chamados não apenas a amá-lo, mas a amar também todo aquele que dele é nascido (I Jo. 3:5), amar como Cristo nos amou (Jo. 13:34), dando a vida em favor dos nossos irmão (I Jo. 3:16). Isso é a Igreja. Não é templo, não é instituição, e nem é uma sucessão de reuniões e cultos. Igreja é a comunidade dos remidos, a comunhão dos santos, a família de Deus. É gente que tem uma vida em comum. Que vive, convive, reparte e compartilha. Citando Ed René Kivitz: ‘a salvação em Cristo é individual, mas a vida cristã é comunitária’ [1]. Ou, como escreveu Wolfgang Simson: ‘A Igreja é uma forma sobrenatural de vida comunitária’ [2].

As mais importantes figuras da Igreja no Novo Testamento apontam para a realidade de que a Igreja é uma família e enfatizam o relacionamento que existe entre os membros dessa família. Quando a Bíblia diz que a Igreja é o Corpo de Cristo, aponta para a conexão que há entre os membros (Cl. 2:19). Quando diz que a Igreja é o Santuário do Espírito, a Casa de Deus, aponta para pedras que não estão soltas, mas edificadas juntamente (Ef. 2:19-22). A Bíblia mostra a importância do relacionamento que deve haver entre os filhos de Deus.

Sei que tudo o que escrevi são conceitos básicos que a maioria sabe. Mas, será que nossa prática é coerente com o que sabemos? Será que nossos pensamentos sobre a Igreja se harmonizam com os pensamentos de Deus? Nestes últimos dias descobri uma forma de me avaliar quanto ao assunto, de saber se os meus pensamentos sobre a Igreja ser harmonizam com os pensamentos de Deus, e se de fato a Igreja é minha família (pois é isto que Deus quer). Fiz essa auto-avaliação através de duas reflexões, e descobri que ainda preciso experimentar muito mais da Igreja como família. Sugiro que você faça a mesma auto-avaliação, porque com certeza fará bem a você, assim como fez para mim. Reflita nas seguintes perguntas:

1. Dedique algum tempo para pensar sobre a família ou pelo menos no que deveria ser uma família (já que muitas pessoas cresceram sem família ou em famílias destruídas). Quando você pensa em uma família, quais são as primeiras imagens e lembranças que vêm à sua mente? Não falo de palavras, falo de imagens.

Talvez você lembre do carinho de seus pais, da companhia, amizade e brincadeiras com seus irmãos, do tempo que vocês passaram rindo e também chorando, dos conselhos e ensinos que seus pais te deram, da sala de estar ou da cozinha, daquele almoço especial e daquela sobremesa deliciosa, das festas de aniversário, de quando você tinha que arrumar a casa, das disciplinas e das correções dos seus pais, dos problemas que todas as famílias tem, mas que deveriam e devem ser resolvidos etc.. Enfim, são muitas as lembranças e imagens.

2. Agora, dedique um tempo para pensar sobre a Igreja. Quando você pensa na Igreja, que imagens vêm à sua mente? Talvez você pense em um templo, nos cultos, nas pregações, na música, no dia da tua conversão ou do teu batismo, na escola dominical, em reuniões tanto no templo como nas casas, reuniões de oração e de estudo bíblico, das células, de momentos de alegria nos quais você foi tocado por Deus etc..

Agora que você refletiu nas duas perguntas que fiz, tenho uma coisa pra compartilhar: Nossa compreensão da Igreja como família só estará completa no dia em que a palavra Igreja e a palavra Família nos levarem a pensar nas mesmas coisas, pois Igreja é Família.

Nossos pensamentos estarão harmonizados com os pensamentos de Deus quando ao ouvirmos a palavra Igreja pensarmos no carinho dos irmãos, da companhia, amizade e brincadeiras, no tempo passado juntos rindo, chorando ou simplesmente conversando, dos conselhos, ensinos e da Palavra de Deus compartilhada (‘A palavra de Cristo habite em vós ricamente, em toda a sabedoria; ensinai-vos e admoestai-vos uns aos outros, com salmos, hinos e cânticos espirituais,louvando a Deus com gratidão em vossos corações’ – Cl. 3:16), da sala de estar ou da cozinha da casa dos irmãos ou de sua própria casa, daquele almoço especial e daquela sobremesa deliciosa (‘… comiam juntos com alegria e singeleza de coração’- At. 2:46), das festas (Afinal, a Bíblia fala sobre as festas de Amor), das repreensões e das disciplinas (sempre buscando a restauração), dos problemas que as vezes surgem, mas que precisam ser tratados com confissão, perdão e humildade etc… E tudo isso cercado de oração, da Palavra e da presença de Jesus, pois, afinal, onde há dois ou três reunidos em Seu nome, aí Ele está presente, não importando o lugar.

Hoje, quero cada vez mais enxergar a Igreja como Família e deixar de reduzi-la à reuniões e eventos que não traduzem com fidelidade o que Deus quer de nós.

[1] Ed René Kivitz, Quebrando Paradigmas, pg. 63. Abba Press
[2] Wolfgang Simson, Casas que transformam o mundo: Igreja nos Lares. Ed. Evangélica Esperança

Conflito entre Irmãos

Uma direção de Deus para os nossos conflitos entre irmãos. 

Sérgio R. Franco

CategoriasIgreja